05/05/2017 às 09h52min - Atualizada em 05/05/2017 às 09h52min

“Martírio” terá sessões na UFU hoje e amanhã

DA REDAÇÃO COM AGÊNCIA ESTADO | SÃO PAULO
Filme do diretor Vincent Carelli retrata realidade dos Kaiowás

O documentário “Martírio”, de Vincent Carelli, será exibido hoje, às 19h, e amanhã, às 15h, no auditório 5S do Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). As sessões fazem parte do Cineclube UFU. O filme foi exibido no mês passado em 30 salas de cinema no Brasil e traz quase três horas de imagens e informações fortes. “Martírio” talvez seja mais uma grande reportagem do que um grande filme.

Carelli, que assina o filme com Ernesto de Carvalho e Tati Almeida, é cineasta e indigenista. Dirige o programa “Vídeo nas Aldeias”, que forma cineastas indígenas. Há anos, realizou “Corumbiara”, que venceu o Festival de Gramado. Fez na sequência “Martírio”, que ganhou o prêmio do júri em Brasília no ano passado. Ambos integram uma trilogia com “Adeus, Capitão”, que ainda está em processo.

No início um letreiro informa que “Martírio” foi produzido pela sociedade civil brasileira. O tema é a luta dos guaranis-caiowás pela retomada de suas terras. Carelli ouve os índios, ruralistas, vai ao Congresso brasileiro. O filme faz o que o jornalismo tem de fazer - dá a palavra a todo mundo, mas tem um partido e Carelli deixa claro. "É a história do Brasil da perspectiva dos índios."

O filme vai à origem do imbróglio. Um texto antigo, da época do Império, que se refere às terras dos índios como “devolutas”. Tudo começou na Guerra do Paraguai e prossegue, até hoje, nessa outra guerra com o agronegócio, que não reconhece a legitimidade da luta dos guaranis-caiowás. Ruralistas falam em índios paraguaios, dizem que não pertencem às terras em litígio. Os caiowás fazem narrativas orais, mostram seus cemitérios. Carelli diz que fez “Martírio” para esclarecer esse drama. 


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