13/10/2017 às 16h25min - Atualizada em 13/10/2017 às 16h25min

Pato em risco de extinção é encontrado em Minas

DA REDAÇÃO
Pato-mergulhão é uma das 10 espécies de aves aquáticas mais ameaçadas / Foto: Savio Freire/Icmbio

 

O pato-mergulhão, uma das aves aquáticas mais raras do mundo e que está ameaçada de extinção, foi encontrado em Serra do Salitre, em Minas Gerais. O monitoramento, realizado pela ONG Cervivo, aponta que um casal da espécie foi localizado em um córrego da cidade.

Ao todo, foram 30 córregos monitorados pela ONG desde 2016 durante os períodos reprodutivos da ave (maio, junho, julho e agosto) em um trabalho de preservação da espécie. De acordo com a bióloga Fabiane Sebaio Almeida, coordenadora técnica da ONG Cervivo, o registro dos dois indivíduos representa uma esperança na manutenção das populações em vida livre.

"Qualquer espécie precisa manter sua diversidade genética para ter sucesso reprodutivo, resistir a doenças e se adaptar a mudanças climáticas. Os registros de novos animais na natureza contribuem para a determinação da tendência populacional da espécie. Um número baixo de animais pode levar a perdas genéticas e acelerar ainda mais o processo de extinção da espécie", afirma.

Na região do Alto Paranaíba, o pato-mergulhão, incluindo os exemplares encontrados em Serra do Salitre, não está protegido por uma Unidade de Conservação. Outros locais com ocorrência da espécie são os Parques Nacionais da Serra da Canastra (MG) e da Chapada dos Veadeiros (GO), e o Parque Estadual do Jalapão (TO).

O trabalho desenvolvido pela ONG Cervivo, em parceria com a empresa Galvani, inclui ainda ações de conscientização com a comunidade local como etapa fundamental no processo de manutenção da espécie.

"O apoio da iniciativa privada é fundamental. Por ser uma espécie rara e extremamente arisca, o trabalho de monitoramento do pato-mergulhão exige uma metodologia específica e uma logística diferenciada em termos de equipamentos e equipe", explica Fabiane. Como parte da estratégia de conscientização, Cervivo e Galvani têm realizado ações de divulgação nas escolas de Serra do Salitre, como contação de história, educação ambiental e exposições fotográficas.

 

O PATO-MERGULHÃO

Ameaçado de extinção, o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) não é localizado há décadas na Argentina e Paraguai, dois de seus habitats naturais. No Brasil, a espécie ocorria originalmente na Mata Atlântica e no Cerrado e atualmente seus registros estão restritos aos estados de Minas Gerais, Goiás e Tocantins. É considerada uma das 10 aves aquáticas mais raras e ameaçadas do mundo, segundo a União Internacional para Conservação da Natureza. Dados da Waterbird Estimate Population revelam que existem de 175 a 250 exemplares da espécie em todo o mundo.

De feição esguia e com um longo penacho na cabeça, o pato-mergulhão é uma ave de aproximadamente 50 cm, sedentária e arisco à presença humana. Seu habitat ideal são rios límpidos, fartos em peixes pequenos e insetos, além de margens protegidas por vegetação. Seus locais de reprodução podem ser rochas, ocos de árvores ou barrancos.

Nas últimas semanas, o Zooparque de Itatiba (SP) anunciou a primeira reprodução da espécie em cativeiro no mundo. A proposta é de que os animais possam ser reintroduzidos na natureza. A reprodução da espécie foi realizada através de uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio), Instituto Terra Brasilis, Naturantins, Cervivo, Museu de Zoologia da USP e a Reserva Conservacionista Piracema.


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