22/03/2017 às 08h49min - Atualizada em 22/03/2017 às 08h49min

Fiéis aderem à penitência na Quaresma

PERÍODO DE QUARENTA DIAS SERVE DE REFLEXÃO, AJUDA NA CONVERSÃO E NA ESPIRITUALIDADE DOS CRISTÃOS

VINÍCIUS ROMARIO / REPÓRTER
Da Redação
Padre Claudemar Silva disse que Quaresmo propõe uma reflexão visando a melhoria sempre

Há cinco anos, o freelancer Emmanuel Gouveia pratica o ato de penitência durante a Quaresma. Em anos anteriores, deixou de comer chocolate, carne vermelha ou massas. Nesta Quaresma, Emmanuel decidiu que não iria frequentar festas. “Está sendo uma experiência nova, pois nunca tinha feito penitência pensando no meu lado espiritual e como pessoa”, afirmou.

Ainda segundo ele, a penitência serve para se tornar um ser humano melhor, com mais respeito e compreensão com o próximo.

Assim, como ele, tantos outros católicos aproveitam o período da Quaresmo para fazer algum sacrifício, ou seja, privar-se de algo que geralmente faz parte do cotidiano.

“A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas justamente para nos lembrar que do pó viemos e ao pó voltaremos. Mas também é tempo de buscar melhorias para nós mesmos e que o resultado se multiplique na sociedade”, disse o padre Claudemar Silva.

Tradição católica iniciada no século IV, a Quaresma é a designação do período de 40 dias que antecedem a principal celebração do Cristianismo: a Páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo.

É nesse período em que os fieis praticam jejum e penitência, que, de acordo com o padre Claudemar, ajudam na conversão e trabalham a espiritualidade dos cristãos.

“Nós também somos chamados a viver o período de jejum em que Jesus passou no deserto durante os 40 dias. Por isso, muitas pessoas deixam de comer carne na quarta e na sexta-feira durante a Quaresma. Já a penitência é a pessoa se propor a deixar de fazer algo para que ela tenha noção que pode se controlar, como muitos deixam de beber ou fumar”, afirmou o padre Claudemar.

Ainda segundo ele, a oração também é primordial para uma comunhão maior com Deus. “Temos que buscar isso sempre, para que não nos deixemos levar pela raiva, pela ira, ou por atos que desrespeitem a sociedade. Trabalhando esses pontos durante a Quaresma, poderemos levar exemplos melhores para toda a sociedade”, afirmou.

Ele disse também que esses atos extrapolam a religião. “Quando fazemos jejum ou penitência, podemos perder hábitos que nos faziam mal, ou mesmo que a pessoa retorne com esse hábito após a Quaresma, ele pode ser menor, o que já ajuda na saúde, como beber menos e fumar menos”, ressaltou.

“Reclamamos da corrupção em grande escala, mas fechamos os olhos para a pessoa que fura fila, que é imprudente no trânsito. Temos que refletir para melhorarmos sempre, e é isso que a Quaresma nos propõe”, frisou padre Claudemar.

 

DESDE A INFÂNCIA

Jornalista mantém tradição da família

 

ARQUIVO PESSOAL

Camila Kalil: “a ideia do sacrifício não é algo simbólico, mas real”

Como penitência nesta Quaresma, a jornalista Camila Fernandes Kalil não está comendo doces, massas e, segundo ela, tenta também não falar mal de ninguém. “Como católica, tenho essa tradição desde criança e toda a família também segue”, afirmou.

Camila também fala sobre como isso influencia na fé e em seu corpo. “Faço para mostrar que tenho controle, que não sou escrava alimentar. Em relação à minha fé, me faz relembrar o que Jesus passou no deserto e o porquê disso tudo. A ideia do sacrifício não é algo simbólico, que a gente faz em memória, é algo real e concreto. Quando tiramos algo que nos deslumbra demais ou nos empolga demais, colocamos o nosso corpo em equilíbrio e assim fica mais fácil de concentrar nos outros dois pilares da Quaresma: oração e caridade”, finalizou Camila.


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