21/11/2017 às 18h37min - Atualizada em 21/11/2017 às 18h37min

Justiça arquiva caso de mulher que teve turbante arrancado

VINÍCIUS ROMARIO | REPÓRTER
Dandara Tonantzin ingressou com ação por injúria racial após problema em formatura / Foto: Reprodução/Facebook

 

A Justiça decidiu arquivar o caso da pedagoga Dandara Tonantzin Castro, de 22 anos, que, em abril deste ano, entrou com uma ação por injúria racial contra dois jovens. Na ocasião, Dandara estava em uma festa de formatura em Uberlândia quando foi abordada por um grupo de jovens que tiraram da cabeça dela o turbante que ela usava e a atingiram com copos cheios de cerveja.

Na análise do promotor Sylvio Fausto de Oliveira Neto, que recomendou à Justiça que o caso fosse arquivado, os dois jovens indiciados não cometeram injúria, impossibilitando uma ação penal. Diz a ação que “devemos censurar, com veemência, a atitude de ambos, porque ao simples fato de sorrir para a vítima – uma mulher – em razão de sua indumentária e participar de uma ‘guerra’ de cerveja caracterizou uma tremenda falta de respeito e educação com o semelhante, jamais os indiciados usaram das condutas com cunho exclusivamente racista, no mesmo sentido de sorrir para uma pessoa amiga, nesse caso o preconceito está inserido na alma da própria pessoa tida como vítima da expressão”.

A ação ainda diz que após o depoimento dos indiciados não foi possível comprovar a intenção de ofender a dignidade da vítima, a quem não conheciam. Diz também que os dois jovens agiram de maneira extremamente deselegante com uma dama durante uma festa de formatura.

Em relação ao arquivamento, Dandara disse que já acionou o advogado e que irá buscar novas medidas. “Esse arquivamento e fala do promotor também comprovam o quando ainda existe um machismo institucionalizado. Lutamos contra qualquer tipo de violência e, após eles tirarem meu turbante, dizer que eles agiram de forma deselegante com uma dama não dá para aceitar”, afirmou Dandara.


Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »