22/05/2017 às 16h10min - Atualizada em 22/05/2017 às 16h10min

Confecção familiar se profissionaliza e começa a trabalhar com produtos exclusivos

Moda e beleza são negócios sérios

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Ulissandra Silva trabalha com a família na confecção e concluirá faculdade de Moda neste ano / Foto: Adreana Oliveira

Não é só a blogosfera que movimenta o mercado fashion em Uberlândia. Jovens promessas do meio universitário começam a empreender cada vez mais cedo, antes mesmo de saírem da faculdade. No caso de Ulissandra Silva a moda já está no DNA. Natural de Centralina (MG), ela veio com a família para Uberlândia há cerca de sete anos. A mãe está envolvida com costura há 25 anos e Ulissandra acabou pegando gosto pela coisa ao crescer entre máquinas de costura, grandes carretéis de linhas, botões, colchetes, zíperes, moldes e muito tecido.

“Há três anos a gente abriu a confecção no Jardim Brasília e desde dezembro optamos pelo Centro da cidade para ampliar o volume de clientes que tenho certeza que podemos atingir”, diz a proprietária da Rosakabana. Para ter mais embasamento teórico, Ulissandra resolveu fazer faculdade de Design de Moda, que concluirá ainda este ano na Esamc.

A faculdade ajudou muito na parte de mercado, ela afirma, porém, no que diz respeito a criação, é essencial para o profissional procurar aprimoramento além das salas de aula. “Já fui à São Paulo Fashion Week, acabei de chegar de Milão e já iniciei os contatos para ver a possibilidade de participar do Minas Trend Preview”, afirma a empresária.

Ela está ligada em todas as etapas de produção, por isso, as feiras sobre novidades de maquinário e qualquer outra coisa relacionada ao mercado têxtil chama sua atenção.

Para conquistar e fidelizar os clientes ela aposta em um ambiente que funciona como loja, ateliê, onde as costureiras estão na linha de frente, e não nos fundos do espaço, mais “escondidas”. A ideia é que as pessoas que não estão necessariamente ligadas ao mercado da moda entendam que é possível, por um preço justo, criar um modelo exclusivo para um evento como casamento, aniversário, ou mesmo dar uma renovada no guarda-roupa casual.

Outro diferencial que Ulissandra cita é o fato de viajar para comprar tecidos a cada 15 dias em São Paulo e não voltar com rolos gigantes, e sim, trazer mais opções de tecidos em menor quantidade. “As pessoas reclamam muito que é comum sair e encontrar pessoas com roupas bem parecidas. No caso de estampas, por exemplo, trago uma quantidade que rende um vestido e uma regata, no máximo, para fazer peças mais exclusivas e evitar o constrangimento das clientes de chegarem em uma festa e encontrar a amiga vestida igual”, disse a empresária.

Com seus fornecedores, consegue outro diferencial que impacta diretamente no preço final da roupa. Como exemplo ela cita o metro da renda guipir, que no mercado é encontrada em média por R$ 300 o metro e ela consegue fazer a R$ 96. “Trabalho com uniformes, roupas de festa, casual, por isso tenho que disponibilizar de malharia a tecido plano”, afirma Ulissandra.

O serviço de consultoria permite que a pessoa chegue na loja, escolha o tecido, tire as medidas e já esteja com a peça escolhida em aproximadamente uma semana. É tudo feito no mesmo espaço que ainda passa por aprimoramento. “A reta final na faculdade tem me tomado muito tempo, mas com certeza é algo que vai valer a pena”, disse Ulissandra.

Ela tem marcado presença com sua marca em eventos como o “Bazar dos Blogueiros”, que aconteceu nesta semana em Uberlândia, como forma de dar mais visibilidade a seus trabalhos. Suas produções estão também em lojas das cidades de Centralina e Monte Alegre, ambas no interior mineiro.

NOVIDADE

Sutiã adesivo produzido em Uberlândia é exportado para todo o país

O body, criação de Ulissandra, sem o incômodo das alças do sutiã / Foto: Adreana Oliveira

Outra novidade que vem da Rosakabana é um produto essencial para as mulheres no dia a dia, a roupa íntima. Porém, o sutiã aderente, ideal para usar com roupas que deixam os ombros ou as costas à mostra, é o que tem chamado mais atenção onde ela apresenta a novidade.

Versões desse tipo já são encontrados no mercado há algum tempo, porém, a reclamação de quem usa está muito relacionada a qualidade e durabilidade. Alguns desses produtos são praticamente descartáveis. Há aproximadamente quatro anos a empresa do marido de Ulissandra Silva, Milton Nascimento, iniciou um estudo com essas peças.

“E foi com a cola importada dos Estados Unidos que conseguimos um produto durável, que pode e deve ser lavado e tem uma aderência que permite liberdade nos movimentos da mulher. Outros modelos geralmente trazem cola da China. A procura está grande e além dos Estados Unidos estamos em negociação com um fornecedor dessa cola também na Alemanha. Tem ainda a vantagem de não ter o incômodo de alças aparecendo quando não devem”, explica Ulissandra. O produto já tem até garota propaganda, a modelo e apresentadora Juju Salimeni.

A partir do sutiã, eles tiveram a ideia de fabricar também biquínis que têm chamado a atenção onde a empresária usa a peça. “As mulheres ficam muito curiosas, às vezes olham e estou de costas e pensam que estou sem o biquíni e quando veem gostam da ideia”, conta. Os sutiãs estão disponíveis em numeração variada nas cores nude, branco, preto e rendado. O biquíni vem em versões estampadas. Outro produto também desenvolvido por eles são as calcinhas sem ligas laterais, ideais para se usar com tecidos illusion nas laterais. “As modelos estão adorando esta ideia”, diz Ulissandra.

O sutiã já é vendido para grandes marcas brasileiras. Porém, em Uberlândia, sai bem mais em conta. Enquanto com uma marca de circulação nacional é vendido por R$ 99,90, o modelo mais tradicional em Uberlândia sai na faixa dos R$ 69. “Trabalhamos muito com pesquisa e estamos buscando uma fórmula para uso exclusivo para mães que estão amamentando”, adianta a empresária.


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