11/06/2017 às 04h54min - Atualizada em 11/06/2017 às 04h54min

Ataque acende alerta para segurança digital

Especialistas apontam a prevenção como principal arma para conter danos

LAYLA TAVARES* | EDITORA
Gilberto Faria, diretor de tecnologia, sugere uso de softwares licenciados / Foto: Divulgação

 

O mundo ficou em alerta após o ataque virtual com o vírus WannaCry, que infectou mais de 300 mil computadores em, pelo menos, 150 países no último mês. O ataque se aproveitou de uma ferramenta de hacking construída pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos que vazou online e mostrou que é urgente a adoção da cultura de prevenção em ambientes domésticos e empresariais.

Segundo Gilberto Guimarães de Faria, diretor de tecnologia de uma empresa de segurança digital de Uberlândia, as pessoas não têm o hábito de investir em segurança tecnológica no Brasil, o que coloca o país entre os mais atacados por hackers no mundo. “O sucesso dos ataques está quase sempre ligado à falha humana, ao usuário despercebido. O ataque não é simples, demora para ser desenvolvido. Mas eles estão cada vez mais amplos na capacidade de danos”, alerta o especialista.

A falta de preocupação dos brasileiros com sua segurança digital também chama a atenção do presidente de outra empresa especializada no assunto, Marco De Mello. Segundo ele, em geral, as empresas e os usuários brasileiros não se preocupam “nem de perto” do que deveriam com segurança digital. “Está na hora de as pessoas acordarem e terem mais cuidados com atualizações, senhas, redes sociais, aplicativos e sites que acessam. Não adianta trancar a porta de casa todos os dias e sua senha [de wi-fi] ser 12345. Sua vida digital estará totalmente exposta”, alerta.

Para o presidente da SaferNet, organização não governamental que reúne cientistas da computação, professores e pesquisadores, Thiago Tavares Nunes de Oliveira, além de não se atentar para a questão da segurança, o usuário brasileiro só percebe a importância de fazer um backup de seus dados quando sofre algum prejuízo: ou perdem um pen drive ou quando o disco rígido do computador queima. “Isso vai desde as pequenas, médias e grandes empresas até órgãos públicos e o usuário final, que não têm grandes estruturas de suporte”, afirma.

 

PREVENÇÃO

Uma unanimidade entre os especialistas em segurança digital é a importância em manter os softwares atualizados. “A melhor forma de evitar a perda de arquivos em decorrência de um ataque hacker é a prevenção. Não usar software sem licenciamento é primordial”, diz o Gilberto Guimarães de Faria.

Ele explica que o hábito comum de usar programas não licenciados expõe ainda mais os usuários. “Quando se tem o software licenciado, o usuário conta com engenheiros e desenvolvedores que trabalham incessantemente para manter o software atualizado e resistente a ataques. O cliente que tem o produto licenciado tem direito a atualização e, consequentemente, se mantém mais protegido”, esclarece Faria.

Thiago Oliveira lembra que no ataque do mês passado só foram infectadas máquinas que estavam com o sistema operacional desatualizado, e a atualização estava disponível há dois meses. “Essa é uma constatação que comprova que as boas práticas de segurança que deveriam ser seguidas por todos, tanto usuários finais e principalmente usuários corporativos, não têm sido seguidas”, destaca.

Outa medida apontada pelos especialistas é o uso de softwares de proteção, mais conhecidos como antivírus, inclusive em smartphones. “Eu recomendo o uso de proteção paga. O software gratuito vem com funcionalidades reduzidas e não acompanha as mudanças das ameaças”, afirma Faria, alertando ainda para o bom senso do usuário. “Se há dúvida da procedência de um arquivo que recebeu por email, não abra”, completou.

As estatísticas dos consultores de tecnologia mostram que 91% dos ataques mais sofisticados começam por e-mail. Além disso, há um alto índice de contaminação por meio do uso de cabos USB e pen drives.

 

BALANÇO MUNDIAL

Ataques causaram prejuízo de US$ 5 bilhões em 2016

Organizações não governamentais que atuam na área de segurança na internet advertem que o custo para prevenir e reparar danos deixados por ataques virtuais será cada vez mais alto, uma vez que somente com pesquisa e investimento – para estar um passo à frente dos invasores – é possível proteger a informação.

Uma estimativa da Cyberventures – consultoria internacional na área de segurança na internet –, os danos causados por crimes cometidos por invasores virtuais (os crakers), como o ransomware (sequestro de dados) causaram prejuízos mundiais de mais US$ 5 bilhões em 2016. A previsão da consultoria é que os crimes cibernéticos custem ao mundo US$ 6 trilhões até 2021.

Nos Estados Unidos, 72% das empresas com mais de 250 empregados sofreram ao menos um ataque cibernético em 2016, e 60% das empresas com menos de 250 empregados também foram alvos.

Segundo relatório sobre cibercrimes da consultoria, ainda prevalece o pensamento de corrigir danos em vez de preveni-los. As empresas, não só nos Estados Unidos, tendem a começar a investir quando começam a ter problemas frequentes. “O aumento dos ataques a empresas norte-americanas levou ao crescimento de 63% nos investimentos em prevenção", diz o relatório.

Em relação à América Latina, os ataques são constantes: ao menos 12 registros de invasão por programas maliciosos – os chamados malwares – são contabilizados, por segundo, no continente, de acordo com estimativa da empresa de segurança da informação russa, Kaspersky.

Brasil

Ainda conforme a empresa russa, o Brasil é um dos países mais vulneráveis do mundo ao ransonware. Aparece em quinto lugar, à frente dos Estados Unidos, Argentina e Tailândia. Segundo a Kaspersky, mais da metade dos computadores brasileiros analisados (49%) já foram alvos de ameaças.

(*) Com informações da Agência Brasil

 

DICAS PARA PROTEGER SEUS ARQUIVOS

- Mantenha o computador atualizado

Isso também significa não usar versão pirata para poder ter essas atualizações "automáticas".

- Não abra e-mails ou links suspeitos

O usuário não deve acreditar em anúncios na internet, tampouco em mensagens e links que eventualmente cheguem por e-mail.Não se pode executar qualquer mensagem que se recebe por e-mail. Nesses casos, deve-se verificar o endereço do remetente e estar atento para o domínio de onde está sendo mandado. Outra dica é notar se há erros de português nas mensagens enviadas como se fossem de bancos ou órgãos públicos, por exemplo.

- Faça cópias de segurança de seus arquivos

As cópias devem ser feitas regularmente. Isso previne problemas de segurança, o ideal é ter um backup num HD externo ou numa nuvem.

- Use antivírus

O antivírus pode deter um ataque ou identificar uma ameaça. Os gratuitos atuam somente na verificação de arquivos executados no computador. Por isso, um antivírus simples não consegue deter certos tipos de ameaça.

- Use aplicativos de fontes seguras

Além de instalar antivírus em celulares e tablets é importante baixar aplicativos desenvolvidos por fontes conhecidas e com boa reputação.

 


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