27/01/2018 às 05h53min - Atualizada em 27/01/2018 às 05h53min

70% da população tem deficiência em digerir lactose

STELA MASSON | ESPECIAL PARA O DIÁRIO
A médica Vaniela Mattar explica novo teste para diagnóstico / Foto: Divulgação

A intolerância alimentar não é uma doença, é um distúrbio digestivo que pode estar associado a doenças intestinais, como diarreias, síndrome do intestino irritável, doença de Crohn, doença celíaca ou alergia à proteína do leite, por exemplo. No caso da intolerância à lactose, o problema é a incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados - como queijos, iogurtes, requeijões e cremes de leite. Segundo estudos apresentados em 2017, por médicos da Universidade John Hopkins, de Nova York, cerca de 70% da população adulta mundial sofre com os sintomas dessa intolerância.

Quanto mais idade a pessoa tem, maior a chance de ela começar a ter intolerância a esse composto, pois é preciso que o organismo tenha a enzima lactase para digerir esse açúcar e, nos adultos, ela pode diminuir e até mesmo parar de ser produzida pelo organismo. Os sintomas da intolerância à lactose variam de acordo com a maior ou menor quantidade de leite e derivados ingeridos e incluem cólicas abdominais, enjoos, sensação de barriga inchada e diarreia.

Esses sintomas impactam diretamente na qualidade de vida social e profissional, e pessoas com esse desconforto muitas vezes evitam eventos sociais para não passar constrangimentos. Além da avaliação clínica, o diagnóstico da intolerância à lactose pode contar com três exames específicos: o teste de intolerância à lactose, que colhe amostras de sangue para medir os níveis de glicose, o teste de hidrogênio na respiração e o teste de acidez nas fezes.

O teste de hidrogênio na respiração, que mede o nível de hidrogênio eliminado na expiração após o paciente ingerir doses altas de lactose, não precisa de coleta de sangue ou fezes e, por estas comodidades, além do grau de quase 100% de acerto, tem sido muito difundido atualmente.

A médica gastroenterologista Vaniela Zonta Mattar, membro titular da FBG (Federação Brasileira de Gastroenterologia), especialista em Gastroenterologia pela USP de Ribeirão Preto e profissional da rede municipal de saúde e do IGEP, conversou com a reportagem e esclarece algumas questões sobre o teste respiratório do hidrogênio expirado.

Diário de Uberlândia: Para que serve o teste respiratório do Hidrogênio (H2) Expirado?

Vaniela Zonta Mattar: Ele é usado avaliar a absorção intestinal de açúcares, como a lactose (presente no leite e seus derivados) e a frutose (presente em frutas, verduras e leguminosas). Além disso, pode-se avaliar o sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado, ou seja, o aumento do número de bactérias no intestino delgado.

Como é realizado o teste?

O teste é muito simples, não invasivo e indolor. O paciente deve fazer jejum de 8 horas e, se fumante, não fumar na hora que antecede o teste. Após uma higiene oral com enxaguante bucal, ele assoprará no aparelho para coleta do nível basal de hidrogênio expirado. Neste momento é avaliado se há condições para início do teste. Em seguida, o paciente ingere o substrato a ser estudado (lactose ou frutose). A partir desse momento, em tempos pré-definidos, o paciente assopra no aparelho para coletar os níveis de hidrôgenio expirado. O exame dura cerca de 180 minutos (3 horas), mas a única solicitação ao paciente é que ele não durma e assopre toda vez que for solicitado. Como ele ingere altas doses de lactose (ou frutose), nas 24 horas seguintes mantemos contato para avaliar se o paciente apresentou algum sintoma.

Quais as vantagens em relação ao exame sanguíneo?

É um exame não invasivo e simples de ser realizado. Considerado o “gold standard” para o diagnóstico de algumas intolerâncias alimentares, tem uma sensibilidade (que é a capacidade de detectar a doença) de 97%, enquanto o exame sanguíneo alcança apenas 78%.

Existe alguma restrição à realização do teste?

Pessoas que apresentem febre, gripe ou resfriado com presença de secreção, estiverem em preparo para o exame de colonoscopia, fizeram uso de antibióticos nas quatro semanas que antecedem o teste, ou ingeriram probióticos na semana que antecede o teste, ou fazem uso de laxantes, devem ter o seu exame adiado até ter as condições necessárias para a realização.

Qual a idade para realização do teste?

Ele pode ser realizado sem restrições em crianças, adultos e idosos. 
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