24/10/2017 às 05h32min - Atualizada em 24/10/2017 às 05h32min

Reunião abre perspectiva de operação do Samu na região

Prefeitos discutiram meios de ampliar a quantidade de leitos

WALACE TORRES | EDITOR
Reunião teve participação do prefeito de Uberlândia, do reitor, direção do HC e prefeitos do Cistri / Foto: Valter de Paula/Secom/PMU

 

Uma reunião realizada ontem pela manhã e que teve pela primeira vez em dez meses de governo a participação do prefeito de Uberlândia e do reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) juntamente com os demais prefeitos que integram o Consórcio Intermunicipal de Saúde da região do Triângulo Norte (Cistri), abriu a perspectiva de Uberlândia vir a aderir ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que ainda está em fase de implantação. Dos 27 municípios que integram o Cistri, apenas Uberlândia ainda não se comprometeu a participar efetivamente do serviço, que tem previsão de entrar em funcionamento até o fim do ano.

A atual administração municipal defende que a prioridade no momento é a ampliação de leitos para atender Uberlândia e região, além de cobrar do Governo do Estado a regularidade nos repasses para a área de saúde. “Ninguém é contra o Samu, agora, temos que ter estrutura de leitos para receber os pacientes. E nós não temos, precisamos buscar alternativas”, disse Odelmo Leão.

A reunião começou no gabinete do reitor, na UFU, sem a presença do prefeito de Uberlândia que, ao ser consultado por telefone, chamou a comitiva para continuar a conversa na prefeitura.

Uma das medidas que quebrou a resistência e encontrou consenso entre os gestores municipais é atuar em conjunto para pressionar os governos estadual e federal a ampliarem a estrutura de atendimento de alta complexidade, ao mesmo tempo em que se concentre esforços também no funcionamento pleno do Samu. “Temos conhecimento de que em outras regiões o Samu foi implantado paralelamente à organização da rede hospitalar. E nós queremos crer que a nossa região do Triângulo Norte também seja viável. Vamos defender essa tese junto aos governos estadual e federal”, disse o secretário executivo do Cistri, Rodrigo Alvim.

O entendimento é que as duas ações possam caminhar paralelas, com equipes técnicas dos municípios tratando da preparação da região para receber o Samu e os gestores e deputados da região fazendo a articulação política para tentar viabilizar recursos para a abertura de novos leitos.

Dentro dessa perspectiva, duas ações foram aprovadas e uma proposta colocada em análise. Houve consenso entre os prefeitos sobre a criação de uma comissão técnica formada pelos secretários de saúde dos cinco municípios que são referência para o Samu (Araguari, Patrocínio, Monte Carmelo, Ituiutaba e Uberlândia) mais representantes da Universidade Federal de Uberlândia e do Cistri. “A nossa grande preocupação é que a capacidade de atendimento do Hospital de Clínicas já está no limite e nós precisamos viabilizar de que maneira podemos interagir com os demais hospitais da região para que o atendimento seja adequado para os pacientes”, disse o reitor Valder Steffen Júnior. Hoje, o Hospital de Clínicas da UFU é a única referência do Triângulo Norte para a alta complexidade. “Somos o único hospital público 100% SUS de porta aberta, e estamos na capacidade limite de atendimento. Seria uma leviandade da nossa parte entrar num processo sem que a gente tenha algum apoio regional para garantir um atendimento de qualidade”, completou. A comissão técnica irá avaliar a estrutura atual de cada município, bem como definir o novo sistema de regulação de pacientes com a entrada em vigor do Samu. Atualmente existem três formas de regulação, uma feita pelo Município, outra pelo Estado e uma terceira do Hospital de Clínicas da UFU.

Outra ação aprovada na reunião será uma audiência entre os prefeitos e o governador Fernando Pimentel já em novembro para tratar de repasses e ampliação de estrutura hospitalar. “Eu estarei falando com o governador ainda esta semana sobre o resultado dessa reunião, e não tenho dúvidas de que vamos dar o encaminhamento o mais rápido possível para implantarmos o Samu na nossa região”, disse o deputado estadual Leonídio Bouças (PMDB), que representou o Estado no encontro.

Já a proposta que agradou os gestores foi a possiblidade de utilizar o hospital Santa Catarina, que está fechado há mais de um ano, para atender as demandas do Samu. O complexo hospitalar tem 130 leitos e capacidade para realizar pelo menos 20 cirurgias cardíacas. Procurado pela reportagem, o diretor-presidente do Santa Catarina, Placidino Stábile de Oliveira, informou que soube do assunto através da imprensa, mas avaliou a possibilidade com cautela. “Não é impossível, mas difícil de acontecer, pois o hospital é privado”, disse.

 

ATENDIMENTO

Samu deve funcionar com ou sem Uberlândia

A impressão deixada pelos prefeitos que participaram do encontro de ontem com representantes da UFU e do Cistri é que o Samu poderá entrar em funcionamento independente da decisão da Prefeitura de Uberlândia. Segundo o presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba (Amvap) e prefeito de Ipiaçu, Leandro Luiz de Oliveira, a soma da população das demais cidades do Triângulo Norte, em torno de 600 mil habitantes, dá condições legais para que o Samu seja implantado na região. “O Samu funciona sem Uberlândia, mas precisamos do Hospital de Clínicas por causa da urgência e emergência”, disse, reforçando que acredita na adesão da Prefeitura de Uberlândia. “A reunião de hoje [ontem] foi um ganho muito importante para a implantação do Samu.”

Ainda de acordo com presidente da Amvap, o Estado já repassou mais de R$ 12 milhões para a implantação do Samu, incluindo as 31 ambulâncias, restando ainda uma parcela de R$ 700 mil a ser repassada ao consórcio. Já os municípios fizeram o aporte de R$ 3 milhões. Cada prefeitura contribui mensalmente com R$ 0,20 per capta. Uberlândia deve ao consórcio intermunicipal de saúde R$ 850 mil referentes ao ano passado. Já este ano ainda não efetuou nenhum repasse (R$ 1,5 milhão por ano).

“Temos que respeitar aquele [município] que não puder participar do Samu. Eu prefiro correr o risco a ficar sentado no gabinete e não fazer coisa nenhuma”, disse o prefeito de Ituiutaba, Fued Dib, falando da possibilidade de conciliar a implantação do Samu com a articulação para ampliar o número de leitos na região. “Vamos levar o problema do hospital Santa Catarina para as reuniões da Amvap e cobrar do Estado e da União a reabertura”, completou.

“Não dá para esperar dois, três anos para colocar o Samu para funcionar. O que falta é organizar a estrutura de cada município e cobrar uma posição do Estado”, disse o prefeito de Santa Vitória, Salim Curi.

O prefeito de Araguari, Marcos Coelho, disse que o município conta hoje com 200 leitos, sendo 43 credenciados pelo SUS, podendo ampliar esse montante. Ele avalia que o Samu também deve entrar em funcionamento o quanto antes, e com a participação de todos os municípios. “Já temos o atendimento de traumo no Hospital Santo Antônio, a Santa Casa também irá atender a partir de convênio com o Município. Mas o mais importante para nós é a estrutura existente hoje em Uberlândia, no Hospital de Clínicas”, disse.

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