06/04/2017 às 09h38min - Atualizada em 06/04/2017 às 09h38min

“A qualquer custo”

Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, perderam a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se reestabelecerem financeiramente. Só que no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los.

Esta é a premissa da trama de "A qualquer custo", um dos filmes indicados ao Oscar de 2017. O roteiro escrito por Taylor Sheridan mostra uma espécie de crítica ao sistema bancário das pequenas cidades do Texas que durante anos exploraram a população local, concentrando a riqueza nas mãos de poucos e deixando a maioria da população em dívidas e esquecidas pelo poder público. A história mostra uma problemática bastante interessante e nos apresenta uma situação que está longe do desenvolvimento dos grandes centros norte americanos, como Nova York por exemplo.

E o diretor David Mackenzie soube bem como explorar esse debate nos apresentando aos protagonistas do filme que na verdade são os anti-heróis, mas que representam a revolta e a coragem das pessoas simples que são incapazes de fazer o que eles decidem fazer: roubar os bancos destas pequenas cidades. Mackenzie explora bastante a vida nestes pequenos vilarejos no meio do nada, com paisagens que mostram o quão isoladas da modernidade estes moradores estão.

Como se fosse uma espécie de faroeste moderno, o longa nos traz uma boa interpretação de Jeff Bridges, que foi indicado ao Oscar de coadjuvante, mas que repete praticamente o mesmo papel de “Bravura indômita” e “Coração louco”. Outro ótimo ator que está na produção é Ben Foster que também parece ter encarnado os mesmos papéis anteriores de filmes como “Os Indomáveis”, ou seja, o personagem louco e inconsequente. Mesmo assim estas observações não tiram o mérito destes atores, mas não justificam a indicação ao Oscar de Bridges.

Digamos que o único ator que foge do comum é Chris Pine que pela primeira vez na história da carreira dele sai de atuações aventureiras como o capitão Kirk de “Star Trek” para interpretar um ladrão cowboy, com um tom mais sombrio, que agrada bastante.

O filme também traz uma boa trilha sonora composta por Nick Cave e Warren Ellis, com canções típicas do bom e velho faroeste.

O problema de "A qualquer custo" é não aproveitar mais o potencial que tinha com essa temática interessante. O filme tem a narrativa arrastada em alguns momentos e mesmo com apenas 1h40min se torna um pouco cansativo. Isso não quer dizer que o filme seja ruim, pelo contrário. Mas só não entendi até agora o porquê das três indicações que teve ao Oscar.

Nota 7


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