23/06/2017 às 05h44min - Atualizada em 23/06/2017 às 05h44min

Operação conjunta prende 15 policiais por corrupção

Policiais rodoviários federais foram presos em Uberlândia, Araguari e Monte Alegre

WALACE TORRES | EDITOR
Operação reuniu 140 policiais rodoviários federais de outras regiões e mais 60 policiais federais / Foto: Walace Torres

 

Quinze policiais rodoviários federais que atuavam nas unidades operacionais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Uberlândia, Araguari e Monte Alegre de Minas foram presos ontem acusados de praticar atos de corrupção contra usuários das rodovias. Outros quatro comerciantes e empresários também foram presos acusados de obterem vantagens ilícitas na relação com os policiais envolvidos. A operação denominada Domiciano foi deflagrada pela própria PRF em parceria com a Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União, e teve a participação de aproximadamente 200 policiais – 140 da PRF e 60 da PF, além de sete auditores da Controladoria-Geral. Foi a maior operação dessa natureza realizada no Triângulo Mineiro.

Além dos 19 mandados de prisão preventiva, foram cumpridos outros 33 mandados de busca e apreensão nos municípios de Uberlândia, Canápolis, Monte Alegre, Itumbiara, Araguari, Centralina e Delfinópolis. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal de Uberlândia.

Segundo as investigações, não foi constatado a formação de quadrilha, os policiais rodoviários federais agiam individualmente em vários tipos de situações. Geralmente, os motoristas eram submetidos ao pagamento de propina para terem os veículos liberados em fiscalizações de rotina. Ao constatar que o veículo abordado apresentava alguma irregularidade, os policiais deixavam de lavrar o auto de infração e demais sanções administrativas em troca do recebimento de algum valor em dinheiro. Em outros casos, os veículos eram apreendidos e conduzidos por empresa de guincho que tinha prioridade no atendimento. Em situações de acidente a empresa também era acionada e repassava parte do lucro aos policiais. Os veículos eram levados para o mesmo pátio, em Monte Alegre de Minas, que também fazia parte do esquema.

Os policiais presos passaram a manhã de ontem na sede da Polícia Federal, onde fizeram exames de corpo de delito e foram transferidos ontem mesmo para Belo Horizonte em função da falta de vagas especiais no sistema prisional em Uberlândia – eles não podem ficar detidos junto com outros presos comuns. A PF tem 15 dias para detalhar os fatos e apresentar a denúncia ao Ministério Público Federal. “Agora será dado andamento na parte criminal, e no âmbito administrativo vamos conduzir o processo administrativo-disciplinar oferecendo o contraditório e ampla defesa e, ao final, em se confirmando todos esses fatos eles serão demitidos e excluídos da instituição”, disse o corregedor da PRF Célio Constantino da Costa.

A princípio, os policiais presos serão indiciados pelos crimes de corrupção passiva, com penas que podem chegar a 15 anos de reclusão.

Por se tratar de um número expressivo de policiais envolvidos e que atuavam na mesma região, a PRF acionou servidores de outras regiões e estados para efetuarem as prisões. A corporação irá remanejar policiais rodoviários federais da região e ainda convocar servidores de outros estados para repor o efetivo nas três unidades do Triângulo Mineiro até que a situação seja resolvida em definitivo.

 

CORREGEDORIA

Investigação começou há 7 meses com denúncias

O trabalho de investigação sobre atos de corrupção de policiais rodoviários federais no Triângulo Mineiro teve início há sete meses, quando denúncias começaram a chegar na Corregedoria da PRF em Belo Horizonte através de e-mails, reclamações diretas de motoristas e até em redes sociais. “Houve inclusive reclamações de servidores locais que não concordaram com esses desvios e pediram a atuação da Corregedoria”, disse o corregedor Célio Constantino. A partir das denúncias e alguns indícios, a Corregedoria acionou a Polícia Federal em Uberlândia que instaurou inquérito.

A Controladoria-Geral da União participou de análise da movimentação financeira e evolução patrimonial dos acusados, a relação deles com outras pessoas físicas e jurídicas e ainda fez o levantamento de indícios de ilícitos administrativos. O inquérito na Polícia Federal também conta com imagens de flagrantes de cobrança de propina. Após reunir todas as provas, a PF solicitou os mandados à Justiça Federal e atuou em conjunto com a PRF na operação para prender os envolvidos.

“É um resultado que não nos alegra de forma nenhuma, mas que fazemos com muita responsabilidade, coerência e muita legalidade no sentido de valorizar o bom policial e retirar do meio policial aquele que não tem a ética necessária para isso”, disse o delegado chefe da Polícia Federal em Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo.

“Nós não nos furtamos de cortar na própria carne. Sempre que tiver alguma irregularidade que chegar ao nosso conhecimento, vamos agir de pronto e não vamos pensar duas vezes em retirar esse servidor que está cometendo delito, mesmo porque os demais não concordam com isso. Essa não é a imagem da PRF, estamos aqui para servir ao público”, reforçou o corregedor da PRF.

O nome da operação, Domiciano, é relacionado a um antigo imperador romano (Tito Flavio Domiciano), do século I, que entrou para história pela sua intolerância com a corrupção no Império Romano.


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