07/06/2017 às 05h26min - Atualizada em 07/06/2017 às 05h26min

Bailarina de Uberlândia se apresenta na Rússia

Malu Volponi participa do 13º International Ballet Competition em Moscou com outros 200 concorrentes de 15 países

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Malu Volponi se prepara para uma maratona de cinco horas de ensaio às vésperas da viagem / Foto: Fernanda Torquato/Divulgação

 

Maria Luiza Volponi Magalhães estava atenda à caixa de emails em meados de abril. Aguardava pacientemente, como é de sua personalidade, uma mensagem da Rússia. Quando a mensagem chegou não poderia ser melhor: a bailarina de Uberlândia havia sido selecionada para o 13º International Ballet Competition em Moscou. E hoje, com otimismo, foco e inspiração ela viaja ao lado da professora, Guiomar Boaventura, diretora artística da Escola Vórtice, para encarar mais esse desafio e levar o nome de Uberlândia para uma competição de nível internacional.

Malu Volponi, como é mais conhecida, apresentará cinco variações de repertório: Princesa Florine, do ballet “A Bela Adormecida”, Satanella do ballet “Carnaval em Veneza”, Kitri, do ballet “Dom Quixote”, variações do ballet Paquita e Esmeralda, além do solo contemporâneo "Mel(odia)" da coreógrafa Carol Segurado.

A competição será realizada no tradicional Teatro Bolshoi de 10 a 20 de junho com cerca de 200 concorrentes de 15 países. O júri será composto por líderes mundiais da arte do ballet, estrelas do ballet russo e mundial, diretores artísticos das principais empresas de ballet e dos teatros dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, China, da Áustria, Itália, entre outros. Ou seja, uma ótima vitrine para a bailarina. Só a seleção já vale um prêmio.

A responsabilidade é grande, mas a jovem não se deixa pressionar. Não é do tipo que fica ansiosa a ponto de sonhar com o que está por vir. "Claro que dá um friozinho na barriga, afinal, pisar no palco do Teatro Bolshoi, onde já se apresentaram bailarinas que me inspiram, é uma honra e uma felicidade que não sei mensurar", diz a menina, antes de iniciar mais uma maratona de ensaios a dois dias da viagem.

Essa é a terceira viagem internacional de Malu, aluna do 2º colegial que além do ballet também estuda inglês. Seu talento e dedicação já a levaram até Berlim e Nova York. Aos 16 anos, ela ainda não decidiu que faculdade quer fazer e nem se sente pressionada para tal. "Meus pais são muito tranquilos quanto a isso e dizem que vão me apoiar no que eu precisar. Agora meu foco está na dança", explica.

Na hora que subir no palco do Teatro Bolshoi para suas apresentações, ela afirma que o mais importante será se sentir segura, se lembrar das correções feitas nos ensaios e dar o seu melhor, deixar fluir. Ela conta que os amigos e colegas bailarinos são outro apoio importante, além da professora. "Eles são do tipo que vibram e torcem comigo, mandam bilhetes, incentivam. Eles sabem que a minha realização é a deles também", diz Malu.

 

FORMAÇÃO

Ballet é uma arte seletiva e requer empenho e vocação

Guiomar Boaventura, Malu Volponi e os colegas da Vórtice / Foto: Adreana Oliveira

Malu Volponi deu os primeiros passos no ballet ainda criança. Para ela, era um hobby que só virou algo sério depois dos 12 anos de idade, quando percebeu que queria mesmo ser bailarina. Não foi uma imposição que veio dos pais ou dos professores, foi uma identificação dela.

Malu é aluna da Escola Vórtice, que tem na direção artística a professora Guiomar Boaventura que soma 40 anos de dedicação ao ensino. Ela afirma que o ballet em si, assim como outros segmentos artístico, é seletivo e defende que testes vocacionais sejam feitos antes da inserção completa nos estudos. "A capacidade de trabalho tem que ser grande, boa memorização, uma estrutura física que comporte as muitas horas de ensaios. Quando se tem certeza que a criança ou o jovem tem vocação para o ballet fica mais fácil e evita uma possível frustração por não conseguirem um resultado que está aquém de sua capacidade", comenta a professora.

Guiomar brinca que tem fama de ser muito severa. "É como uma lenda urbana sobre mim que corre pela cidade. Eu cobro disciplina, horário, o uniforme... e disciplina não é algo ruim, pelo contrário, ela lhe permite ficar confortável para saber que vai conseguir realizar aquilo que se propôs por meio do seu esforço", disse.

Para a professora, a arte é fundamental na formação da personalidade e do caráter da pessoa. "A arte desperta o que há de mais belo no ser humano, a sensibilidade. Hoje vemos crianças sendo medicadas contra a depressão, isso é muito triste. Eu me considero uma pessoa privilegiada por trabalhar com seres humanos tão maravilhosos. É hora de começarmos a copiar exemplos bons que chegam de fora. Observei, na Suíça, por exemplo, o quanto a arte é levada a sério dentro das escolas, algo que no Brasil está longe de acontecer", finaliza.

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