10/12/2017 às 05h21min - Atualizada em 10/12/2017 às 05h21min

Chegada do verão aumenta casos de pragas em casa

‘Aleluias’, baratas e escorpiões estão entre as infestações mais comuns

JÚLIA ZAREMBA | FOLHAPRESS

Chegou a época de inseticidas, chineladas na parede e armadilhas caseiras. Com as temperaturas mais altas, há um aumento no número de pragas urbanas, especialmente dos insetos. Mas cuidado: resolver o problema com as próprias mãos nem sempre é a melhor solução.

As pragas são todos os organismos que podem causar danos à saúde do homem e de animais domésticos ou prejuízos econômicos a uma família, diz Patrícia Thyssen, professora do departamento de biologia da Unicamp.

Os insetos não têm controle sobre suas temperaturas corporais, que variam de acordo com o ambiente. Climas quentes aceleram o metabolismo desses animais, que crescem e se reproduzem de forma mais rápida.

Pombos, ratos e outras pragas são frequentes durante todo o ano, como lembra o biólogo Sérgio Bocalini, vice-presidente da Aprag (associação de controladores de pragas urbanas).

As pragas são nocivas de diferentes formas. No quesito prejuízo financeiro, o maior vilão é o cupim, que pode destruir construções, móveis e até livros. Os tipos de madeira seca e subterrâneo são os mais comuns nas casas.

As revoadas de reprodução do inseto acontecem perto do verão. Quando vemos aleluias (conhecidos também como siriris) voando ao redor de lâmpadas, vemos na verdade os reprodutores dos cupins. Depois, eles perdem as asas e constroem colônias em objetos de madeira.

"É uma praga silenciosa", explica Bocalini. "Como não se expõe a ambientes abertos, senão morre, o processo de infestação não é percebido." O segredo é monitorar se há túneis nas paredes, grânulos (fezes do cupim) perto dos móveis e checar se a madeira está fina ou oca.

O advogado Gilberto Vessoni, só descobriu que a edícula atrás de sua casa, na Vila Madalena, em São Paulo, estava infestada de cupins quando foi reformar o imóvel, que pertence à família há mais de 40 anos. "Quando olhava de baixo, o forro de madeira parecia inteiro", conta. "Mas, quando o tiramos, vimos que estava fino como uma folha de papel." As estruturas de madeira que sustentavam as telhas também estavam finas e infestadas de cupim. O material foi substituído por lajes de concreto e novas estruturas de sustentação. Agora, ele “descupiniza” o lugar a cada dois anos.

 

RISCO À SAÚDE

Baratas, mosquitos, ratos e pombos, por sua vez, são perigosos pelo potencial de transmissão de diversas doenças ao homem.

Dos animais nocivos à saúde, o escorpião, cuja picada é venenosa, é um dos que têm sido cada vez mais encontrados nas cidades, observa o biólogo Sérgio Bocalini. Ele aponta a expansão de áreas urbanas e o aumento da temperatura global como fatores que favoreceram o crescimento.

 

LIMPEZA E DESINSETIZAÇÃO

Alguns cuidados ajudam a evitar pragas dentro de casa. Manter a higiene dos ambientes em dia, tampar lixeiras, aplicar telas nas janelas, vedar frestas de paredes e instalar ralos que abrem e fecham são alguns deles, lista o biólogo Randy Baldresca.

Mesmo assim, a desinsetização deve ser feita pelo menos uma vez ao ano, segundo ele. De preferência, antes do verão. É preciso escolher empresas com licença de funcionamento expedida pela Vigilância Sanitária.

Nos condomínios, o síndico é responsável pelo combate às pragas. A cada seis meses, ele deve solicitar a desinsetização de áreas comuns.

A recomendação é que, cerca de 15 dias antes de o serviço ser realizado, os moradores sejam informados sobre a intervenção, já que o procedimento envolve produtos tóxicos, lembra Rosely Schwartz, professora de administração de condomínios da Escola Paulista de Direito.

Os pombos são pragas comuns em áreas de lazer do prédio. Para evitá-los, a dica é não alimentá-los e recolher sobras de comida do chão. Nada de envenenamento: o animal não pode ser morto sem a autorização de órgãos ambientais. A solução é contratar uma empresa para remanejar os bichos, retirando fontes de alimento e abrigos.

Dentro de casa, o combate é de responsabilidade de cada morador. Caso o imóvel seja alugado, os gastos com desinsetização podem ser negociados com o proprietário. "É responsabilidade do locador, especialmente se for um vício anterior ao contrato. Se o problema surgiu durante o período de aluguel, o inquilino pode ser responsabilizado", diz Armando Rovai, professor de direito empresarial da Mackenzie.

 

OS INVASORES

Principais pragas domésticas

- NA COZINHA: a barata de esgoto, tipo mais comum em áreas urbanas, adora lixeira aberta e restos de comida. O inseto tem hábitos noturnos, então se for visto durante o dia é sinal de que pode ter uma infestação no lugar. Como circula em ambientes sujos, pode causar danos à saúde dos moradores, como intoxicação alimentar. Para matá-las, é preciso usar tipos diferentes de veneno a cada dedetização, porque a barata pode "aprender" que se trata de veneno e evitar o lugar.

- NA SALA: o cupim de madeira seca e o subterrâneo aparecem com mais frequência nas residências. O primeiro alimenta-se de madeira, e o segundo ataca também todos os materiais com celulose, como papelão, forros e livros. Os insetos não causam prejuízos à saúde, apenas danos econômicos, já que podem destruir construções. Como é uma praga silenciosa, é preciso inspecionar se há túneis nas paredes e grânulos próximos a móveis de madeira e bater na mobília para checar se está fina ou oca.

- NO QUARTO: os pernilongos (Culex) e o mosquito Aedes aegypti são os mais comuns. Apenas o segundo transmite doenças, como dengue e febre amarela. O primeiro tem hábitos noturnos, e o segundo, diurnos. Tampar ou limpar recipientes que acumulam água são os principais cuidados para evitar infestações.

- NO BANHEIRO: o escorpião tem sido cada vez mais encontrado em áreas urbanas e dentro de casa. A picada do artrópode é venenosa e dolorida. Para evitá-lo, a dica é fechar ou tampar ralos internos ao entardecer, colocar telas em ralos na área externa, vedar frestas em paredes e pisos e não acumular entulho.

- NO QUINTAL: os ratos aparecem o ano inteiro, mas em épocas chuvosas podem fugir dos bueiros e entrar nos quintais. É um animal de hábitos noturnos, então se for encontrado circulando durante o dia não é um bom sinal - pode haver uma infestação no local. Transmite doenças como leptospirose, dermatite e tifo. Deixar ambientes organizados e limpos, para que não haja esconderijos, e selar portões e janelas são recomendações para mantê-los longe de casa.

- EM TODO LUGAR: a formiga-carpinteira ou fantasminha (corpo marrom claro) e a de açúcar (2 mm) são as mais comuns nas residências. Elas podem carregar algumas bactérias e fungos. A carpinteira pode se alojar em aparelhos eletrônicos e danificá-los. Encontrar o ninho da praga e aplicar inseticida é a melhor forma de combatê-la.

(*) Fontes: Patrícia Thyssen, professora da Unicamp, Sérgio Bocalini, vice-presidente da Aprag (associação de controladores de pragas) e Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde).

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