09/11/2017 às 13h30min - Atualizada em 09/11/2017 às 16h08min

Megaoperação desmonta esquema de receptação de veículos e peças

Empresa uberlandense chefiava esquema criminoso especializado em sonegação, receptação, furtos e roubos

ISABEL GONÇALVES | REPÓRTER
Investigações envolveram equipes das polícias Federal, Civil, Militar, Rodoviária Federal, além da Receita Federal e Receita Estadual / Foto: Omar Freire/Imprensa MG/Divulgação

 

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) deflagrou em Uberlândia, nesta quinta-feira (9), a Operação “Transformers”, visando desarticular uma organização criminosa especializada na receptação de peças, roubo e furto de veículos, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Segundo o delegado-chefe da Polícia Federal (PF) Carlos Henrique Cotta D'Ângelo, uma empresa de recuperação de caminhões, localizada no Distrito Industrial, na zona norte, com mais de 20 anos de mercado, era a responsável por esse esquema criminoso milionário.

Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva contra os donos da empresa, sete de prisão temporária e dez de condução coercitiva. A equipe apreendeu 28 veículos e uma lancha, bloqueou 10 contas bancárias e sequestrou um imóvel. Durante a operação foi efetuada também uma prisão em flagrante do caseiro do imóvel, após a localização de uma arma de fogo sem registro.

Foram recolhidos ainda notebooks, celulares e arquivos de pessoas envolvidas na administração da empresa de recuperação de caminhões e de prestadores de serviço.

Segundo o delegado da Polícia Civil (PC) Daniel Azevedo, na área da empresa, que possui mais de 20 mil metros quadrados, os policiais encontraram veículos com identificações suprimidas – o que já caracteriza crime - e peças de caminhões fruto de crimes violentos como roubo e latrocínio, cometidos em diferentes partes do País.

“Neste ano, dois caminhões produtos de roubos foram encontrados pela Polícia Militar dentro da recuperadora em processo de desmanche e desmonte. Então, um inquérito foi iniciado e estávamos esperando a finalização dessa operação para fazer o indiciamento formal dos suspeitos”, disse Azevedo.

Além da empresa, outros locais que davam apoio ao esquema criminoso, como escritórios de contabilidade, também receberam o trabalho de policiais, segundo o major da Polícia Militar Geilson Nunes.

Conforme D'Ângelo, um grupo de empresários de Uberlândia procurou a Polícia Federal em Brasília há seis meses, na Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, dando conta de que havia um esquema montado em Uberlândia, funcionando há anos, para receptação de peças e caminhões roubados Brasil a fora. Após as investigações, realizadas em conjunto pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Receita Federal e Estadual, foram constatadas as práticas criminosas cometidas pelo grupo.

Além da receptação e desmanche de veículos roubados, realizadas com extrema agilidade, o grupo também lucrava através de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. “A empresa fazia uma grande movimentação financeira sem apresentar lastro contábil e tributário para justificá-la. Nós tivemos o acompanhamento da Receita e vimos que os tributos pagos pela empresa eram praticamente insignificantes, apesar do lucro mensal de mais de R$ 1 milhão. Cerca de 90% das notas fiscais de entrada de peças eram fornecidas por empresas fantasmas de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e outras localidades”, disse D'Ângelo.

O dono da empresa, tido como chefe da organização, e os demais responsáveis pela organização criminosa não possuem bens em seus nomes, mas desfrutam de carros importados e moram em imóveis de luxo. Eles responderão, em princípio, por organização criminosa, receptação qualificada, adulteração de veículos, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. “Temos certeza de que essa operação demanda desdobramentos, porque os crimes verificados são mantidos com outros crimes”, afirma D'Ângelo.

Segundo Flávio Andrada, coordenador regional do Núcleo de Acompanhamento Criminal da Receita Estadual, as investigações concluíram que a empresa realizava a compra e venda de notas fiscais eletrônicas ideologicamente falsas, utilizadas para acobertar mercadorias sem origem declarada. “Todo o material será encaminhado para a Receita Estadual, que fará uma auditoria para identificar os produtos que têm origem comprovada e se os impostos foram recolhidos devidamente”, afirma.

Para Danilo Salas, coordenador de Integração de Inteligência da Secretaria de estado de Segurança Pública (Seds), além das prisões e buscas, a integração policial trabalha para localizar o dinheiro produzido pela lavagem e coibir os crimes violentos cometidos no Brasil para nutrir esse esquema de receptação e desmanche.

De acordo com a Inspetora da Polícia Rodoviária Federal Jane Santos, que participou nas ações desta quinta-feira, apesar das investigações serem focadas na receptação, a operação deve ajudar na solução de roubos de veículos de carga nas rodovias que cortam a região. “Com essas ações e com o trabalho posterior, usando os dados já coletados, esperamos diminuir o número de veículos roubados no Triângulo Mineiro”, disse.


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