09/05/2017 às 10h15min - Atualizada em 09/05/2017 às 10h15min

Leo Chaves em uma nova missão de vida

Músico realiza palestras sobre inteligência multifuncional, entre outros assuntos, nesta noite no Municipal

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Da Redação
Leo Chaves afirma que foi “puxado” para o universo das palestras

O Leo Chaves cantor e compositor, ao lado do irmão na dupla Victor & Léo, muita gente conhece. Em uma trajetória iniciada em 1992, os mineiros, aos poucos, foram conquistando o Brasil. Mas o Leo Chaves empreendedor, palestrante e um estudioso de assuntos relacionados para a inteligência emocional são outras facetas do músico que têm ganhado força. Hoje,às 19h, no Teatro Municipal, em Uberlândia, ele realiza a palestra “O que os palcos não contam” e espera impactar e motivar o público presente. Você confere uma entrevista do artista concedida por e-mail ao jornal Diário do Comércio na última semana.

DIÁRIO DO COMÉRCIO: O que foi que te motivou a ir para um palco agora em uma função diferente do cantar?

LEO CHAVES: Entendo essa nova função como uma nova missão em minha vida. Brinco que fui puxado para esse universo de palestras, do qual jamais imaginei que faria parte. Quando comecei nos últimos anos estudos voltados para inteligência emocional, PNL (Programação Neurolinguística), gestão emocional e inteligência multifocal, percebi o impacto positivo em minha vida. Resolvi ampliar isso para a sociedade, e a forma mais ampla foi a educação, com o Instituto Hortense, que tem o objetivo de fortalecer habilidades sócio emocional no cenário educacional. Comecei a receber convites para palestrar abordando temas educacionais, motivacionais, relacionados com QE (quociente emocional), me apaixonei pela arte de provocar, impactar e motivar o ser humano através de minhas histórias e estudos.

 

Como você avalia essa nova etapa até o momento?
 

Tenho feito palestras para um público educacional, para executivos num ambiente corporativo, públicos variados, e o feedback tem sido positivo. Quando divido as minhas histórias baseadas no antes e depois do sucesso, quais foram as dificuldades em cada um desses momentos e como eu as enfrentei, quais os recursos eu usei, quais eu adquiri pra enfrentar isso tudo, as pessoas se emocionam, fazem reflexões e analogias com a própria vida, com o próprio contexto em que vivem. Além disso, tenho me realizado nesse caminho. As pessoas se surpreendem quando eu começo a falar de assuntos como inteligência emocional, filosofia, PNL, gestão da emoção, contexto educacional, porque todo mundo imagina que eu vou subir no palco e falar de música, de prêmios, CDs, DVDs, histórias de shows, e não me limito a isso. É um desafio enorme, que se traduz em descobertas e aprendizados todos os dias, e isso me fascina.

Você fala muito de bastidores, das dificuldades enfrentadas por Victor & Leo até chegarem ao estrelato... Em algum momento vocês quase desistiram e o que fez com que mudassem de ideia?

Houve fases diversas em minha caminhada profissional, muitas delas com obstáculos, dificuldades, os nãos da vida. Entre muitos, cito um momento em São Paulo, onde tudo parecia desabar. Estávamos sem dinheiro, sem trabalho e sem perspectivas. Pensei de fato em largar tudo. Existem pessoas que, no momento certo, aparecem e te dão o empurrão necessário para balançar o motor e acelerar novamente. O combustível foi fé, e foi suficiente para retomar tudo e seguir. Essa pessoa foi a Irmã Hortense (1924-2012), a quem homenageio intitulando o Instituto com seu nome.

 

É fácil se deslumbrar e perder o controle com tudo que cerca o show business se o artista não for uma pessoa equilibrada?

Essa é a lógica, tive a oportunidade e tenho até hoje de conviver com celebridades, ou até mesmo pessoas que conseguiram expressão social, status na vida profissional. A escravidão é comum, necessidade de ser o centro das atenções, de ter razão, de ter controle sobre tudo e todos. Algo que nasce a partir de uma blindagem ilusória, estimulada e alimentada pelo assedio, culto à celebridade, massageamento de ego e vaidade. Quando você acorda, se tornou uma estátua antes mesmo de morrer. Uma estátua é vazia, quando cai quebra, e aí vem as fugas, drogas, bebidas, depressões, transtornos emocionais diversos e, em alguns casos, até mesmo tiram a própria vida, simplesmente por terem abandonado o mundo mais encantador que se pode ter, o mundo interno de cada um. A busca pelo auto-conhecimento, auto-conexão, se encarar, se aceitar como um ser humano normal, cidadão que acorda todos os dias para matar um leão, enfrentar um novo desafio pode ser a vacina.

Alguns astros em suas biografias citaram que ao atingir o sucesso se sentiram abandonados pelos verdadeiros amigos que não entendiam a nova fase. Em alguns casos, esses amigos foram barrados por assessores e pessoas da equipe da gravadora. Para você, a criação que teve em família, as amizades verdadeiras são um porto-seguro? É possível, nesse meio, também fazer amigos para toda a vida?

Existe, sim, um certo comportamento de proteção exagerada, com o intuito de preservar a imagem, proteger. Mas, quando se entende que ninguém é melhor que ninguém, por posição social, que amanhã qualquer um de nós pode ter que encarar o desafio da morte, e se dar conta, que somos iguais, seguindo o mesmo caminho, essas ilusões caem por água abaixo. Não acredito que a responsabilidade nesses casos seja das pessoas em torno do artista. Eu tenho a capacidade de administrar esse contexto, a partir do momento que aceito e busco a consciência, para sair do buraco. Tudo começa comigo, não dá para transferir essa responsabilidade. As amizades, a família, podem sim ser a mão para te tirar dos piores buracos na vida.

 

Músicos de diferentes estilos têm "tirado o chapéu" para os sertanejos na forma como conduzem suas carreiras. Quando foi que você percebeu que além da arte, do cantar, interpretar, compor e tocar teria também que ser um homem de negócios para ter uma carreira sólida e longa?

Sempre tive espírito empreendedor, mesmo antes do sucesso. Administramos nossa carreira 15 anos, até o sucesso, fazíamos isso sozinhos, planejamento, decisões, administração, execução e projetos. Hoje, estou à frente do Grupo Chaves, que tem outros braços, como agronegócio, mas entendo que uma equipe pode ser o pilar de qualquer negócio bem-sucedido.

SERVIÇO
O QUE: Palestra "O que os palcos não contam"
QUEM: Léo Chaves
Quando: Hoje, às 19h
ONDE: Teatro Municipal de Uberlândia (Av. Rondon Pacheco, 7.070)
INGRESSOS: www.megabilheteria.com - 1º lote: R$ 150
INFORMAÇÕES: 3235-1568

 


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