06/10/2017 às 05h54min - Atualizada em 06/10/2017 às 05h54min

Músicas para reflexão e diversão

Quarta edição do festival traz a Uberlândia atrações inéditas entre hoje e domingo em diferentes palcos

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Com “magnetite” recém-lançado, a banda Scalene (DF) é uma das atrações mais aguardadas do Festival Timbre / Foto: Breno Galtier/Divulgação

 

Uberlândia sedia desde quarta-feira a 4ª edição do Festival Timbre, que segue até domingo. Um dos principais acertos do festival está em trazer atrações inéditas aos palcos de Uberlândia e entre eles artistas contemporâneos que dialogam com a cena seja ela underground, pop, rock ou MPB.

Uma das atrações mais aguardadas, que se apresenta amanhã, é a banda Scalene, de Brasília (DF) que acaba de vir de um show arrasador no Rock in Rio e se apresenta pela primeira vez na cidade. “O prazer é nosso! Estamos felizes com a oportunidade de poder tocar na cidade e conhecer a galera daí. O show vai ser bem intenso e a setlist que vamos apresentar tem muita energia. Mal podemos esperar”, disse o baixista Lucas Furtado.

No Rock in Rio eles tiveram seu maior público, praticamente 100 mil pessoas, mais milhões que acompanharam pela internet ou TV. Nesse caso, Lucas disse que a preparação é um pouco diferente do que um show regular da turnê. “Fazemos mais ensaios, alinhamos mais detalhes com nossa equipe técnica e preparamos com muito cuidado a luz e o telão para o show.”

Um dos principais sucessos da Scalene é “Danse Macabre”, inspirada no seriado “Dexter”e mesmo com a correria das turnês eles sempre arrumam tempo para livros, seriados e jogos. “Agora estamos passando por uma fase de jogos e e-sport. Tudo isso contribui para canalizarmos inspirações e ideias para os próximos trabalhos”, conta Lucas.

Sobre a cena em Brasília o baixista afirma que é muito diversa. Até dentro de um gênero musical específico as bandas são muito diferentes entre si e têm influências bem misturadas. O Scalene lançou “magnetite” recentemente e a resposta a ele está ótima. “As pessoas entenderam a mensagem e embarcaram na sonoridade do disco, que está um pouco diferente do que já tínhamos feito anteriormente. ainda estamos no início do lançamento desse CD, então não temos ideia de quanto tempo vamos tê-lo como carro-chefe da turnê, mas pretendemos viajar muito e tocar pelo Brasil inteiro com esse trabalho”.

O rapper Rael já esteve em Uberlândia, tocando com DJ, desta vez ele está ansioso porque tocará pela primeira vez com sua banda e traz ao palco dois grandes nomes: Tulipa Ruiz e Emicida em um show inédito no Brasil. “Fizemos esse formato em um bar em Nova York, algo bem menor, em 2013, dessa vez vai ser diferente”, afirma.

Rael, que trabalhou muitos anos em grupos, afirma estar feliz com a independência da carreira solo, por mais que traga também mais responsabilidades. Porém, ele afirma que a colaboração entre os rappers é o que torna o estilo mais forte. “A gente sempre se junta e rola uma conexão incrível”, disse ele que tem a internet como uma aliada. “Hoje a gente faz uma música e pode lançar de uma vez para o mundo inteiro, algo impensável há alguns anos.”

Para Rael o rap ainda carece de espaço nas rádios, programas de TV e ainda não consegue chegar, como artistas mais populares, a regiões como a região norte do Brasil, que torna os shows inviáveis financeiramente. “Por isso continuamos na luta para alcançar mais gente em mais cidades. Afinal, a música fica visível quando você percebe o público interagindo com ela, é algo maravilhoso”.

Outro show inédito que chega no Timbre é Silva canta Marisa Monte. Silva já se apresentou por aqui em outras oportunidades e gosta do calor humano e da animação do público. “É uma cidade que exporta muitos artistas interessantes da nova música brasileira e fico feliz de voltar com minha nova turnê”, disse ele que cresceu em uma família de músicos, teve formação erudita e sempre foi aberto a diferentes gêneros musicais. “Por isso acabo misturando muita coisa no meu som, mas sou apaixonado mesmo é por música brasileira”.

O artista escolheu o repertório de Marisa Monte por afinidade e identificação. “Estou colhendo bons frutos desse projeto, inclusive duas indicações ao Grammy Latino que me deixaram super feliz. Percebo que hoje um público mais diversificado tem ido aos meus shows e eu adoro isso. Vai de adolescentes a idosos e é lindo ver gerações diferentes cantando e se emocionando juntas”, disse ele que lançou o primeiro disco em 2012 e não parou de trabalhar. “Vim emendando um projeto no outro, então dessa vez quero fazer meu próximo álbum com muita calma. Quando essa turnê acabar vou tirar umas pequenas férias para depois voltar a compor. Esse é o plano”.

Uma das bandeiras do 4º Timbre é o empoderamento feminino e uma das representantes das mulheres neste ano é a britânica Jesuton. Filha de mãe jamaicana e pai nigeriado é apaixonada pela América Latina. Chegou ao Brasil em 2012 e costumava cantar pelas ruas do Rio de Janeiro. Seu talento chamou a atenção da mídia nacional e ela foi pauta de programas de TV, tem músicas em trilhas de novelas e lançou seu primeiro disco neste ano, “Home”.

“Quando cheguei ao Brasil estava curiosa sobre o país e tinha a intenção de tentar uma carreira na música. Já havia experimentado outros caminhos antes, mas a chamada da música sempre foi mais alta”, afirmou.

Em “Home” ela traz canções escritas em momentos distintos. “Fiquei escrevendo ao longo dos anos. Só mais pro final, nos últimos um ou dois anos quando estava já trabalhando com Bernardo Martins, que senti que as músicas estavam tomando forma de disco. “

Sobre os dois meses em que fez performances nas ruas ela afirma que o melhor foi ver de uma forma direta, o relacionamento emocional que os passantes tinham com seu som. “Me senti realizada em ver que podia fazer essas conexões íntimas com pessoas que foram além das barreiras normais de cultura e idioma”, disse. O pior, para ela, foi a insegurança. “Passei muito tempo achando que algum policial ia chegar e me prender... ou simplesmente que estava incomodando. A pessoa sai da Inglaterra, mas o jeito inglês....”, brinca ela que afiram que os uberlandenses podem esperar uma trilha sonora para uma viagem noturna em seu show. “É para fugirem das complicações da vida para um lugar melhor”.

 

SERVIÇO

O QUE: 4º Festival Timbre

QUANDO: 6 e 7 de outubro

ONDE: Teatro Municipal (Av. Rondon Pacheco, 7.070, Tibery)

CLASSIFICAÇÃO: 6/10: 0 a 13 anos acompanhados por pais ou responsáveis legais e a partir de 14 anos desacompanhados. 7/10: 0 a 11 anos acompanhados por pais ou responsáveis legais, 12 a 15 anos acompanhados com tios, avós ou irmão e a partir de 16 desacompanhados. Até 10 anos não paga ingresso.

INGRESSOS: a partir de R$ 45 à venda na Fox Club: Center Shopping, Uberlândia Shopping, Terminal Central, Lol Café (Bloco 3Q | UFU Santa Mônica) ou pelo site www.sympla.com.br/festivaltimbre

ARTE NA PRAÇA: no domingo (8) o evento acontece junto com o projeto Arte na Praça, na Praça Sérgio Pacheco, com entrada franca

INFORMAÇÕES: www.festivaltimbre.com.br

 

PROGRAMAÇÃO 4º FESTIVAL TIMBRE

HOJE (6) – 19H30 - TEATRO MUNICIPAL DE UBERLÂNDIA
Silva canta Marisa Monte (SP)
Ana Muller (ES)
André Salomão (MG)

AMANHÃ (7) – 16H - ESPLANADA DO TEATRO MUNICIPAL
Rael convida Emicida e Tulipa Ruiz (SP)
3030 (RJ)
Scalene (DF)
Jesuton (UK)
Don Dillinger (MG) convida Gabriel Thomaz (RJ)
Project Black Pantera (MG)
UdiSchool (MG)
Lava Divers (MG)
Canábicos (MG)
Light Strucks (MG)
Cachalote Fuzz (MG)

DOMINGO (8) – 13H - PRAÇA SÉRGIO PACHECO
Banda UÓ (GO)
Dolores 602 (MG)
Daniela Borela (MG)
Lizandra (MG)


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