04/02/2018 às 05h07min - Atualizada em 04/02/2018 às 05h07min

Paciente com epilepsia só pode dirigir se ficar um ano sem crise

EMERSON VICENTE | FOLHAPRESS

No dia 19 de janeiro, um homem de 41 anos atropelou 19 pessoas, causando a morte de um bebê de 8 meses, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No depoimento à polícia, ele alegou que teve uma crise de epilepsia, e que por isso perdeu o controle do veículo.

A epilepsia é um distúrbio que provoca convulsões. O cérebro emite sinais incorretos, que causam essas convulsões. O fato de uma pessoa epiléptica dirigir gera discussão na medicina.

"A maioria das pessoas consegue controlar a doença e viver uma vida normal. Mas tem que ter alguns cuidados. Se a pessoa estiver há um ano sem crise, tomando remédios, pode dirigir", diz Fabio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), pacientes com epilepsia podem tirar ou renovar a carteira de habilitação se estiverem sendo medicados e não tiverem tido crise por um ano.

O neurocirurgião Luiz Daniel Cetl, integrante da Sonesp (Associação dos Neurocirurgiões do Estado de São Paulo), diz que o assunto é muito delicado. "A discussão é grande no mundo inteiro. Alguns países proíbem o paciente com epilepsia de dirigir", diz o médico. "Nada impede que o paciente tenha um escape. Vale a pena correr esse risco?", indaga.

Existem ao menos cinco tipos de crises, que vão desde a imperceptível até a mais grave. "Dados mostram que 70% dos pacientes com epilepsia controlam com remédio. Outros 30% passam por tratamento que pode até chegar a cirurgia, pois é preciso encontrar o foco no cérebro onde se originam as crises", diz o neurocirurgião.

As causas da epilepsia, na maioria das vezes, são desconhecidas. Pode ser genética ou causada por alguma lesão no cérebro.

MITO

O socorro à pessoa com crise epiléptica também cria alguns mitos. É comum ouvir falar que, quando uma pessoa tem uma crise, a primeira coisa a fazer é segurar a sua língua. Isso é errado.

"Isso não deve ser feito. Corre o risco de perder dedo com a força da mordida. O que tem que ser feito é colocar a pessoa de lado para não engasgar e esperar um pouco até a crise passar", afirma o neurologista Fabio Porto.
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