27/03/2017 às 08h49min - Atualizada em 27/03/2017 às 08h49min

O impacto do planejamento na qualidade de vida

Papel dos arquitetos e urbanistas é vital no desenvolvimento das cidades

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
MAK CEZAR/DIVULGAÇÃO. Casa C&D, projetada por Diego Alcântara, participou de concurso internacional

Do momento em que acordamos até a hora de dormir podemos nem lembrar, mas estamos ali, envoltos nos trabalhos de arquitetos e urbanistas. Eles fazem mais parte do nosso dia-a-dia do que qualquer outro profissional, ou, pelo menos, deveriam fazer. O setor, que não ficou imune à crise que assola o País, começa a dar sinais de recuperação e Uberlândia tem um dos cursos mais bem avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) e conta com trabalhos de destaque de arquitetos dedicados e apaixonados pela profissão.

“O arquiteto é o projetista do que chamamos ambiente construído que tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas”, diz o professor e atual diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade Federal de Uberlândia (Faued/UFU), Fernando Garrefa.

A profissão exige dedicação estudo e principalmente respeito pelo planejamento urbano da cidade. “Trabalhamos primeiro com a funcionalidade dos espaços que têm que ser adequados ou, logo, estarão sujeitos a adequações ou, como costumamos dizer, ‘gambiarras’. Um corredor estreito, mal ventilado e mal iluminado, ou seja, cheio de disfunções, não serve para seu propósito”, afirma Garrefa.

A questão estética está diretamente ligada ao bem-estar das pessoas. “Há estudos que comprovam que funcionários de instituições públicas ou privadas instalados em um local bem projetado são menos suscetíveis ao mau humor. Um ambiente acolhedor, construído dentro do que chamamos de boa arquitetura, leva a melhora na qualidade do atendimento e torna os funcionários mais motivados. Temos uma disciplina chamada Psicologia Ambiental na qual abordamos assuntos como este”, afirma o professor.

Graduado pela UFU, o arquiteto Diego Alcântara, com oito anos de mercado, participou recentemente de um concurso que reuniu quase mil obras construídas nos países de língua portuguesa, o primeiro prêmio Obra do Ano (ODA´174), do site “ArchDaily”, considerado o site de arquitetura mais visitado do mundo. Mesmo não estando entre os 15 finalistas, ele já se considera satisfeito com a classificação do projeto Casa D&C, sua residência na zona Sul de Uberlândia.

“Fiquei muito feliz em ter a obra da Casa D&C publicada no site ArchDaily, e talvez até surpreso em ver o projeto concorrendo a melhor obra do ano 2017. Ver minha obra publicada junto com vários projetos de grandes arquitetos mundiais é uma grande oportunidade para expor meu trabalho. Apesar de não estar entre os 15 finalistas, afinal estava concorrendo com grandes escritórios como Metro Arquitetos, StudioMK27, Isay Weinfeld, etc, o retorno das pessoas que votaram foi positivo e essa é a maior gratificação”, afirma.

PRESSA X PERFEIÇÃO

Alcântara fez 32 estudos preliminares antes de chegar ao resultado final do projeto classificado para o concurso do Arch Daily e a esposa colaborou também. “Ela é minha parceira para tudo. Em nenhum outro projeto para clientes elaborei tantos estudos. Acredito que foi devido a liberdade de criação, o que é muito bom para qualquer artista e profissional. Mas projetar para si é uma autocrítica constante porque surgem sempre novas ideias e soluções diferentes para um mesmo problema e aquele desejo de que poderia ter feito algo diferente. Encaro como um laboratório, para desenvolver e vivenciar pessoalmente o que funciona ou não, o que é prático, funcional e realmente sustentável”, disse o arquiteto que desenvolveu uma bela e funcional casa em pouco mais de 200m quadrados no qual vive com a mulher e os três filhos.

O sucesso do projeto dá-se pelo planejamento cuidadoso. E tal cuidado não deve ser aplicado em todo projeto, seja ele de uma mansão em um condomínio horizontal ou em cum conjunto habitacional. O professor Fernando Garrefa afirma que seria possível, com o mesmo investimento, ter projetos muito melhores para os conjuntos habitacionais para pessoas de baixa renda. “Como a preocupação dos governos geralmente é com o déficit habitacional eles estão preocupados em fazer o maior número de casa em menos tempo, deixando, muitas vezes, de lado, a qualidade o que gera projetos desleixados e pouco funcionais para a população”, explica.

ARQUITETURA E URBANISMO

O impacto do planejamento na qualidade de vida

Papel dos arquitetos e urbanistas é vital no desenvolvimento das cidades

Do momento em que acordamos até a hora de dormir podemos nem lembrar, mas estamos ali, envoltos nos trabalhos de arquitetos e urbanistas. Eles fazem mais parte do nosso dia-a-dia do que qualquer outro profissional, ou, pelo menos, deveriam fazer. O setor, que não ficou imune à crise que assola o País, começa a dar sinais de recuperação e Uberlândia tem um dos cursos mais bem avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) e conta com trabalhos de destaque de arquitetos dedicados e apaixonados pela profissão.

“O arquiteto é o projetista do que chamamos ambiente construído que tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas”, diz o professor e atual diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade Federal de Uberlândia (Faued/UFU), Fernando Garrefa.

A profissão exige dedicação estudo e principalmente respeito pelo planejamento urbano da cidade. “Trabalhamos primeiro com a funcionalidade dos espaços que têm que ser adequados ou, logo, estarão sujeitos a adequações ou, como costumamos dizer, ‘gambiarras’. Um corredor estreito, mal ventilado e mal iluminado, ou seja, cheio de disfunções, não serve para seu propósito”, afirma Garrefa.

A questão estética está diretamente ligada ao bem-estar das pessoas. “Há estudos que comprovam que funcionários de instituições públicas ou privadas instalados em um local bem projetado são menos suscetíveis ao mau humor. Um ambiente acolhedor, construído dentro do que chamamos de boa arquitetura, leva a melhora na qualidade do atendimento e torna os funcionários mais motivados. Temos uma disciplina chamada Psicologia Ambiental na qual abordamos assuntos como este”, afirma o professor.

Graduado pela UFU, o arquiteto Diego Alcântara, com oito anos de mercado, participou recentemente de um concurso que reuniu quase mil obras construídas nos países de língua portuguesa, o primeiro prêmio Obra do Ano (ODA´174), do site “ArchDaily”, considerado o site de arquitetura mais visitado do mundo. Mesmo não estando entre os 15 finalistas, ele já se considera satisfeito com a classificação do projeto Casa D&C, sua residência na zona Sul de Uberlândia.

“Fiquei muito feliz em ter a obra da Casa D&C publicada no site ArchDaily, e talvez até surpreso em ver o projeto concorrendo a melhor obra do ano 2017. Ver minha obra publicada junto com vários projetos de grandes arquitetos mundiais é uma grande oportunidade para expor meu trabalho. Apesar de não estar entre os 15 finalistas, afinal estava concorrendo com grandes escritórios como Metro Arquitetos, StudioMK27, Isay Weinfeld, etc, o retorno das pessoas que votaram foi positivo e essa é a maior gratificação”, afirma.

PRESSA X PERFEIÇÃO

Alcântara fez 32 estudos preliminares antes de chegar ao resultado final do projeto classificado para o concurso do Arch Daily e a esposa colaborou também. “Ela é minha parceira para tudo. Em nenhum outro projeto para clientes elaborei tantos estudos. Acredito que foi devido a liberdade de criação, o que é muito bom para qualquer artista e profissional. Mas projetar para si é uma autocrítica constante porque surgem sempre novas ideias e soluções diferentes para um mesmo problema e aquele desejo de que poderia ter feito algo diferente. Encaro como um laboratório, para desenvolver e vivenciar pessoalmente o que funciona ou não, o que é prático, funcional e realmente sustentável”, disse o arquiteto que desenvolveu uma bela e funcional casa em pouco mais de 200m quadrados no qual vive com a mulher e os três filhos.

O sucesso do projeto dá-se pelo planejamento cuidadoso. E tal cuidado não deve ser aplicado em todo projeto, seja ele de uma mansão em um condomínio horizontal ou em cum conjunto habitacional. O professor Fernando Garrefa afirma que seria possível, com o mesmo investimento, ter projetos muito melhores para os conjuntos habitacionais para pessoas de baixa renda. “Como a preocupação dos governos geralmente é com o déficit habitacional eles estão preocupados em fazer o maior número de casa em menos tempo, deixando, muitas vezes, de lado, a qualidade o que gera projetos desleixados e pouco funcionais para a população”, explica.

RANKING

Curso da UFU é o terceiro melhor em avaliação do MEC

 

DIVULGAÇÃO: Fernando Garrefa é diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFU

Aprovado em 1995 e implantado em 1996, o curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Uberlândia é o terceiro melhor segundo o MEC, via Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que avalia o rendimento dos concluintes dos cursos de graduação, em relação aos conteúdos programáticos, habilidades e competências adquiridas em sua formação. À frente da UFU estão somente Universidade Federal de Goiás (UFG), em primeiro lugar, e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Isso em um universo que, no final de 2015, segundo dados do MEC, contava com 466 cursos em 210 cidades.

Segundo o diretor da Faued/UFU, Fernando Garrefa, o índice de evasão é baixo no curso, que está na 24ª turma, uma média entre quatro e cinco desistências por ano em um universo de 250 alunos. Garrefa afirma que o mercado local começa a dar indícios de retomada. “Em meio a uma crise, o setor da construção civil e arquitetura é o primeiro a sentir o impacto. Em 2014 houve muita demanda e os escritórios não conseguiam dar conta do trabalho. Nosso programa de mestrado, por exemplo, foi pouco procurado porque não era viável financeiramente para os arquitetos deixarem os escritórios. Em 2015 e 2016 as coisas mudaram e muitos voltaram a lecionar porque a procura por seus serviços nos escritórios diminuiu. Agora, pelo que converso com ex-alunos, já existe um sinal de retomada. Tenho um colega que deixou de lecionar na rede particular para dedicar-se ao escritório, por conta da demanda”, explica o diretor.

Garrefa conta ainda que a universidade tem projetos sociais no bairro Shopping Park e em breve terá uma assistência técnica gratuita pública para quem não pode pagar um arquiteto. “Trabalhamos junto ao setor público e cobramos, por meio do Conselho, valorização e principalmente sobre conscientização porque nesta área a informalidade ainda é muito grande”, comenta.

Diego Alcântara é otimista quanto ao mercado local porque, para ele, Uberlândia é uma cidade com potencial de desenvolvimento, possui ótimos arquitetos, mas ainda falta o reconhecimento da sociedade sobre importância do trabalho do arquiteto e urbanista. “O trabalho do arquiteto não é só desenvolver uma fachada bonita para um prédio ou residência. É engraçado defendermos um melhor habitat para os animais, que proporcione bem-estar, alimento, água limpa e sustentabilidade e esquecermos o nosso habitat, do nosso meio ambiente, onde nos alimentamos, dormimos, locomovemos, convivemos, etc, na maioria dos casos a Cidade. A sociedade tem que compreender que é papel do arquiteto criar soluções que torne esse habitat humano mais social, harmônico, limpo e sustentável. Portanto pensou em construir? Contrate um arquiteto”, destaca.

ENERGIA ALTERNATIVA

Para Diego Alcântara, eficiência energética é a ação mais sustentável e econômica para ser introduzida a um projeto, seja industrial, comercial, rural ou residencial. “Felizmente a produção da própria energia através de placas fotovoltaicas vem ganhando força e pode ser encontrada em vários imóveis pela cidade. Acompanhei, em 2014, juntamente com a empresa E-sol, a instalação de mais de 100 placas fotovoltaicas em um projeto que elaborei em uma multinacional no ramo de Energia no setor Industrial. A partir daí venho defendendo e desenvolvendo a inclusão da energia fotovoltaica em meus projetos”, revela.

 

ARQUITETURA E INTERIORES

Reconhecimento da profissão veio com o tempo

DIVULGAÇÃO: Manuela Godoy é da primeira turma de Arquitetura e Urbanismo da Unitri

Manuela Godoy é da primeira turma do curso de Arquitetura e Urbanismo de Uberlândia, formado no Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e quando começou a atuar no mercado, há 17 anos, a realidade era outra. “Na época havia poucos arquitetos atuando na cidade e o cenário era bem diferente do atual. Nessa época a arquitetura era vista como algo muito caro e ao alcance de poucos. Depois que mais arquitetos foram se graduando a quantidade de profissionais no mercado aumentou da mesma forma que o entendimento das pessoas sobre a importância de se fazer um projeto tanto na estética quanto no planejamento dos espaços”, comenta.

Uma das novidades no panorama da cidade são os condomínios horizontais, que ganham cada vez mais a simpatia do uberlandense e investimentos. Para Manuela Godoy, a chegada deles levou às pessoas a se sentirem mais seguras morando em casas. “Isso realmente abriu muitas portas para os arquitetos dando mais visibilidade aos profissionais e ampliando bastante o mercado nesse segmento. Certamente o impacto foi muito positivo uma vez que trabalho focado exatamente na área residência”, afirma ela, que trabalha como arquiteta e designer de interiores.

Entre os clientes de projetos residenciais, a arquiteta afirma que é melhor trabalhar com quem já sabe o que quer. “Dessa forma começamos de forma direcionada a atender as necessidades já expostas pelo cliente. Quando ele não tem ideia do que quer, precisamos ajudá-lo a descobrir suas necessidades e expectativas em relação ao projeto. É bem subjetivo”, explica.

FEIRA

Expo Revestir traz tendências e é um termômetro para o mercado

Nessa profissão, como em outras, é muito importante se atualizar. Recentemente Manuela Godoy esteve na Expo Revestir, que comemorou a 15ª edição em São Paulo e é considerada a da arquitetura e construção. Além de trazer as tendências para o ano corrente, é um termômetro para o mercado. “Na feira podemos ver o que as marcas que já estão no mercado trazem de novo e se investiram em novos conceitos e tecnologia. A meu ver não houve muita inovação em termos de tecnologia mas as tendências dos revestimentos sempre nos surpreendem”, disse a arquiteta.

Ela percebe que os revestimentos estão cada vez em formatos maiores, mais resistentes e mais leves. E menos peso é importante tanto para transportar quanto para instalar. “Existe ainda uma forte tendência dos revestimentos em imitar as imagens da natureza - pedras, rochas, areia, madeira - e imitações cada vez mais reais do cimento queimado, aço cortem, etc”, afirma Manoela que ficou feliz ao ver uma empresa de Uberlândia, Cortes e Cores, de Bruno Medeiros, que trabalha com cortes a laser em chapas de aço, fazendo sucesso na feira.

Outra tendência são os revestimentos 3D tanto para espaços internos quanto para as fachadas. Segundo Manuela, os elementos vazados tipo cobogó (muito usados na década de 70) também estão cada vez mais presentes mas numa apresentação mais contemporânea.

 

VOCÊ SABIA?

Regulamentado em outubro de 2011, o Regime Diferenciado de Contratação (RDC), Lei nº 12.462, representa um avanço no modelo tradicional de licitações ao encurtar o tempo do processo e o custo dos projetos por adotar o critério de inversão de fases. Inicialmente utilizado para dar celeridade às obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos de 2016, o regime pode ser empregado hoje em todos os empreendimentos da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Para diretor da Faued/UFU, Fernando Garrefa, isso pode sair caro, sendo até uma inimiga da boa arquitetura. Basta olhar para os problemas amplamente divulgados pela mídia nas obras executadas para os dois mega-eventos.

 

 


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