02/12/2017 às 05h34min - Atualizada em 02/12/2017 às 05h34min

Parte dos ônibus apresenta manutenção deficitária

Bancos rasgados e goteiras são alguns dos problemas

ISABEL GONÇALVES | REPÓRTER
Tapume cobre porta de vidro quebrada em estação de ônibus / Foto: Adreana Oliveira

 

Diariamente, milhares de pessoas utilizam o transporte público em Uberlândia. Pagando R$ 3,80 por viagem, os usuários esperam que os ônibus apresentem um nível mínimo de qualidade. Entretanto, em alguns casos, os passageiros precisam lidar com inconvenientes como goteiras, bancos rasgados, problemas nos elevadores e insuficiência do ar-condicionado em veículos que não permitem a abertura das janelas. Esses problemas surgem por necessidade de manutenção da frota e também por vandalismo de parte dos usuários. A reportagem do Diário do Comércio constatou situações como essa em algumas linhas, como as que percorrem os bairros Nossa Senhora das Graças, Minas Gerais, Maravilha, Santa Mônica e Segismundo Pereira.

Roseli Alves de Oliveira mora no bairro Nossa Senhora das Graças, na zona norte, e reclama da falta de manutenção. “Desde setembro, quem senta na parte traseira do ônibus precisa fugir das goteiras. Em dia de chuva, eu evito sentar nos bancos próximos à porta do fundo porque cai água do teto e do sinal luminoso que indica a parada”, afirma a diarista.

Segundo Divonei Gonçalves dos Santos, assessor da Secretaria de Trânsito e Transportes (Settran) de Uberlândia, a manutenção dos 437 ônibus que operam na cidade é de responsabilidade das três empresas contratadas para o transporte coletivo: Autotrans, São Miguel e Sorriso de Minas. “Em média, a soma de gastos dessas empresas com a manutenção dos veículos, que envolve reparos usuais e consertos em favor do vandalismo, é de R$ 2,3 milhões mensais”, disse. Estão englobadas dentro desse valor questões como troca de pneus, conserto de bancos, reparo de vidros, entre outros procedimentos.

Ainda de acordo com o assessor, a Prefeitura realiza uma vistoria anual dos ônibus e aponta os reparos que precisam ser feitos. “Esse levantamento é direcionado para a empresa e ela recebe um selo de advertência. Com isso, espera-se que o ônibus volte a rodar depois da manutenção necessária”, afirma.

Caso as reclamações de usuários não sejam resolvidas pelas empresas, Santos orienta que os mesmos procurem os fiscais dentro dos terminais e informem os problemas. “Essas corporações precisam resolver as demandas dos usuários, já que eles são os principais consumidores e mantém as empresas funcionando. Quando não é resolvido, a Prefeitura faz notificações e aplica multas”, disse Santos.

Conforme informações de André Duarte, gerente da empresa São Miguel, os ônibus passam por manutenções a cada 8 mil quilômetros rodados. Além disso, caso existam problemas pontuais, como goteiras ou vidros quebrados, esse veículo é direcionado para a manutenção noturna independente da quilometragem. “Quando os usuários fazem as reclamações ou os motoristas abrem fichas reportando a situação que precisa de reparo, o veículo já é direcionado para o conserto”, afirma.

 

USUÁRIOS

Vandalismo piora condição do transporte na cidade

As situações de depredação no transporte público em Uberlândia envolvem principalmente vidros quebrados e danos aos elevadores para acessibilidade, mas as ocorrências diminuíram, segundo gerente da empresa São Miguel, André Duarte. “Felizmente, em novembro, só registramos 4 problemas com os elevadores”, disse. De acordo com o gerente, as pessoas costumam jogar pedras contra as janelas dos ônibus, além de pular no elevador de forma proposital e estragar os controles do aparelho.

Algumas linhas costumam ser mais visadas por vândalos, segundo Duarte. Os ônibus que percorrem bairros como Aclimação, Esperança, Morumbi e Dom Almir, costumam apresentar mais pichações e serem alvos de pedradas. Para tentar minimizar esses problemas, a empresa conta com as campanhas da Prefeitura e investe em trabalhos sociais. Apesar de não saber precisar o valor destinado para reparos em função de vandalismos, Duarte defende que esse dinheiro poderia ser utilizado em tecnologias já implantadas pelas empresas de ônibus e na melhoria do serviço ofertado em Uberlândia, mas como os casos ainda ocorrem, é preciso gastar nesse sentido.

O estudante Lucas Silvério utiliza o corredor de ônibus da avenida João Naves e costuma presenciar pessoas forçando as portas para entrar sem pagar. “Já vi muitos adolescentes fazendo isso, mas também mulheres e gente com uniforme de lojas. Não sinto medo, mas percebo que algumas pessoas ficam assustadas. Os cobradores acabam não falando nada pra evitar serem agredidos ou algo do tipo”, disse.

Sobre os casos de vandalismo, a Prefeitura contabiliza oito vidros quebrados nas estações do corredor de ônibus da avenida João Naves de Ávila apenas em 2017. Segundo o assessor da Settran Divonei Gonçalves dos Santos, quatro já foram substituídos e outros quatro ainda serão recolocados. “Eles têm um tamanho próprio e precisam ser encomendados. A parcela da população que estraga esses espaços é pequena, mas gera prejuízos”, afirma.


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