13/10/2017 às 05h15min - Atualizada em 13/10/2017 às 05h15min

Ao menos 10 vereadores já articulam pré-candidatura

Políticos negociam com partidos para concorrer à Câmara ou ALMG

WALACE TORRES | EDITOR
Mais de um terço dos vereadores já negociam com partidos por pré-candidatura / Foto: Adreana Oliveira

 

A um ano das próximas eleições, já tem muito parlamentar com mandato no Município de olho numa vaga em alguma esfera mais alta do Legislativo. Mais de um terço dos 27 vereadores na Câmara Municipal de Uberlândia têm alguma pretensão de disputar um cargo de deputado estadual ou federal. Alguns ainda não assumiram a pré-candidatura, enquanto outros já estão trabalhando há mais tempo para fortalecer o nome e ampliar as bases.

Dos dez potenciais candidatos identificados pelo Diário do Comércio, três estão no primeiro mandato de vereador. São eles: Roger Dantas (PEN), Thiago Fernandes (PRP) e Wender Marques (PSB). Outros três estão na segunda legislatura: Michele Bretas (PSL), Silésio Miranda (PT) e Vico (PTC). Os quatro restantes já têm mais de dois mandatos seguidos na Câmara: Adriano Zago (PMDB), Alexandre Nogueira (PSD), Doca Mastroiano (PR) e Marcio Nobre (PDT).

Até a eleição de outubro do ano que vem, muita coisa ainda vai acontecer. No entanto, os próprios vereadores reconhecem que a Câmara Municipal ainda é uma das principais vitrines para quem pretende subir um degrau no Poder Legislativo. Dos sete atuais deputados de Uberlândia, por exemplo, apenas dois - os estaduais Arnaldo Silva (PR) e Luiz Humberto Carneiro (PSDB) - não passaram pelo Legislativo Municipal. “Evidente que a exposição do mandato de vereador nos permite mostrar nossa atuação para mais pessoas”, diz Adriano Zago, que tem planos de sair candidato a deputado federal.

Ter espaço diário na tribuna – e na mídia – ajuda a aumentar a visibilidade, mas também não é garantia de vitória. Na eleição de 2014, seis vereadores disputaram o cargo de deputado, mas somente um foi eleito – Felipe Attiê (pelo PP), para deputado estadual.

 

APOIO

Para os pretendentes com mandato, pelo menos um fator em comum é considerado decisivo na viabilização da candidatura: apoio do partido. “Eu tenho vontade de sair candidato, mas precisamos avaliar o cenário e discutir com o partido”, diz o vereador Vico, que estaria inclinado a sair candidato a deputado estadual. Doca Mastroiano também conta que esse requisito é essencial para entrar definitivamente no páreo. “Minha conversa tem sido com o partido em nível federal. Sem apoio financeiro do partido, não tem como levar adiante uma candidatura”, diz Doca, que tem planos de disputar o cargo de deputado federal, numa dobradinha com o deputado estadual de seu partido Arnaldo Silva.

As candidaturas de vereadores também deverão gerar até o início do próximo ano mudanças nas bancadas na Câmara. O prazo de filiação para quem vai disputar um cargo é de seis meses antes do pleito. Alguns parlamentares já estão ensaiando a troca de partido, seja por uma questão estratégica ou por dificuldades internas. Marcio Nobre conta que perdeu a sintonia com a atual direção do PDT e, se realmente entrar na disputa em 2018, poderá ser por outra legenda. “Tenho enfrentado dificuldades dentro do PDT em função do meu perfil de atuação, que é mais voltado para assuntos da família e o social. O PDT está mais preocupado com questões sexistas, por exemplo, do que trabalhistas”, diz Nobre, frisando que seu desejo no momento é cuidar do mandato de vereador.

Alguns vereadores têm evitado antecipar o discurso de pré-candidato, apesar de os nomes serem cogitados nos bastidores e até mesmo no próprio partido. “Não existe intenção de minha parte [de sair candidata], mas do meu partido. Meu trabalho está no mandato”, diz Michele Bretas, que é frequentemente citada nas listas de potenciais candidatos.

Silésio Miranda é outro que prefere desconversar quando o assunto é candidatura. “Meu foco é o mandato de vereador”, diz Silésio, acrescentando que “não descarto e nem confirmo” a possibilidade de sair candidato a deputado estadual no próximo ano. Já Thiago Fernandes diz que a decisão depende mais de seu reduto eleitoral. “Estou avaliando a possibilidade de representar a minha igreja no estadual”, diz.

Além das articulações internas, há também a preocupação com a pulverização de votos, em especial com candidatos com base eleitoral em outras praças. Em 2014, 692 candidatos a deputado estadual de todo o Estado receberam votos em Uberlândia. Já na eleição para deputado federal a cidade deu votos para 491 candidatos.

 

“NOVO”

Alguns pré-candidatos têm bandeiras definidas

Enquanto alguns vereadores evitam comentar sobre uma possível candidatura, outros integrantes da Câmara Municipal já têm definidas as estratégias de atuação. O presidente da Câmara, vereador Alexandre Nogueira, por exemplo, irá defender a bandeira do pacto federativo, que, segundo avalia, não tem recebido o devido respaldo na Câmara dos Deputados.

“Na Câmara, eu quero defender os direitos dos municípios. Quando os governos federal e estadual deixam de repassar recursos para os municípios, como vem acontecendo em Uberlândia, é o prefeito que fica em dificuldade para atender a população”, diz Alexandre, citando que sua candidatura ainda depende do aval do grupo político. “Só vou [sair candidato] com o apoio do grupo e do prefeito Odelmo. Tem que ter uma base forte aqui e também em outras cidades”, afirma. O vereador também tem mantido proximidade com federações e cooperativas de vanzeiros de outras regiões, setor do qual é proveniente e que lhe garantiu a eleição para vereador.

Vereador de primeiro mandato, Wender Marques não esconde que sua pretensão é sair candidato a deputado federal em 2018. “Acredito que a minha votação me dá envergadura política pra isso. Desde que a gente terminou o projeto de vereador, a gente tem trabalhado bastante, fazendo contato fora. Acredito que estou entre os mais atuantes da Câmara. Não perdi uma base após a eleição. Fui um dos vereadores que mais apresentou projeto nesta Casa”, diz Wender, que ainda briga para conseguir aprovar alguma matéria relevante antes de iniciar o processo eleitoral. “A cidade do porte de Uberlândia, sem desmerecer nenhum representante, merecia uma qualidade melhor no Congresso Nacional. Essa é a vontade de trabalhar pela nossa cidade.”

Roger Dantas também está no começo da carreira política, mas disse estar disposto a tentar uma vaga na Câmara dos Deputados baseado em percepções do cenário nacional. “Houve uma mudança no perfil dos candidatos que os eleitores querem. São Paulo e Belo Horizonte são exemplos disso”, cita Roger, se referindo às eleições de 2016 em que candidatos a prefeitos com perfil empresarial foram bem sucedidos nessas capitais. “O partido tem feito uma avaliação e acredita que esse momento do novo é muito bom, e meu nome está nessa avaliação”, diz.

O vereador Adriano Zago também acredita que o momento é propício para novos nomes, que não estejam ligados a grupos tradicionais da política. “Meu perfil é mais independente, que prima pela coerência, ética e zelo aos recursos públicos. O meu grande desafio será fazer isso chegar nas pessoas”, disse.


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