04/04/2017 às 08h16min - Atualizada em 04/04/2017 às 08h16min

Novas regras para rotativo do cartão entram em vigor

VINÍCIUS ROMARIO | REPÓRTER

As novas regras para o uso do cartão de crédito já estão em vigor. A partir desta semana, os bancos estão proibidos de deixar o cliente no rotativo por mais de um mês. Com isso, quando o usuário opta por fazer o pagamento mínimo da fatura, essa opção não poderá ser repetida na próxima cobrança. Agora, ou a pessoa quita o saldo devedor nos próximos 30 dias ou o banco será obrigado a oferecer opção de parcelamento a partir do mês seguinte. A pessoa também pode fazer o pagamento à vista do valor integral a qualquer momento. O banco poderá deixar automaticamente inadimplente a pessoa que não aceitar o parcelamento ou aceitar e não cumprir.

 

O saldo pendente poderá ser parcelado em até 24 vezes e os novos juros variam entre 0,99% e 10% ao mês. No rotativo, a taxa de juros girava em torno de 16% ao mês. A intenção do Governo com essa mudança é evitar a inadimplência e endividamento dos brasileiros.

 

De acordo com o economista Fábio Machado, as mudanças são benéficas para o brasileiro, mas ainda não é o ideal. “O certo é o brasileiro parar de usar o limite do cartão como complemento da renda. A pessoa teria uma saúde financeira maior se fizesse dívidas com base na renda que tem”, disse.

 

No cenário antigo, Fábio Machado explica que, se a pessoa tivesse uma dívida no cartão de crédito no valor de R$ 1 mil e optasse por pagar somente o mínimo da primeira fatura que seria de R$ 150, ao fim de 12 meses, a dívida total seria de aproximadamente R$ 2.580. Agora, com esse mesmo exemplo e trabalhando as novas taxas de juros, ao longo de 12 meses o valor seria de cerca de R$ 1.870.

 

“Fica claro que a situação melhora para o usuário de cartão de crédito. Mas a melhor opção seria: a pessoa viu que as taxas de juros do cartão irão trazer um aumento elevado para a dívida, que busque outras opções para fazer o pagamento integral daquele valor, como o crédito consignado ou o refinanciamento do veículo, por exemplo”, afirmou Fábio Machado.

 

Ainda de acordo com ele, essas opções possibilitam taxas de juros mais baixas e parcelamento maior. “No crédito há possibilidade do parcelamento em até 72 vezes e com juros entre 1,5% e 3%. Já um refinanciamento do veículo possibilita parcelamento em até 48 vezes e com juros entre 1,5% e 2%. Opções melhores que as oferecidas pelos bancos”, afirmou.

 

USUÁRIOS

 

 

Segundo estimativa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o País fechou 2016 com 58 milhões de pessoas inadimplentes. Para o economista Fábio Machado, as novas regras de cobrança e uma mudança no hábito de uso do cartão de crédito podem ajudar a diminuir esse número. “A pessoa faz a dívida, mas quando a fatura chega, paga somente o valor mínimo e a situação se torna a famosa bola de neve”, afirmou.

 

Foi justamente o que aconteceu com a recepcionista Maraísa Ketny. Ela conta que há três meses fez uma dívida e optou pelo pagamento do valor mínimo da primeira fatura. “Achei que no próximo mês conseguiria me regularizar, mas como o total subiu, também tive que fazer o pagamento mínimo. A partir do terceiro mês não consegui mais pagar”, disse.

 

A solução, segundo ela, foi fazer um acordo com banco. “Agora o cartão está bloqueado até que eu quite o total. Dei azar que não consegui me enquadrar nessa mudança. Só voltarei a usar cartão de crédito em caso de emergência”, ressaltou.

 

A auxiliar de serviços gerais Maria de Lourdes Nascimento de Oliveira também está inadimplente devido ao uso do cartão de crédito. “Emprestei para o meu filho e achei que ele estava quitando as faturas. Mas, após três meses, descobri que não. Agora, com esses juros altos, tento um acordo com banco para regularizar minha situação”, disse.

 


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