29/06/2017 às 05h39min - Atualizada em 29/06/2017 às 05h39min

Policiais presos começam a ser ouvidos na capital

Acusados de corrupção na PRF foram detidos na semana passada

VINÍCIUS ROMÁRIO | REPÓRTER
Ao todo cerca de 200 policiais participaram da operação / Foto: Walace Torres/Arquivo

 

Começaram a ser ouvidos ontem, em Belo Horizonte, os 15 policiais rodoviários federais presos durante a operação Domiciano, deflagrada pela própria Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com a Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União na última semana. Quatro empresários e comerciantes também foram detidos e serão ouvidos.

Os policiais atuavam em Uberlândia, Araguari e Monte Alegre e são acusados de praticar atos de corrupção contra usuários das rodovias. Já os empresários são acusados de obterem vantagens ilícitas na relação com os policiais envolvidos.

O delegado chefe da Polícia Federal (PF) em Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D'Ângelo, está em Belo Horizonte e disse que espera ouvir todos os envolvidos até amanhã. “As investigações ainda continuam, principalmente com o depoimento dos policias detidos. Esperamos que os inquéritos sejam finalizados e encaminhados à Justiça até o meio do mês de julho”, afirmou D'Ângelo.

 

OPERAÇÃO

Durante a operação Domiciano foram cumpridos 19 mandados de prisão preventiva e outros 33 mandados de busca e apreensão nos municípios de Uberlândia, Canápolis, Monte Alegre, Itumbiara, Araguari, Centralina e Delfinópolis. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal de Uberlândia.

Participaram da ação aproximadamente 200 policiais, sendo 140 da PRF e 60 da PF, além de sete auditores da Controladoria-Geral. Foi a maior operação dessa natureza realizada no Triângulo Mineiro.

Segundo as investigações, não foi constatado a formação de quadrilha, os policiais rodoviários federais agiam individualmente em vários tipos de situações. Geralmente, os motoristas eram submetidos ao pagamento de propina para terem os veículos liberados em fiscalizações de rotina. Ao constatarem que o veículo abordado apresentava alguma irregularidade, os policiais deixavam de lavrar o auto de infração e demais sanções administrativas em troca do recebimento de algum valor em dinheiro. Em outros casos, os veículos eram apreendidos e conduzidos por empresa de guincho que tinha prioridade no atendimento. Em situações de acidente, a empresa também era acionada e repassava parte do lucro aos policiais. Os veículos eram levados para o mesmo pátio, em Monte Alegre de Minas, que também fazia parte do esquema.


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