04/02/2018 às 05h08min - Atualizada em 04/02/2018 às 05h08min

Verão é mais propício aos raios

Cerca de 80% das descargas ocorrem nesta época do ano, que também é responsável por 43% das mortes

WALACE TORRES* | EDITOR
Mais de um milhão de raios são registrados anualmente em Minas Gerais; em Uberlândia foram 48 mil descargas ano passado / Foto: Demetrio Aguiar/Divulgação

Você sabe qual a probabilidade de ser atingido diretamente por um raio? Segundo informações do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a chance é muito baixa, em média menor do que 1 para cada 1 milhão. No entanto, se a pessoa estiver em área descampada embaixo de uma tempestade forte, a probabilidade pode aumentar em até 1 para mil.

É justamente nesta época do ano que a densidade atmosférica é maior - cerca de 80% dos raios que ocorrem no Brasil são no verão. As temperaturas mais altas facilitam a formação de tempestades, principalmente nos fins de tarde, como é predominante na região Sudeste do país.

Em Uberlândia, apesar da constância dos temporais nesta época do ano, a concentração de raios é pequena. De acordo com o ELAT, a densidade de descarga é de 3,01 raios por km2 por ano, o que coloca o município na 3.179ª posição no ranking nacional. No estado, Uberlândia ocupa apenas a 272ª posição em densidade de raios. Segundo dados da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), em 2017 foram registradas 48.024 descargas no município.

A baixa incidência, no entanto, não é motivo para despreocupação. Pelo contrário, ao sinal de tempestade, a recomendação é procurar abrigo – em residência ou dentro do carro se estiver numa área aberta.

Anualmente, mais de 1 milhão de raios são contabilizados em Minas Gerais.
 
ORIENTAÇÃO 

Além do risco de atingir direta ou indiretamente as pessoas, as descargas atmosféricas também trazem prejuízos quando provocam incêndios e queda de linhas de energia.

De janeiro a novembro do ano passado, o Corpo de Bombeiros atendeu 62 ocorrências de pessoas vítimas de eletrocussão em Minas Gerais (nessa classificação estão os casos de raios e descargas na rede elétrica).

Também no ano passado houve 14.014 interrupções no fornecimento de energia decorrentes de descarga atmosférica, afetando 241.065 unidades consumidoras nos 774 municípios da área de concessão da Cemig.

De acordo com o engenheiro de segurança do trabalho da Cemig Demetrio Aguiar, alguns procedimentos devem ser adotados pela população durante as tempestades, como desligar as tomadas dos equipamentos elétricos. “Durante as chuvas, o raio atinge a rede elétrica e chega às residências por meio da fiação, podendo atingir os moradores”, explica o engenheiro.

Demetrio Aguiar também alerta para os danos que as descargas elétricas podem provocar no corpo humano: “O raio provoca queimaduras gravíssimas e pode provocar parada cardiorrespiratória, que leva inclusive à morte”.

Em caso de rompimento de fios da rede elétrica, a pessoa deve se manter o mais longe possível. “Caso alguém se depare com um cabo partido, nunca deve aproximar-se ou tocar a fiação e, se possível, não deve permitir que outras pessoas se aproximem também”. Cuidado semelhante deve ser tomado em caso de queda de árvores sobre as vias públicas, pois elas podem cair sobre a rede elétrica e trazer consigo fios elétricos possivelmente energizados. A Cemig mantém o telefone 116 para atender esses tipos de ocorrências 24 horas por dia.
 
VÍTIMAS

Brasil é campeão em incidência de raios no mundo

O Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo – nos últimos seis anos a média anual foi de 77,8 milhões de raios, segundo o Inpe. Tocantins é o estado com maior densidade, com 17,1 raios por quilometro quadrado, seguido por Amazonas (15,8), Acre (15,8), Maranhão (13,3), Pará (12,4), Rondônia (11,4), Mato Grosso (11,1), Roraima (7,9), Piauí (7,7) e São Paulo (5,2).

Santa Maria das Barreiras, no Pará, detém o ingrato título de município com maior densidade de raios no país – são 44,32 raios por quilômetro quadrado por ano. Já a pequena cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, é campeã na probabilidade de morrer atingido por raio, com 20,63 mortes por milhão de habitantes por ano, de acordo com o Inpe. Em São Gabriel da Cachoeira a densidade de descarga é de 24,51 raios por quilômetro quadrado por ano, superior a todas as capitais brasileiras.

Entre as capitais, Rio Branco lidera o ranking de densidade de raios (30,13), seguida por Palmas (19,21), Manaus (18,93), São Luís (15,12), Belém (14,47) e São Paulo (13,26). Já as capitais com maior probabilidade de morrer atingido por raio são respectivamente, Porto Velho, Boa Vista, Campo Grande, Rio Branco e Palmas.

Entre as cidades com mais de 650 mil habitantes, Osasco, Santo André, Guarulhos e São Bernardo do Campo, todas na grande São Paulo, apresentam, respectivamente valores de densidades acima de 10. Nessas localidades a urbanização exerce grande influência na ocorrência de raios. Entre as cidades mais próximas de Uberlândia, São José dos Campos apresenta a maior probabilidade de morrer atingido por um raio.
 
MORTES 

Em média, 300 pessoas por ano são atingidas por raios no Brasil, das quais cerca de 100 morrem.  A cada 50 mortes por raio no mundo, uma ocorre no Brasil.

Segundo levantamento do Inpe, no período de 2000 a 2014, foram registradas 1.792 mortes por descargas elétricas, uma média de 120 vítimas anualmente. A região Sudeste registrou o maior número de mortes, 28%. São Paulo é o estado com maior número de vítimas, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Ainda de acordo com os registros, 43% dos óbitos aconteceram durante o verão, sendo que a maioria – duas em cada três mortes – ocorreu ao ar livre.

Entretanto, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, não é a incidência direta do raio a maior causadora de mortes e ferimentos. Geralmente são os efeitos indiretos associados a incidências próximas ou efeitos secundários dos raios que trazem risco. A corrente do raio pode causar queimaduras, por exemplo, e a maioria das mortes é causada por parada cardíaca e respiratória. Grande parte dos sobreviventes sofre sequelas psicológicas e orgânicas por longo tempo.

Em outubro do ano passado, duas pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas em decorrência de um raio que atingiu uma fazenda às margens da MG-190, entre Nova Ponte e Uberaba, a menos de 100 km de Uberlândia. As vítimas trabalhavam numa lavoura de cenoura quando a tempestade chegou. Elas se encaminhavam para o interior de um ônibus quando foram surpreendidas pela descarga atmosférica.

Os animais também são vítimas das descargas. Apenas em janeiro deste ano mais de 800 animais morreram em decorrência de raios que atingiram fazendas do sul do Tocantins. Somente numa delas 87 cabeças de gado foram perdidas durante tempestades com raios.
(*) Com informações da Agência Brasil
 
Orientações em caso de tempestade
 
Se estiver na rua:

- procure abrigo em carros não conversíveis, ônibus, moradias ou prédios com proteção contra raios
- evite segurar objetos metálicos longos, empinar pipas ou andar a cavalo
- evite pequenas construções não protegidas, como celeiros, tendas ou barracos
- não andar de bicicleta, moto, trator ou estacionar próximo a árvores ou linhas de energia elétrica
- evitar topos de morro, cordilheira, topo de prédios, áreas abertas, campo de futebol, árvores isoladas e cerca de arame
 
Se estiver em casa:

- evite usar telefone com fio ou celular ligado à rede elétrica, ou ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas
- não usar o chuveiro elétrico
- não subir no telhado para ajustar a antena de TV
 
Em local descampado:
 
- Caso esteja em local sem abrigo próximo e sentir que seus pelos estão arrepiados, ou a pele coçando, fique atento pois pode indicar proximidade de um raio prestes a cair. Neste caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando as mãos nos joelhos e a cabeça entre eles. Não fique deitado.
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