14/01/2018 às 05h25min - Atualizada em 14/01/2018 às 05h25min

É tempo de novos sons no Pelourinho

Concertos em igrejas, musical e cinema ao ar livre fazem parte de iniciativa para aumentar fluxo de turistas

JÚLIA ZAREMBA E IVAN RIBEIRO | FOLHAPRESS
Banda Didá, composta só por mulheres, se apresenta no largo do Pelourinho / Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Nem tudo são tambores no Pelourinho. Concertos de jazz na igreja de São Francisco, almoço com intervenções artísticas e um musical inspirado em livros de Jorge Amado são algumas das atrações que compõem o Pelourinho Dia e Noite, série de ações culturais gratuitas no centro histórico.

A programação teve início em outubro, coordenada pela Secult (Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador), que organiza as manifestações culturais que ocorrem em praças, ruas e igrejas do lugar em um calendário comum, além de incluir novidades no cardápio de atrativos soteropolitanos.

"Queremos mobilizar os baianos e estimular mais iniciativas e investidores para a região, que é um celeiro cultural", diz Eliana Pedroso, diretora de gestão do centro histórico da Secult.

"Já tivemos ações parecidas, mas sem continuidade", diz David Costa, dono do hostel Hospeda Salvador e diretor social da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia. "Agora, sentimos a iniciativa privada mais próxima do governo, acredito que o Pelourinho vai melhorar."

Segundo Pedroso, o calendário de atividades será ajustado de acordo com o fluxo de visitantes e condições climáticas após o mês de maio.

O circuito Jorge Amado, musical de rua realizado nas noites de sexta, é um dos destaques da programação.

Na performance, um grupo de atores, cantores e bailarinos percorre o largo do Pelourinho encenando trechos de obras do escritor como "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Gabriela Cravo e Canela".

O público, que inclui crianças, turistas estrangeiros e moradores de rua, acompanha o cortejo por cerca de duas horas, como em um bloco de carnaval. As canções que embalam as cenas, originais, são do cantor e compositor baiano Gerônimo Santana.

As apresentações com tambores envolvem quem frequenta o largo do Pelourinho. Quatro grupos de batuqueiros se revezam de quarta a domingo, sempre à tarde: Banda Didá, Kizumba, Tambores e Cores e Meninos da Rocinha do Pelô.

A programação se estende às igrejas da capital baiana, que servem de palco para orquestras e grupos musicais.

Um deles é o Sanbone Pagode Orquestra, que lotou os cerca de 150 lugares da Igreja e Convento de São Francisco, quando a reportagem esteve no local. No repertório, música popular brasileira e jazz.

A construção barroca, concluída no século 18 e ornada com 800 quilos de ouro, é considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. O título foi concedido em 2009 pelos ministérios da Educação e da Cultura de Portugal.

A professora Zoraide Azevedo, nascida em Salvador, tem aproveitado os fins de semana para ver as orquestras no Pelourinho –as igrejas da Misericórdia, do Boqueirão, de São Domingos e de Nossa Senhora do Carmo participam do circuito. "Estou satisfeita com o movimento que tem sido feito em relação à cultura", diz. "O Pelourinho começou a ressurgir das cinzas."

A partir deste mês, os concertos começaram a ser realizados do lado de fora das igrejas, ao ar livre. "É um contraponto às músicas de carnaval, mostrando a nossa diversidade musical", diz Pedroso.

Atrair os soteropolitanos para o centro histórico é um dos principais objetivos da prefeitura. "Ainda existe um preconceito com a área", observa a diretora da Secult.

No cardápio de atrações do Pelourinho Dia e Noite, há ainda concursos fotográficos para jovens, cinema ao ar livre, shows de samba e intervenções artísticas em restaurantes do centro histórico (programação em pelourinhodiaenoite.salvador.ba.gov.br). As ações vão até maio.
 
DESAFIOS

Segurança é ponto de atenção para poder público

Quem vai viajar para o Pelourinho muito provavelmente escutará um alerta de amigos ou familiares: "cuidado com assaltos".

Combater furtos e lidar com os dependentes químicos do lugar ainda são desafios a ser enfrentados pelo governo. "Está longe de ser um lugar perfeito, mas a ideia que se construiu da insegurança no lugar é maior do que a insegurança propriamente dita", diz Eliana Pedroso, diretora de gestão do centro histórico da Secult.

De acordo com ela, foi realizado um mapeamento com as fragilidades da região no início do ano passado – locais pouco iluminados ou com grande quantidade de roubos, por exemplo.

A partir disso, houve um remanejamento dos agentes de segurança que atuam no Pelourinho. As polícias Militar e Civil (por meio da Delegacia do Turista) e a Guarda Municipal são responsáveis pela vigilância da área.

O atendimento a dependentes químicos, por sua vez, é realizado por meio de instituições de assistência presentes na área.

Durante os três dias em que a reportagem passou no lugar, a sensação era de tranquilidade nas ruas, de dia e à noite. Não foram testemunhados roubos ou furtos.

"A segurança não é ruim, mas pode melhorar, principalmente em alguns trechos fora do miolo", afirma Costa, da Abih. "Falta um policiamento mais ostensivo."
A jornalista viajou a convite da Prefeitura de Salvador e da Salvador Destination, associação de empresas da região
 
TAMANHO FAMÍLIA

Porto seguro é destino para todas as idades

Porto Seguro já não é mais sinônimo apenas de turismo de formatura. Antes, a maioria dos frequentadores da cidade eram estudantes do ensino médio. Atualmente, famílias inteiras buscam o sol do sul da Bahia.

Os hotéis estão preparados para receber crianças. Alguns nem cobram a estadia dos pequenos, a depender da idade.

E as opções de passeios vão de atrações históricas, ligadas à chegada dos portugueses, a parques aquáticos.

Na parte alta de Porto Seguro, fica o marco de posse, uma peça de mármore instalada pela Coroa portuguesa para registrar a propriedade dos colonizadores.

A mesma região abriga a igreja Nossa Senhora da Pena, a padroeira da cidade, do século 18. A entrada é gratuita e há visitas guiadas.

Se a ideia é aplacar o calor, vale dar um pulo na vizinha Arraial d'Ajuda – basta pegar a balsa que faz a travessia do rio Buranhém.

A vila abriga o Arraial d'Ajuda Eco Parque, que conta com piscinas de ondas e toboáguas. Crianças com menos de um metro de altura não pagam entrada.
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