01/06/2017 às 05h56min - Atualizada em 01/06/2017 às 05h56min

Brasil tem mais 1,1 milhão de desempregados

Em um trimestre, o país viu fechar 615 mil postos de trabalho e 572 mil vagas com carteira assinada

AGÊNCIA ESTADO | RIO
O comércio dispensou 451 mil empregados em apenas um trimestre / Foto: Marcos Santos / USP Imagens

 

A taxa de desemprego mostrou forte deterioração na passagem do trimestre móvel encerrado em janeiro para o trimestre móvel encerrado em abril de 2017, saindo de 12,6% para 13,6%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em um trimestre, o país ganhou mais 1,127 milhão de desempregados, enquanto viu fechar 615 mil postos de trabalho. Também houve fechamento de 572 mil vagas com carteira assinada.

Embora a taxa de desemprego tenha sido ligeiramente maior no trimestre móvel encerrado em março, quando ficou em 13,7%, o IBGE ressalta que não é possível dizer que houve recuo em abril, porque dois terços da amostra são repetidos no período. Dentro da série histórica da pesquisa, foi a primeira queda desde outubro de 2014.

"Não são períodos comparáveis", afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. "Não pode comparar com o trimestre encerrado em março porque dois terços das informações são repetidas", justificou.

O comércio dispensou 451 mil empregados em apenas um trimestre. A construção demitiu outros 291 mil funcionários. Na agricultura, 218 mil postos de trabalho foram cortados. Nos transportes, seis mil pessoas foram demitidas, enquanto que o corte atingiu 47 mil pessoas na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais. No segmento de outros serviços, 14 mil perderam o emprego.

Na indústria, 204 mil pessoas foram contratadas no trimestre encerrado em abril. No serviço doméstico, outros 26 mil foram admitidos. A atividade de alojamento e alimentação absorveu mais 150 mil pessoas, enquanto o segmento de informação contratou 25 mil.

A renda do trabalhador ficou estatisticamente estável no trimestre encerrado em abril de 2017 em relação ao mesmo trimestre de 2016 (apesar da alta de 0,6% no período): R$ 2.107 ante R$ 2.095.

A massa de renda dos trabalhadores saiu de R$ 181,196 bilhões no trimestre terminado em abril de 2016 para R$ 183,261 bilhões no trimestre até abril de 2017, movimento também considerado estatisticamente estável, apesar da variação de -0,1%.

 

CRISE POLÍTICA

Para o coordenador do IBGE, a crise política desencadeada pela divulgação em 17 de maio da delação do empresário Joesley Batista, um dos sócios do grupo de proteína animal JBS, pode afetar os números já desfavoráveis do mercado de trabalho no País.

"O mercado está demitindo menos. A procura por trabalho continua crescendo, mas cresce em intensidade menor. O mercado reage de alguma forma a efeitos externos, tanto macroeconômicos quanto políticos. Só que a pesquisa reflete abril. Você tem um mês de maio com crise política, com efeitos que podem afetar o cenário econômico e podem afetar o mercado de trabalho", disse Azeredo.

Segundo ele, os dados ainda mostram redução da ocupação, aumento do desemprego e o menor patamar da série de postos de trabalho com carteira assinada. "Em três anos, o Brasil perdeu 3,5 milhões de empregos, sendo 96% deles com carteira assinada", lembrou o coordenador do IBGE

O pesquisador explica que a desaceleração no ritmo de aumento da população desempregada pode estar associada ao desalento, pessoas que deixam de procurar emprego por acreditarem que não conseguirão uma vaga.


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