22/06/2017 às 05h22min - Atualizada em 22/06/2017 às 05h22min

Emprego desacelera em maio, mas fecha positivo

Saldo no mês passado foi de 30 novos postos formais, ante 495 em abril

WALACE TORRES | EDITOR
O setor de construção civil apresentou saldo positivo pela primeira vez no ano, sinalizando uma retomada / Foto: Divulgação

 

O mercado de trabalho em Uberlândia apresentou uma desaceleração no mês de maio em relação a tendência de crescimento verificada nos últimos quatro meses, o que não impediu que o período fechasse novamente com saldo positivo. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho, maio encerrou com um saldo de 30 novos postos na diferença entre o número de contratações e demissões. Em abril, o melhor mês do ano,  essa relação chegou a 495 vagas formais.

Apesar do baixo rendimento, o resultado de maio contribuiu para que o acumulado do ano mantivesse saldo positivo. Foram 203 novas vagas de janeiro a maio.

No total, foram 8.579 carteiras assinadas no mês de maio em Uberlândia ante 8.549 desligamentos. Mais uma vez o setor que mais contratou foi o de serviços, com saldo de 169 novas vagas formais. É o único setor no município que teve resposta positiva em todos os meses do ano.

Pela primeira vez em 2017, a construção civil na cidade também gerou mais contratações do que demissões, com saldo positivo de 139 vagas em maio. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Sinduscon-TAP), essa melhora pode ter sido influenciada diretamente pelo resultado do último feirão imobiliário, realizado pela Caixa Econômica. “Quando as empresas foram para o Feirão e venderam seus imóveis em condições de serem ocupados, automaticamente deu uma acelerada nos empreendimentos ainda em andamento”, diz o vice-presidente de Tecnologia do sindicato, Efthymios Panayotes Emmanuel Tsatsakis. Cerca de 30 empresas do setor participaram do último Feirão da Caixa em Uberlândia. Panayotes conta que tanto o número de imóveis em lançamento como o de estoque, ou seja, prontos para serem ocupados, é significativo em Minas Gerais. “Nos últimos meses, Uberlândia teve mais lançamentos que Belo Horizonte. Isso mostra que o empresariado está otimista”, diz. Ainda segundo o dirigente, o setor da construção civil tem dois períodos motivadores de venda. Um deles é justamente em maio, com o Feirão de imóveis. O outro é em outubro, quando acontece o Salão Imobiliário promovido pelo Sindicato da Habitação (Secovi). “Esses dois momentos impulsionam o setor, pois o cliente que está interessado na compra tem facilidade para escolher o seu produto”, diz Panayotes.

Por outro lado, o setor da agropecuária, que vinha numa trajetória ascendente desde fevereiro, desta vez fechou com saldo negativo de 228 postos.

 

ATIVIDADE ECONÔMICA

O economista Júlio Fernando Costa Santos explica que a questão do emprego está intrinsecamente ligada à recuperação da atividade econômica. Ele lembra que em âmbito nacional, o IPC-BR (que é um indicador de atividade econômica) tem apresentado uma trajetória de recuperação no acumulado de 12 meses. “Digo recuperação porque desde abril de 2015 temos tido uma trajetória contínua de queda havendo uma reversão na tendência apenas em janeiro de 2016. A partir daí, gradativamente a atividade econômica tem desacelerado a queda. Ou seja, não estamos falando de crescimento e sim de diminuição da retração econômica, o que é um fator positivo a ser destacado”, diz.

Segundo avalia, se for mantida essa trajetória, até o final do ano os dados devem apontar para um segundo semestre de crescimento econômico, o que implica diretamente no aumento de postos de trabalho em todos setores. “No caso de Uberlândia, o diagnóstico não é diferente. No mensal, temos o setor de serviços dando uma puxada para cima no total de vagas, a construção civil apresentando também alguma recuperação, enquanto a agropecuária tem puxado para baixo, mas o peso é menor devido a menor quantidade de empregos no setor”. De acordo com a análise, no acumulado de 12 meses, a construção civil ainda tem se mostrado o setor mais frágil, acumulando perda de 8,13% de vagas, enquanto que o setor que tem sido o motor da recuperação é o de serviços, com aumento de 1,68% no total de vagas. “No agregado, estamos perto do zero a zero, com o índice de vagas em -0,49%”, diz.

 

ESTADOS

Minas Gerais fica no topo do ranking nacional

O desempenho de Uberlândia durante maio acompanhou a tendência verificada em nível nacional, que também apresentou uma desaceleração nas contratações, apesar de fechar o mês com saldo positivo de 34.253 novas vagas. Em abril, o Caged nacional tinha fechado em 59,9 mil novos postos.

Minas Gerais foi o destaque do cadastro nacional, aparecendo pela primeira vez no topo do ranking (saldo de 22.931 novos postos), superando São Paulo (17.226 novos postos). Ao todo, foram 159.198 contratações contra 136.267 desligamentos em Minas no mês de maio. O interior do Estado foi o grande responsável pelo saldo positivo, tendo fechado o período em 21.944 vagas formais.

 


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