09/09/2017 às 05h08min - Atualizada em 09/09/2017 às 05h08min

Advogado acusa PMs de abuso de autoridade

Policiais teriam furtado aparelho que gravou toda a ação em casa de suspeito

WALACE TORRES | EDITOR
Benedito Vieira procurou o Ministério Público para registrar queixa contra os policiais / Foto: Walace Torres

 

Dois policiais militares foram acusados de invadir uma residência no bairro Prosperidade, na zona Leste de Uberlândia, tentar “plantar” uma quantia de drogas no local e ainda furtar um aparelho de videomonitoramento que teria filmado toda a ação. O caso foi levado ao conhecimento ontem à tarde do Ministério Público Estadual pelo advogado Benedito dos Reis Vieira, que também chegou a registrar um boletim de ocorrência em nome de seu cliente poucas horas depois do fato, ocorrido na noite de 7 de setembro.

O advogado também solicitou a realização de perícia técnica na residência, pediu o relatório de GPS para rastrear o percurso feito pelas viaturas e todos os boletins e registros feitos pelas duas equipes que fizeram a abordagem na residência. 

Segundo a versão narrada no boletim pelo advogado e seu cliente, duas viaturas da PM, uma delas com um tenente e outra com um sargento, chegaram até a casa, entraram sem a permissão e mandaram que o suspeito e toda família deitassem no chão. No momento da ação acontecia um churrasco no imóvel. Os policiais teriam anunciado que fariam a prisão do proprietário por tráfico de drogas. Um dos policiais, segundo relato do morador para seu advogado, teria mostrado um saco com buchas de maconha. O morador então teria dito aos policiais que não estava traficando e que toda a ação estava sendo filmada e gravada pelo sistema interno da casa. Nesse momento, o tenente que comandava a ação se assustou, na versão dada pelo morador, deixou o sargento vigiando os moradores, foi até a estante e retirou o aparelho DVR, colocando-o debaixo do colete. Em seguida, os policiais militares saíram da residência com o aparelho e alegando que “estava tudo bem” e que ninguém seria preso.

Também em boletim de ocorrência, o tenente que comandou a ação deu outra versão para o fato. Segundo o relato, com base numa denúncia anônima os policiais foram até uma residência abandonada no bairro Prosperidade que seria usada como ponto de venda de drogas. No local, foram encontrados e apreendidos cerca de 5 quilos de maconha, divididos em 2.400 porções, além de balança, faca para cortar a droga e papeis utilizados na embalagem. A mesma denúncia também apontou que a droga pertencia a um traficante, que teria descarregado a maconha durante o dia. Os policiais então foram até a casa do suspeito, avistaram o portão semiaberto e fizeram a abordagem, mas não encontraram nenhum entorpecente ou algo que pudesse relacionar o morador com a droga encontrada no outro imóvel.

Ainda segundo informações da PM, o morador que foi abordado na segunda casa como suspeito de ser o dono da droga, tem passagens policiais, inclusive por tráfico. 

O advogado do suspeito confirmou que seu cliente aguarda o julgamento em liberdade por tráfico de drogas, mas acusou os militares de abuso de autoridade, violação de domicílio, furto qualificado e fraude processual em função de ter alterado a verdade dos fatos. “Entre a palavra do meu cliente que tem uma passagem, mora na periferia, e a palavra de um policial que a princípio é dotada da presunção da verdade, a palavra do meu cliente não vai valer muito. Então requeri junto à perícia judiciária uma perícia imediata no local para levantamento de provas. Já constatamos que houve arrombamento no portão”, disse o advogado. Benedito disse ainda que em nenhum momento durante a elaboração do boletim de ocorrência os policiais lhe informaram sobre a ação anterior, que resultou na prisão de 5 quilos de drogas em outra residência.

Benedito Vieira destacou ainda que os policiais agiram de forma anônima na abordagem ao seu cliente. “Eles arrancaram as etiquetas com os nomes dos policiais, mas meu cliente conhece um deles”, disse.

 

POLÍCIA

Em contato com a assessoria de comunicação da Polícia Militar, a reportagem foi informada de que o caso será levado ao conhecimento da Corregedoria na segunda-feira para instauração de procedimento investigatório, uma vez que houve denúncia de subtração de material por parte de policiais. No entanto, a assessoria informou também que, até que se prove o contraditório, o que consta no boletim de ocorrência é a verdade dos fatos.


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