17/06/2017 às 05h06min - Atualizada em 17/06/2017 às 05h06min

Praça Tubal Vilela atrai vendedores ambulantes

Reportagem do Diário do Comércio constatou mais de 35 ambulantes no local

LETÍCIA PETRUCCELLI | APRIMORAMENTO PROFISSIONAL
Segundo a prefeitura, o comércio informal na praça é proibido / Foto: Letícia Petruccelli

 

Caixotes, panos ao chão e tábuas sobre tijolos são alguns dos recursos que vendedores ambulantes para expor mercadorias a quem passa pela praça Tubal Vilela, no hipercentro de Uberlândia. Quem passa pelo local com frequência e mesmo quem trabalha na praça nota que a quantidade de vendedores informais que atuam ali vem aumentando. Na tarde de ontem, a reportagem do Diário do Comércio identificou, pelo menos, mais de 35 ambulantes.

O excesso de comércio na praça não agrada a todos, a estudante universitária, Lorrane Silva, diz que a grande quantidade de vendedores deixa o local poluído. “Às vezes aqui está tão cheio que é difícil de andar, mas respeito o fato deles estarem trabalhando”, disse.  Parte dos comerciantes que atuam formalmente consideram a atividade dos ambulantes como desleal. Os ambulantes, por sua vez, apontam dificuldades para conseguirem a legalização.

José Filho vende água de coco na Tubal Vilela há 17 anos e conta que esse aumento é gradativo, mas que nos últimos três anos o número de vendedores na praça triplicou.  “Até pouco tempo, havia apenas umas 10 pessoas vendendo produtos aqui, mas nos últimos anos começou a brotar gente”, conta.

Segundo a prefeitura de Uberlândia, a venda de produtos na praça Tubal Vilela não é permitida. “A praça é patrimônio histórico do Município. Para operar naquele local é necessário autorização, assim como em qualquer outra área pública de Uberlândia. As bancas, por exemplo, têm permissão para estar ali”, informou o município por meio de nota.

O vendedor José Filho afirma que já tentou legalizar a comercialização, mas não conseguiu. “Eu trabalho com a fruta, a venda deste produto é forte apenas em praça e praia. Não tem como vender em outro local”, disse, questionando o fato de que vendedor de picolé paga imposto e pode vender livremente o produto, enquanto ele não consegue. “Não me importaria em pagar imposto. Já procurei a prefeitura, mas não consegui nenhuma ajuda”, conta.  Procurada, a prefeitura de Uberlândia informou ser é possível que os ambulantes saiam da informalidade, porém deverá ser analisada a disponibilidade do local desejado. As ações de fiscalização são feitas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico.

 

RELATOS

Os ambulantes estão sempre atentos, trabalham olhando para todos os lados, com medo de perderem os produtos durante uma fiscalização.

Leila Gomes trabalha com a venda informal de meias, toucas, luvas e acessórios na praça há cinco anos. Ela tem quatro filhos, é solteira e conta que essa foi a única alternativa encontrada para se sustentar. “Procurei muito um emprego formal, mas não encontrei. A única opção que achei foi vender. Aqui tem descriminação pelas autoridades da cidade, que não ajudam a gente a legalizar, é humilhante ter que correr de fiscal. E eles não querem saber de nada, prendem o produto e vão embora”, afirma.

Paulo Alexandre vende brinquedos na Tubal Vilela há pouco tempo. Ele trabalhava em uma gráfica antes de ir para a venda informal. “A gráfica que eu trabalhava fechou, não achei emprego em outra empresa. Essa foi a saída que encontrei”, conta.

Mesmo enxergando a informalidade como melhor saída para o desemprego, nem todos os vendedores que trabalham na praça acham que vale a pena este negócio. Júlio Cesar Silva comercializa frutas da época em um carrinho de mão e conta que nem sempre o retorno é positivo, principalmente pelo risco. “Eu ganho, em média, apenas R$ 1 mil. Já tive prejuízo de R$ 1,5 mil em apreensão das minhas mercadorias. Até o carrinho eles levam”, afirmou Júlio, que e pai de dois filhos. “O meu filho maior, de 15 anos, sempre pede para vir ajudar. Eu não quero que ele mexa com isso, então não trago.”

Jean Carlos, vendedor de frutas há 15 anos, alega que não consegue receber ordens de chefe. “Eu faço o meu horário, tenho que trabalhar, mas não tem reclamação se vier uma hora mais tarde. O valor ganho não é bom, mas dá pra levar a vida”, diz.

 

ITINERANTES

Cidade atrai vendedores de diversos locais

Pessoas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e até outros países, como Peru, decidem vir para Uberlândia e tentar ganhar dinheiro com a venda informal de produtos. Norca Waskesroches veio do Peru há 10 anos, vende brinquedos infantis e escolheu Uberlândia pelo estilo da cidade. “A gente se acostuma com a cidade. Gosto daqui. Trabalho na praça desde que cheguei, é daqui que tiro o meu sustento”, diz.

João Ferreira comercializa roupas e diz não ficar mais que alguns dias na mesma cidade. “Prefiro ir de cidade em cidade, acho que assim tem menos risco de perder os produtos. Não ganho mais por isso, mas compensa”, conta.

Para os ambulantes, ir para outro local pode até ser uma forma de ter uma renda, mas há quem não concorde com a prática. O técnico de Tecnologia da Informação Maycon Aguiar é cliente de vendedores ambulantes, mas acredita que seria melhor se eles ficassem sempre na mesma cidade. “Quando se compra de alguém que não é da cidade, o dinheiro não gira. Essa pessoa logo vai embora e gera renda em outras cidades”, opina o técnico.


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