15/01/2018 às 17h15min - Atualizada em 15/01/2018 às 17h15min

Campanha mobiliza a população contra o Aedes

Ações desencadeadas ano passado resultaram em redução de 82% nos casos de dengue

DA REDAÇÃO
José Humberto Arruda apresentou balanço dos números de combate ao mosquito da dengue / Foto: Valter de Paula/Secom/PMU

A Secretaria Municipal de Saúde lançou hoje a campanha de mobilização de combate ao mosquito transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela, com a intenção de envolver toda a sociedade para reduzir o número de criadouros e os casos de doença. No ano passado, houve redução de 82% nos casos dengue e de 89% nos de zika vírus em Uberlândia em relação a 2016. Foram 1.681 casos de dengue confirmados em 2017 ante 9.419 no ano anterior. Em relação a zika, os casos reduziram de 76 para 8 nos últimos dois anos.

Entre as ações que continuam reforçadas pelos agentes de zoonoses nessa época de chuva está a coleta de pneus em borracharias, domicílios e terrenos baldios; a limpeza da estrutura superior de pontos de ônibus; a vistoria de imóveis fechados em parceria com imobiliárias; vedação de caixas d’água; e ações de bloqueio de casos suspeitos. Somente no ano passado foram mais de 41 mil bloqueios realizados em bairros que tiveram casos suspeitos das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Outra medida que tem contribuído para eliminar as larvas do mosquito é a aplicação do peixe lebiste em piscinas e tanques de imóveis cadastrados pelo Município.

Durante o lançamento da campanha “A hora de agir é agora”, no Centro Administrativo Municipal, as autoridades reforçaram a necessidade de envolver a população e despertar a mudança de comportamento. “A gente percebe que a mudança em termos de consciência do proprietário é muito lenta em relação ao que o município precisa. A velocidade de transmissão, velocidade de chegada de doença, de transporte que leva e traz os vírus é infinitamente maior do que essas mudanças de pensamentos que contribuiriam muito”, disse o coordenador do programa de controle da dengue, José Humberto Arruda.

Ele citou o caso das empresas de ferro-velho da cidade que se tornaram grandes criadouros e que passaram a ser monitoradas pelos agentes de zoonoses. Foram identificados 8.947 pontos estratégicos que são visitados quinzenalmente. “Não existe controle do mosquito se não houver a participação da sociedade. Às vezes, uma casa no quarteirão infesta todo o bairro”, frisou.
 
MANIFESTO 

Desde o início dos trabalhos do primeiro levantamento rápido do índice de infestação por Aedes aegypti (LIRAa), agentes de zoonoses têm manifestado a insatisfação de terem sido designados para fazer as visitas aos domicílios individualmente e não mais em dupla, como vinha sendo feito desde 2012. Naquele ano, o trabalho em dupla passou a ser adotado depois que uma agente de 47 anos foi morta a pauladas e teve o corpo enterrado nos fundos de uma residência que havia vistoriado. O morador alegou na época ter confundido a vítima com a esposa de um desafeto.

O secretário de Saúde, Gladstone Rodrigues, disse que o trabalho individual é temporário e apenas até o término do levantamento da situação. Ele citou que por causa da situação financeira do Município, o Centro de Controle de Zoonoses trabalha com número reduzido de recursos, de pessoal e de insumos necessários para efetuar o combate em toda a cidade. “As condições são em grande parte diferente de antes. Estamos com 120 servidores diretamente envolvidos, mas já chegamos a ter 400”, afirmou. “Se não tem força de trabalho para cobrir todo o município, com a força existente eu tenho que priorizar determinadas áreas”, completou.

O resultado do primeiro LIRAa do ano deve ser divulgado até a próxima semana.
 
Números do programa de controle da dengue em 2017
 
Dengue
1.681 casos confirmados em 2017
9.419 casos confirmados em 2016
 
Zika vírus
8 casos confirmados em 2017
76 casos confirmados em 2016
 
8.947 pontos estratégicos visitados
22.655 imóveis visitados no LIRAa
2.947 imóveis cadastrados em imobiliárias monitorados
797 imóveis visitados para controle biológico do lebiste
41.270 casos suspeitos bloqueados
637.991 imóveis visitados pelos agentes de saúde
1.425 pontos de ônibus vistoriados
252.591 pneus coletados em borracharias, domicílios e terrenos baldios
827 vistorias em imóveis abandonados
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