26/04/2017 às 08h28min - Atualizada em 26/04/2017 às 08h28min

Novo comando muda rotina de trabalho da corporação

Medidas visam aumentar eficiência e reduzir índices de criminalidade

Walace Torres - editor
Da Redação
Coronel Cláudio Vitor assumiu o comando da 9ª RPM

Desde o fim do ano passado, o setor empresarial tem se queixado com frequência do aumento da criminalidade em Uberlândia. Essa sensação é compartilhada com o novo comandante da 9ª Região de Polícia Militar, que atende Uberlândia e outros 17 municípios. Com 27 anos de Polícia Militar, dois quais 23 com atuação em Belo Horizonte, o coronel Cláudio Vitor percebeu a necessidade de fazer algumas mudanças na rotina de trabalho das companhias e batalhões. Com três meses no comando a serem completados esta semana, ele conta que já conseguiu estabilizar as estatísticas e agora começa a perceber uma queda na quantidade de ocorrências registradas.

Na semana passada, ele foi convidado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) a fazer uma palestra para os empresários e falar dessas atuações na cidade. O Diário do Comércio acompanhou o encontro e, na sequência, também conversou com o comandante.

 

Diário - O que o senhor mudou na PM em Uberlândia desde a sua chegada, em janeiro?

 

Cel. Cláudio Vitor - Primeiramente, a gente fez uma alteração nas escalas de serviço para aumentar o número de policiais na rua, respeitando o horário de trabalho; recebemos viaturas terceirizadas potencializando nossa frota de polícia em razão da logística, que estava precária; estamos agora com a formação de 168 policiais militares para aumentar esse efetivo e trabalhar a parte de prevenção e repressão; estabelecemos novas rotinas com relação ao emprego de viaturas, com mapeamento de ZQC (Zona Quentes de Criminalidade), cartão-programa, ponto-base, operações de natureza qualificada focando exatamente naqueles locais e buscando aquelas pessoas que precisam ser retiradas de circulação, de modo que estamos conseguindo um resultado bastante efetivo.

 

Esses novos policiais, que começam dia 28 de abril, são para Uberlândia somente?

 

São para a 9ª Região, mas isso já nos dá um suporte muito grande pois a maioria ficará em Uberlândia em razão da demanda maior.

 

O efetivo de 2,2 mil policiais para a região, sendo 1,3 mil para Uberlândia, é suficiente para atender as necessidades?

 

Dentro da nossa lógica de emprego de policiamento não é o ideal, mas é razoável. A gente sabe das dificuldades que o Estado tem enfrentado e mesmo assim o Governo tem autorizado a contratação de novos policiais.

 

Como está a previsão de implantação das bases comunitárias móveis para atender os bairros, que foi anunciada para Uberlândia durante a visita do governador?

 

Esse é um projeto de governo, anunciado pelo governador durante a entrega de viaturas, e a perspectiva é para o segundo semestre deste ano.

 

Todas as 16 bases funcionando?

 

A perspectiva é essa. Já temos o processo de aquisição de, pelo menos, três bases. Temos outras que já estavam aqui e começamos a implantar no segundo semestre.

 

Essas bases móveis são mais eficientes do que os antigos postos de policiamento nos bairros?

 

Claro. Com elas, você evita de ter o aquartelamento, o policial preocupado em cuidar do quartel, e tem ainda a viatura que pode se movimentar para qualquer lugar. Então você cria pontos de referência dentro do bairro, nos setores, e você tem o mesmo atendimento do posto físico. E tem ainda o suporte das motos para fazer a parte de prevenção.

 

Hoje há uma reclamação grande do setor empresarial, e do comércio em geral, em relação ao aumento de criminalidade. Esse índice realmente aumentou?

 

Sim, nós começamos a perceber um aumento do fim do ano passado pra cá. Quando eu cheguei estava num processo de subida desses índices, no mês de março conseguimos estabilizar e agora estamos numa trajetória de queda.

 

E o que está sendo feito para reduzir esses índices?

 

Mapeamos os locais, identificamos quais eram os modus operandi dos principais marginais, estamos trabalhando juntamente com o Ministério Público, Polícia Civil, o Gaeco, para fazer as intervenções e retirar essas pessoas de circulação. Isso já tem dado resultado.

 

A Prefeitura chegou a estudar a implantação da Guarda Municipal em Uberlândia. Na avaliação da Polícia Militar, a Guarda vem a somar com o trabalho policial ou não seria tão eficiente?

 

A Guarda Municipal voltada na sua concepção para a guarda de prédios públicos, escolas, praças, postos de saúde, agrega bastante. O que não pode haver é sobreposição de esforço de Guarda Municipal com Polícia Militar. Isso não pode acontecer. Agora, nós sabemos das dificuldades financeiras de todos os entes federados - União, Estado e Município – e segurança é algo extremamente caro. É uma questão de avaliação do Município de Uberlândia se quer efetivamente trabalhar com a criação de uma Guarda Municipal. Toda atividade de segurança que for bem estruturada e seguir padrões éticos, legais e morais que possam agregar segurança à comunidade serão muito bem-vindos.

 

E com relação a integração das polícias, é o melhor mecanismo?

 

A integração já existe, até pela própria RISP, que é a Região Integrada de Segurança Pública, onde temos no mesmo prédio a Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, além dos fóruns regionais que foram criados pelo Governo do Estado. Já a unificação é outro tema. Temos tido o suporte da Polícia Civil dentro do que é possível, pois eles também têm as suas dificuldades. Sobre o ponto de vista de relacionamento e integração, temos hoje essa integração em alto nível. Até mesmo com a própria Ficco – Força Integrada de Combate ao Crime Organizado – da qual a PM faz parte juntamente com a Polícia Civil, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Posso dizer com muita tranquilidade que a integração aqui [em Uberlândia] é muito melhor do que em Belo Horizonte.

 

Algum outro ponto precisa ser melhorado na área de segurança em Uberlândia, que é uma cidade polo, um corredor de passagem para outras regiões e tem aqui um alto índice de criminalidade e tráfico de drogas?

 

O que podemos fazer e já está sendo trabalhado é a realização de TCO - Termo Circunstanciado de Ocorrência – pela Polícia Militar, ou seja poder manter a viatura naquele setor de patrulhamento naqueles crimes de menor potencial ofensivo. Hoje, pra tirar o policial do bairro Luizote para atender uma ocorrência lá no Umuarama perde-se uma, duas horas até que a viatura seja liberada. Com o TCO eu consigo manter a polícia no bairro, mais próxima do cidadão para aqueles crimes de menor potencial ofensivo. Das 18 cidades da nossa região, já fazemos o TCO em 17. Só Uberlândia que ainda não estamos fazendo de forma ampla, mas já estamos começando a tratar desse assunto.


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