04/02/2018 às 05h09min - Atualizada em 04/02/2018 às 05h09min

Folsom celebra memória de Johnny Cash

Cantor fez a fama de penitenciária, que conta hoje com museu; região ainda tem parque e cervejaria

FERNANDA EZABELLA | FOLHAPRESS
Entrada original da Prisão de Folsom, que fica a duas horas de carro de São Francisco, no estado da Califórnia / Foto: Folhapress

De longe, parece um castelinho europeu, com um casal de veados compondo a paisagem. De perto, a segurança pesada dá a dica de que se trata de outra coisa. É a entrada da infame Prisão Estadual de Folsom, a segunda mais antiga da Califórnia, que fica a duas horas de carro de São Francisco.

Seu detento mais célebre, no entanto, nunca foi condenado à prisão na vida. Ainda assim, gente do mundo todo aparece para visitar o inusitado museu da penitenciária e para conhecer uma recém-inaugurada trilha ao seu redor, em homenagem ao homem de preto que colocou Folsom no mapa.

Johnny Cash (1932-2003) não atirou em um homem em Reno só para vê-lo morrer, tampouco se viu preso na tal penitenciária californiana, como canta em Folsom Prison Blues, de 1955. O barulho do trem, aliás, com o qual inicia a música, também é imaginário, já que não existem estações na vizinhança.

Mas suas passagens pela prisão, quando fez shows para os detentos e gravou um álbum ao vivo, deixou marcas tão profundas na cidade de 77 mil habitantes que até hoje há quem acredite piamente que o músico cumpriu pena em Folsom.

Cash chegou a ser preso algumas vezes por embriaguez e posse de drogas, mas nunca ficou encarcerado por mais de uma noite. Ainda assim, virou uma espécie de padroeiro dos presidiários graças a suas músicas sobre forasteiros, shows em prisões e quatro discos gravados ao vivo em penitenciárias. At Folsom Prison foi o primeiro deles. Lançado em 1968, reabilitou a carreira do cantor e atingiu o primeiro lugar nas paradas de música country.

Criado em 1975, o museu de Folsom Prison é uma oportunidade para os fãs de Cash conhecerem um pouco da história do local, fundado em 1880, ver fotografias, cartazes e reportagens sobre suas visitas, além de ser o mais perto que podem chegar do portão cartão-postal da prisão. Em exibição, estão armas caseiras apreendidas, de facas a pistolas, explicações sobre tatuagens de gangues, reconstrução de uma cela com um manequim de presidiário, e até uma roda gigante de 2 metros feita por um detento com 250 mil palitos de dente.

Há também menções a ilustres que de fato ficaram presos no local, como o ator Danny Trejo (Machete).

Um vídeo conta como os muros de granito foram levantados pelos próprios presos, nos anos 1920, e como eles viviam em condições bastante precárias, uma das bandeiras que Cash levantou, para desespero de sua gravadora, obviamente antes dos álbuns virarem sucessos.

No total, 93 presos foram enforcados em Folsom até 1937. Com capacidade para 2.000 presos, tem hoje 2.351, um pouco abaixo dos quase 3.000 de 2012, antes de o sistema penal passar por uma reforma no Estado. Da prisão, saem todas as placas de carros da Califórnia, numa fábrica que emprega 116 detentos.

No museu, há lembrancinhas como adesivos para carros (com a frase passei um tempo na prisão de Folsom), chaveiros em formato de algemas, palhetas de guitarra, caixinhas de balas de menta decoradas com a figura de Cash, camisetas e canecas. Mais de 10 mil pessoas visitam o espaço anualmente.

TRILHA

O número deve aumentar com a abertura em outubro da segunda fase da Johnny Cash Trail, uma trilha de 4 km para bicicletas, corredores e caminhantes que leva do centro histórico da cidade ao lago local, passando pela estrada da prisão. Pelo caminho, uma ponte exibe duas torres que imitam a entrada de Folsom. O projeto de US$ 8 milhões ainda prevê um parque com o nome de Cash, um anfiteatro e oito esculturas.
 
PICO DE LASSEN

Vulcão é estrela de parque formado por erupções

Além de terremotos, furacões e um presidente que não acredita em aquecimento global, os Estados Unidos têm uma cadeia de vulcões impressionante ao norte de sua costa oeste. As maiores e mais recentes erupções continentais no país aconteceram no pico de Lassen, na Califórnia, e no Monte St. Helens, em Washington.

O pico de Lassen, um vulcão ativo que é estrela de um parque nacional a 300 km de Folsom (ou 150 km da cidade de Chico), tem um dos maiores domos de lava do mundo, graças a uma erupção em 1915, cujas cinzas chegaram a até 300 km de distância.

Pedras vulcânicas rolaram por 10 km e seguem até hoje intocadas numa das primeiras trilhas que o visitante encontra ao chegar de carro ao Lassen Volcanic National Park, numa região chamada Área Devastada.

É preciso criatividade e curiosidade, já que as tais "pedras vulcânicas" não se distinguem na aparência de rochas comuns, e o pico de Lassen pode passar batido como uma montanha qualquer. Mas o parque oferece mais.

A trilha mais impactante é a Bumpass Hell. Ela leva até uma plataforma que atravessa uma área hidrotérmica de 16 acres (6,5 hectares) repleta de poças de lama fervilhante, piscinas de águas cinzas e cheiro podre, além de buracos emitindo gases sulfurosos. A caminhada de ida e volta tem 5 km. O trecho costuma ficar fechado até o início de julho por causa da neve.

Aliás, em pleno verão californiano é possível brincar em campos inteiros cobertos de neve e tirar fotografias cinematográficas no lago Helen, semicongelado e cercado de pinheiros.

Uma estrada de 48 km corta o parque de norte a sul, com vários pontos de parada no caminho para observar a vista ou fazer piqueniques.

Ainda é possível começar outra trilhas, como a Kings Creek, de 5 km, que termina numa cachoeira de 12 metros.

Para quem quiser ver mais quedas d'água, a 15 minutos de carro da saída ao norte do parque fica a Burney Falls, mais impressionante, com 39 metros de altura e 76 de extensão.
 
SIERRA NEVADA

Cervejaria oferece tour gratuito com degustação

Muito antes do movimento hipster cervejeiro dos dias de hoje, na Califórnia dos anos 1970, o americano pioneiro Ken Grossman já fazia experimentos com grãos de malte e cones de lúpulo, com ajuda de equipamentos de laticínios reciclados, na pequena cidade de Chico, a 140 km da capital do Estado, Sacramento.

Em 1979, ele fundou com um colega sua própria cervejaria artesanal, a Sierra Nevada Brewing, nome em homenagem às montanhas ao leste de Chico que ele costumava escalar nas horas vagas. Hoje, a cervejaria é a sétima maior dos EUA e ainda continua nas mãos de Grossman, 63, agora um bilionário.

Chico, com 90 mil habitantes, fica no meio do caminho entre o presídio de Folsom e o parque vulcânico de Lassen.

Talvez não seja coincidência que tenha sido eleita a cidade mais "bêbada" do Estado, onde 34% das mortes no trânsito estão relacionadas ao abuso de álcool e 18% dos adultos bebem muito.

É preciso cautela para não sair embriagado da visita gratuita oferecida pela Sierra Nevada, que começa com um copo de cerveja e termina uma hora e meia depois com outra degustação, mais generosa, de diversas criações.

O local tem um restaurante separado, uma boa parada para descansar e absorver tanto álcool.

Há outros tours pagos pela cervejaria, como um mais detalhado sobre a fabricação de cervejas e outro sobre sustentabilidade, um dos diferenciais da região, que só usa matéria-prima orgânica e tem mais de 10 mil placas solares.

Além de dar uma espiada nos tanques de fermentação e observar os funcionários no setor de embalagens, o visitante pode entrar nos depósitos, que exalam aromas de lúpulos, uma raridade em passeios por cervejarias. (FE)
 
PACOTES

US$ 780 (R$ 2.514)
Sete dias de locação de motorhome que acomoda até três pessoas, com cozinha e gerador, em Los Angeles. Turista tem 500 milhas (804 km) para viajar por onde quiser, antes de devolver o veículo também em Los Angeles. Valor não inclui passagem aérea para a cidade. Na Gold Trip: goldtrip.com.br
 
US$ 1.267 (R$ 4.085)
Sete noites na Califórnia, entre Los Angeles e São Francisco. Sem refeições ou passeios, mas com traslado e seguro-viagem. Valor por pessoa, sem passagem aérea. Na Gold Trip: goldtrip.com.br
 
R$ 4.790
Três noites por pessoa em South Lake Tahoe. Sem passeios, extras ou refeições, mas com passagem aérea incluída. Na Expedia: expedia.com.br
 
R$ 4.950
Três noites por pessoa em Folsom, em acomodação com café da manhã. Inclui passagem aérea. Na Expedia: expedia.com.br
 
R$ 5.319
Nove noites entre a Califórnia (Los Angeles e San Diego) e Nevada (Las Vegas), com aluguel de carro com seguro. Não inclui alimentação ou passagem aérea. No Hotel Urbano: hotelurbano.com.br
 
US$ 1.894 (R$ 6.397)
Sete noites entre Califórnia (Fresno, São Francisco e Santa Maria), Grand Canyon (Arizona) e Las Vegas (Nevada), com café da manhã. Inclui passeios e traslados. Sem passagem aérea. Na Visual Turismo: visualturismo.com.br
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