12/11/2017 às 05h15min - Atualizada em 12/11/2017 às 05h15min

Empresário de Araxá disputará o governo

Romeu Zema Neto, de 53 anos, é pré-candidato à sucessão do governo mineiro pelo Partido Novo

WALACE TORRES | EDITOR
Empresário esteve com associados na CDL Uberlândia nesta semana / Foto: Lorena Olivera/CDL Uberlândia

 

Nos últimos 26 anos, o empresário Romeu Zema Neto esteve à frente do Grupo Zema, um conglomerado que encerrou o ano de 2016 com 852 pontos de vendas distribuídos em sete estados – somente em Minas Gerais são 309 lojas de departamentos. O grupo que tem um faturamento anual superior a R$ 3 bilhões também tem forte atuação na área de distribuição de combustíveis, além de concessionárias.

Natural de Araxá, onde nasceu a empresa e fica a sede administrativa, Romeu Zema começou 2017 pensando no futuro, como ele mesmo diz. Se afastou da linha de frente e assumiu a presidência do Conselho Administrativo do grupo. Pela primeira vez, a linha sucessória do Grupo Zema, iniciada com seu avô Domingos Zema nos anos de 1920 e tendo sequência com o pai Ricardo Zema décadas mais tarde, saiu do âmbito familiar. Também é a primeira vez que um Zema se afasta dos negócios para se envolver diretamente na política.

Romeu Zema Neto é o mais novo pré-candidato ao Governo de Minas. O convite veio do partido Novo, criado em 2015 e que nas eleições municipais do ano passado elegeu vereadores em quatro das cinco capitais que disputou. A nova legenda aposta na bandeira da inovação.  O partido não aceita dinheiro público, seus candidatos podem tentar apenas uma reeleição, membros de diretórios não podem ser políticos com mandato e para se filiar é preciso passar por um processo seletivo. O de Romeu Zema foi há cerca de quatro meses.

Aprovado, ele agora pretende percorrer o Estado para divulgar suas ideias e se tornar mais conhecido.

Na última quinta-feira, durante reunião com associados na CDL Uberlândia, o pré-candidato outsider – pessoa fora da política tradicional – concedeu entrevista ao Diário do Comércio, que tem dado espaço a todos os pretendentes que já passaram pela cidade nessa condição.

 

Diário - Como surgiu a decisão de sair da área empresarial, onde o senhor tem uma carreira bem sucedida, para a área política?

Romeu Zema - Eu te diria que foi coincidência. Há um ano eu deixei o cargo de principal executivo da empresa para ficar só no Conselho de Administração, e o meu objetivo naquela ocasião era fazer mudanças na empresa – eu fiquei à frente dela por 26 anos e acho que é um tempo maior do que o recomendável. E queria ter mais tempo para me dedicar a olhar para o futuro da empresa e também para fora, coisa que enquanto estava dentro da empresa não tinha condições de fazer. Então estava desempenhando isso satisfeito com as mudanças e por volta de abril, maio deste ano, surgiu o convite do partido Novo para mim participar, e eu acabei me dispondo. Não era meu intuito ser candidato a nada, somente estar colaborando com a causa, mas devido ao principal candidato, por questão de saúde e de empresa dele não ter levado adiante a sua candidatura, acabou que eu fiquei na posição, digamos, de vir a ser o pré-candidato. E vejo que é o momento adequado, porque a população está ansiosa por mudanças, por nomes novos e todos nós sabemos que o Estado precisa um pouco de um choque de iniciativa privada. Não vou falar que ele vai virar porque são coisas distintas, mas precisa ter menos politicagem e um pouco mais de reconhecimento para quem é bom, quem procede de maneira ética e correta, e não da forma oposta. Então foi essa conjunção de fatores que me fizeram levar adiante esse projeto.

 

O que mais o senhor pode trazer como contribuição da esfera privada para a pública?

Uma coisa que nós sempre zelamos na empresa é a questão da transparência, da ética, isso é essencial, e acho que na política é ainda muito mais, porque na nossa empresa, se cometemos algum erro, eu e os outros acionistas estamos pagando por isso. Quando é na esfera pública, quem está pagando é o povo, o contribuinte, então uma seriedade, uma austeridade na área pública é essencial, e parece que o Brasil tem caminhado no sentido oposto infelizmente.

 

As experiências com João Dória em São Paulo e com o Calil em Belo Horizonte, que vieram da iniciativa privada e que estão trazendo ideias novas, contribuíram para a sua decisão de entrar para a política?

Com toda certeza, e eu quero abrir caminho também para que outros empresários venham a se arriscar nessa questão da política porque estamos precisando. Parece que no Brasil a política se transformou naquela curva de rio onde fica só entulho e lixo. Quem não tinha outras perspectivas na vida muitas vezes procurou o caminho da política, é o que parece que se pode concluir de vários fatos que aconteceram recentemente. Pessoas que não sabem fazer nada a não ser entrar na política em benefício próprio. Eu considero isso um profissional totalmente inadequado para qualquer área, tanto da iniciativa privada e mais ainda pública.

 

O senhor começa na política por um partido que traz o novo não só no nome mas também na concepção, como não aceitar dinheiro público, não ter mais que dois mandatos consecutivos. É possível implementar ideias novas e, se eleito, conseguir governar num sistema bastante vicioso e com tantos partidos políticos como o nosso?

Vai ser difícil, sabemos disso, mas eu vejo que é uma mudança gradual. O Novo elegeu um vereador em Belo Horizonte que está fazendo um mandato só com seis assessores, e ele poderia contratar 21. Isso causou um constrangimento aos demais vereadores. Então vejo que o Novo tem essa proposta de querer causar constrangimento, mostrar que dá para fazer muito mais gastando muito menos. Mas isso não vai acontecer por milagre não, vai ser um trabalho de anos, nós não vamos conseguir mudar esse ranço que está aí, essa coisa antiga, velha, que está enraizada, de um ano para o outro. Seria muita ingenuidade nossa. Mas com trabalho é possível.

 

Partido Novo, coligações novas também? O senhor pretende fazer uma articulação diferente do que geralmente é feito nas eleições?

Essa questão de coligações fica a cargo do diretório nacional. Mas o que posso afirmar é que no Novo as coisas são separadas. Como pré-candidato eu estou sendo um soldado indo pra guerra, e quem está lá no diretório são os generais que estão vendo a melhor estratégia. Então está bem separado, o que é uma coisa muito boa, porque na maioria dos partidos o presidente do partido é que é o candidato. É muito bom ter essa separação que acaba se evitando conflitos de interesse, eu vou fazer o que é bom para o partido e não o que é bom pra mim. A linha vai ser essa.

 

Como pretende se tornar conhecido em todo o Estado, uma vez que o partido não aceita dinheiro público? Pretende investir dinheiro de sua empresa, do próprio bolso ou contar com amigos?

Eu já comecei a fazer uso de redes sociais, nós temos uma empresa que atende o consumidor final e de certa maneira vou estar aparecendo mais. Já apareci, mas muito pouco até hoje pela empresa, então vou aparecer mais. Como nós estamos presentes praticamente em todo o interior de Minas, é uma questão de tempo para essa presença ir sendo sentida e ampliada. Mas nunca foi meu foco estar sendo visível como é o caso do nosso concorrente, que respeito muito, que é o Ricardo Eletro, que aparece na mídia da própria empresa dele. E eu muito pouco. Vou fazer alguma coisa semelhante ao que ele faz, e isso é até interessante porque o cliente gosta de ver a cara de quem está por trás do negócio.

 

Quais serão seus principais desafios diante dos pré-candidatos que já estão postos por aí?

Eu vejo que o forte do partido Novo é nos alicerçarmos em boas ideias que fazem todo o sentido, como o fim do foro privilegiado para parlamentar, que é um absurdo, o fim de recursos públicos para financiar campanhas políticas e outras coisas mais que a população está cansada. Somos um partido que não quer depender de nenhum milagreiro, nenhum herói e queremos estar muito focado nessas ideias que é o anseio de todo brasileiro, porque o que nós mais tivemos nos últimos anos foi indignação. Disso já estamos bem fartos.

 

Como estão os planos daqui pra frente na pré-candidatura?

Como pré-candidato eu nem posso fazer campanha. Estamos só divulgando as ideias do partido, os projetos, e conhecendo mais pessoas para na época em que a campanha realmente chegar eu já estar mais conhecido, com mais visibilidade perante o público.

 

E até lá, como vai ser essa preparação?

Até lá, vou visitar cidades, instituições como o CDL, associações comerciais, sindicatos, etc, para escutar as dificuldades que o pessoal enfrenta em todas as regiões do Estado.

 

Outros candidatos que quiserem caminhar ao seu lado a partir da oficialização da campanha, subir no palanque, qual será o procedimento?

Hoje, pelo que vejo, campanha nem é feita mais em palanque. É uma campanha de estar mais próximo, nas redes sociais esclarecendo e mostrando suas propostas, mas isso ainda vai ser estruturado. Se aqui em Uberlândia e no Triângulo tiver algum candidato a federal ou estadual, com certeza vou estar junto com eles percorrendo essas cidades da região.

 

Não fecha a porta para ninguém?

O partido é que escolhe, eu estou tranquilo. O partido tem um processo seletivo e se passou, estou de acordo.

 

Como foi para o senhor, aos 53 anos e presidente de um grande grupo empresarial, passar por um processo seletivo para ser selecionado a uma única vaga tão cobiçada?

Acho que é normal. Já passamos por outros processos seletivos. Temos uma financeira e o Banco Central teve que autorizar, fomos sabatinados e mostramos que somos pessoas íntegras e competentes. Então estamos acostumados com isso. E quer sabatina maior do que a do mercado? Do consumidor, que escolhe o que quer, na hora que quer e quando ele quer? Então é um processo natural e é isso que o Estado precisa, e não ficar nessa mordomia e nessa lentidão toda.

 

A vida inteira o senhor lidou com clientes e agora vai lidar com eleitores. Já está preparado para isso?

Diria que sim. Diria até que nem seria eleitores, vou estar lidando com o cidadão, pois consumidor e cidadão tem muita coisa em comum. Eu não quero só voto das pessoas, quero ideias, quero sugestões e principalmente quero oferecer algo em troca pela confiança, que é o que nós oferecemos aos consumidores também. Eles compram de nós e se o produto der defeito, nós queremos que a pessoa tenha total apoio na solução daquele problema.


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