16/07/2017 às 04h59min - Atualizada em 16/07/2017 às 04h59min

Lições que ficam do Prêmio de Dança

Hoje é dia de apresentação e premiação da 3ª edição do evento no qual bailarinos buscam mais que colocação

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Daniel Robert, Edna Azevedo e Vladimir Rybyakov fazem parte do corpo de jurados do Prêmio de Dança / Foto: Adreana Oliveira

 

A postura não engana. De longe, mesmo sentados em suas cadeiras é possível perceber que os entrevistados que aguardavam a reportagem do jornal Diário do Comércio no final da manhã de quinta-feira (13) no Ballet Vórtice tinham uma história com a dança. Afinal, a tal postura de bailarino não passa despercebida. Desde o início da semana eles estão na cidade para a terceira edição do Prêmio de Dança Uberlândia, idealizado por Guiomar Boaventura, da Vórtice Academia de Danças, que tem hoje sua grande final, no palco do Teatro Municipal.

Participaram da entrevista Daniel Robert, bailarino do Ballet Nacional da Holanda, natural de Uberlândia, Edna Azevedo, da Escola Estatal de Berlim e Vladimir Rybyakov, formado pela Academia de Ballet Vagonova, em São Petersburgo, na Rússia. Completa o corpo de jurados Zeca Rodrigues, coreógrafo da Cia de Dança de Cubatão (SP).

Edna Azevedo participa desde a primeira edição do prêmio e percebe o quanto evoluiu não só em quantidade de participantes, que neste ano chega a 500, quanto ao nível deles. “Da primeira para a segunda edição dobrou o número de participantes e agora parece ter dobrado novamente. São muitos jovens talentosos com muita vontade de dançar. A gente vê nas oficinas os alunos empenhados, com garra, vontade de aprender e sugar o máximo do trabalho que a gente oferece. Essa é a minha percepção do festival”, afirma a bailarina.

Para o russo Vladimir Rybyakov, também presente pela terceira vez na competição, o que marca é a troca nas oficinas e o empenho dos competidores. “Também me deixa feliz ver que nosso trabalho também teve bastante progresso. Aumentou o número de alunos participantes mas o melhor é que ver a evolução daqueles que já participam há três edições, como cresceram tecnicamente, melhoram a postura no palco”, comenta o profissional.

Para Edna, eles amadurecem artisticamente a cada aula. “Percebemos isso claramente. Alunos que vieram com 11 ou 12 anos e agora estão com 14 ou 15 já estão com o desenvolvimento mais maduro em cena e por essa troca, por participarem de eventos desse tipo que somam às aulas diárias. Essas atividades se complementam.

Rybyakov convida os uberlandenses para prestigiarem o evento. “Para os bailarinos ver a casa cheia é muito bom e com certeza quem for ao teatro hoje terá uma ótima experiência”, finaliza o bailarino.

 

PRATA DA CASA

Daniel Robert e exemplo de superação, dedicação e disciplina

“Eu tenho a sensação de que foi tudo muito rápido. O meu início no ballet, as bolsas conquistadas no exterior, a mudança para a Rússia. Estou hoje como jurado de uma competição na qual dancei como convidado no ano passado. Eu ainda sou um aprendiz e confesso que me sinto meio um peixe fora d´água nessa situação”, comenta o bailarino Daniel Robert.

Aos 20 anos, Daniel Robert mora na Holanda e integra o Ballet Nacional do país há dois anos. Em 2011 sua história já chamava atenção da imprensa local. O menino, nascido no bairro São Jorge, em Uberlândia, perdeu a mãe aos 9 anos e só foi alfabetizado aos 10. Aos “10 anos e meio”, como diz, passou a integrar o projeto social Pé de Moleque, idealizado por Guiomar Boaventura e daí em diante foram prêmios e bolsas conquistados no Brasil e no Exterior. Naquele 2011 foi selecionado entre 6,5 mil jovens mais velhos do que para participar Grand Prix de Lausanne, na Suíça.

Dedicado e disciplinado, Daniel diz que sempre que vem a Uberlândia é como um performer. Nem sempre conseguia trocar experiências com outros bailarinos. “Eu estava sempre dançando. Nunca estive do outro lado da mesa, avaliando o trabalho de outros bailarinos. Apesar de ainda não me sentir muito à vontade na situação, estou gostando”, afirma o jovem, uma prova viva de que a arte transforma vidas.

“Nesta edição do prêmio, por meio das oficinas, tenho mais contato com outros bailarinos, conversamos mais, trocamos experiência. Tem sido inspirador ver a evolução deles em apenas três dias de aula. Estou realmente impressionado”, disse o bailarino que ficará na cidade por mais alguns dias e pretende divulgar mais o seu trabalho junto a outras riquezas culturais da cidade, como o Congado. E ele convida a todos para acompanharem essa jornada pelo seu instagram: @drobertsilva.

 

COMPETIDORES

Lugar no ranking não é o principal motivador dos bailarinos

Letícia Alves Ferreira Gonçalves tem 17 anos. É de Belo Horizonte e pratica ballet há 11 anos. É a primeira vez que participa do Prêmio de Dança Uberlândia. “Cheguei aqui no domingo e já participei de algumas aulas e percebo o quanto esse evento valoriza a arte da dança na cidade. Os coaches são ótimos e me ajudaram muito nas variações de repertório e solo. Esse aprendizado já vale a viagem”, diz ela.

A bailarina afirma estar ansiosa para se apresentar no Municipal mas não está preocupada se vai ou não ganhar um dos prêmios, mas garante que com as aulas dos últimos dias estará segura quando chegar a sua hora de estar sob os holofotes.

Também da capital mineira, Helder Lucas Fonseca, 22 anos, dedica-se à Dança há oito anos, cinco deles exclusivamente ao ballet clássico e também está pela primeira vez em Uberlândia. “Desde segunda-feira participei de oficinas de Ballet Clássico, Dança Contemporânea e Variações de Repertório. É um aprendizado muito valioso que nos leva a crescer artisticamente”, afirma o bailarino.

Para ele, a vida de bailarino exige muito de quem escolhe este caminho mas a cada nota que supera a outra vem um incentivo a mais. “Treino mais de seis horas por dia, o corpo é muito exigido e um primeiro ou segundo lugar em um ranking não é o que conta. A cada nota que melhora, a cada feedback que recebemos que mostra que estamos melhorando vale tal dedicação”, explica.

 

PREMIAÇÃO

A terceira edição do Prêmio de Dança Uberlândia traz cerca de 500 bailarinos de diversas partes do país. Hoje acontecem as últimas apresentações, a partir das 16h, com a cerimônia de premiação às 20h. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados na bilheteria do teatro até duas horas antes do início das atividades.

Haverá premiação em dinheiro para o melhor bailarino, melhor bailarina e melhor grupo de dança do festival. Também serão oferecidas uma bolsa do curso de verão na Escola Estatal de Berlim, uma bolsa de intercâmbio com a Companhia Júnior do Ballet Nacional da Holanda e uma bolsa para o Circuito Broadway Camp que tem direção de Fernanda Chamma.

 

SERVIÇO

O QUE: 3ª edição do Prêmio de Dança Uberlândia

ONDE: Teatro Municipal de Uberlândia

QUANDO: Hoje, apresentações de ballet clássico e ballet de repertório, às 16h e cerimônia de premiação às 19h

ENTRADA FRANCA: Ingressos podem ser retirados no local até duas horas antes das apresentações

INFORMAÇÕES: 3235-1568


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