11/11/2017 às 05h21min - Atualizada em 11/11/2017 às 05h21min

Sessão solene marca centenário de Palácio

Ex-presidentes da Câmara Municipal receberam homenagem da atual legislatura

WALACE TORRES | EDITOR
Era legislativa no Palácio dos Leões teve 11 presidentes ; nove participaram da sessão / Foto: Cleiton Borges/Secom/PMU

 

O ano era 1979. Um ato assinado pelo presidente da Câmara na época, vereador Eudécio Casassanta Pereira, marcou a autonomia administrativa e financeira do Poder Legislativo municipal. Até então, Câmara e Prefeitura Municipal de Uberlândia funcionavam no mesmo espaço, o Palácio dos Leões, na praça Clarimundo Carneiro. Naquela época, a Câmara não tinha orçamento próprio, nem equipamentos e muito menos quadro de pessoal. A “independência” administrativa e financeira é considerada até hoje um marco histórico na trajetória do Legislativo local. “Fizemos um concurso para cinco funcionários e só três cargos de confiança”, lembra Casassanta.

Cenas como essa voltaram à memória dos vereadores que ao longo de décadas foram responsáveis por conduzir os trabalhos legislativos e que ontem (10), durante sessão solene na antiga sede do Paço Municipal, receberam uma homenagem da atual presidência. Ao todo, nove ex-presidentes participaram de sessão solene que marcou o centenário de construção do Palácio dos Leões, sede da Câmara até 1993. A sessão ordinária de ontem também foi transferida para as antigas instalações. A velha mesa de trabalho que hoje virou peça de museu voltou a ganhar destaque, com olhares voltados à ela enquanto recebia os chefes dos dois Poderes – presidente da Câmara, vereador Alexandre Nogueira, e o prefeito Odelmo Leão -, que se revezaram na entrega das homenagens.

Numa sessão marcada por nostalgia, lembranças e fortes emoções, não faltaram observações entre o presente e o passado. Quando a Câmara Municipal passou a funcionar no Palácio dos Leões, Uberlândia tinha 11 vereadores – hoje são 27. O número de partidos também era bem limitado. “No meu tempo nós tínhamos três correntes políticas: a do Renato [de Freitas], a do Virgílio [Galassi] e a do Zaire [Rezende]. E quando fui eleito presidente eu tive 17 votos a 0 em votação secreta com as três alas”, conta Eudécio Casassanta, presidente em 1979. Até a década de 1980 não havia remuneração para vereador. “A gente recebia só um jetom que correspondia a cinco litros de gasolina, que era a vinda de casa até a Câmara”, lembra Amir Cherulli, que teve o primeiro mandato em 1962 e foi presidente em 1977. Hoje, cada parlamentar recebe R$ 15 mil de salário e mais R$ 10 mil de verba indenizatória.

Nos tempos áureos do Palácio dos Leões também não havia assessores e nem gabinetes individuais. Atualmente, cada gabinete tem direito a 15 assessores parlamentares. Ângelo Cunha Neto, que exerceu três mandatos entre 1972 a 1988 e também presidiu a Câmara, diz que não dá para comparar qual tempo era mais difícil legislar. “Na época nossa era uma cidade menor que estava em desenvolvimento, hoje é uma cidade de 700 mil habitantes e 27 representantes na Casa, e cada um tomando conta de seus setores. Nos parâmetros, é a mesma coisa”, avalia. Quando exerceu seu último mandato, a Câmara tinha 17 vereadores.

 

MAIS EFICIÊNCIA

Apesar de legislar em tempos bem diferentes dos atuais, os ex-presidentes avaliam que algumas mudanças de comportamento podem dar mais eficiência ao trabalho na Câmara. “Acredito que a Câmara deveria dedicar mais parte do seu tempo na defesa dos interesses dos uberlandenses e não perder tanto tempo com homenagens”, diz Eudécio Casassanta. De janeiro até o início de outubro deste ano, os vereadores aprovaram mais de 470 requerimentos referentes a moções, a grande maioria manifestações de congratulações. No mesmo período também foram protocolados 66 projetos de decreto legislativo propondo concessão de títulos de cidadão honorário, diplomas de honra ao mérito e criação de comendas.

Para Amir Cherulli, que exerceu 11 mandatos de vereador, boa parte deles sem nenhum assessor, os atuais legisladores deveriam dedicar mais tempo para conferir as necessidades da população in loco nos bairros. “O que nós estamos observando é que está precisando de um pouco mais de agilidade, mais trabalho, mais garra, ajudar mais a população. A Câmara tá bem, só que a gente espera desses novos vereadores que façam mais daquilo que nós fizemos, pois estariam representando bem a nossa cidade”.

Luizote de Freitas, que presidiu o Legislativo entre 1989 e 1990, avalia que as discussões estão menos propositivas. “Acho que falta boa vontade. Toda vez que começa a formar comissão, isso é a mesma coisa que falar que não quer que funciona. Se começa a colocar muita gente para discutir o mesmo tema (...) não chega a lugar nenhum, e aquilo que tem que acontecer não acontece.”

 

Ex-presidentes homenageados:

Adalberto Duarte da Silva (1982, 1994 e 1996), Amir Cherulli (1977), Ângelo Cunha Neto (1975 e 1981), Antônio Jorge Neto (1985 e 1986), Dorivaldo Alves do Nascimento (1980), Dr. Aristides de Freitas (1992, 1993, 1999 e 2000), Dr. João Pedro Gustin (1966, 1968 e 1970), Dr. Luizote de Freitas (1989 e 1990), Eudécio Casassanta Pereira (1979), Leonídio Bouças (1991) e Silas Guimarães (1987 e 1988).


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