07/03/2017 às 09h16min - Atualizada em 07/03/2017 às 09h16min

Um adeus de respeito em “Logan”

Hugh Jackman despede-se de Wolverine com filme no estilo road movie

AGÊNCIA ESTADO | SÃO PAULO
Logan/Wolverine (Hugh Jackman) em cena do filme que o ator esteve mais presente junto ao diretor

É difícil de esquecer. A voz de Johnny Cash ecoa por cenas de um deserto árido. Hugh Jackman logo surge na tela, novamente como Wolverine. Dessa vez, seu corpo está coberto por cicatrizes.

Grisalho, ele sangra e não parece se recuperar como outrora. O personagem, dono da habilidade de regenerar seu corpo, já não sofre para manter fechados os ferimentos das tantas e tantas batalhas. Wolverine está quebrado. Todos aqueles que um dia ele amou já foram.

Estamos no futuro, em 2029. Os mutantes, seres com mutações genéticas e poderes especiais tais quais Wolverine, estão quase extintos. Os X-Men, ali, já são uma lenda, histórias de quadrinhos que, segundo o próprio Wolverine, fogem da realidade. Ao fundo, a voz de Cash reverbera: "Hoje eu me cortei, para saber se ainda sinto dor". “Hurt”, música da banda pesada de rock industrial Nine Inch Nails, foi levada ao universo country dolorido de Cash já no fim da vida dele. Na trilha sonora do primeiro trailer de “Logan”, nome do último filme de Jackman como o personagem, o peso é enorme.

Wolverine, ou Logan, como o herói é conhecido pelos mais próximos, está só. Seus poderes não são mais os mesmos. É motorista de limusines durante dias e noites para pagar por remédios comprados ilegalmente para tratar da doença senil que afeta o professor Charles Xavier, a mente mutante mais poderosa do mundo, interpretado por um impressionante Patrick Stewart.

Levemente inspirado na HQ “Velho Logan”, o filme que marca a despedida de Jackman do mutante depois de 17 anos e 9 filmes, a mais longeva parceria entre um personagem e um ator.

Diferentemente dos outros longas, o ator se envolveu profundamente na trama desde a sua concepção. Disse que abandonaria Wolverine precocemente se a ideia de criar um filme adulto, com referências de faroestes clássicos, sobre mortalidade, família e segundas chances não fosse aceito pelo estúdio. O sinal verde foi dado, “Logan” é violento na medida que os fãs de Wolverine pediram desde o início.

ENTREVISTA

AGÊNCIA ESTADO: Você está vivendo uma rotina de estrela do rock, passando dois dias em casa país. É isso?

HUGH JACKMAN: Acho que sim! Mas estamos divulgando um road movie, que é um pouco o caso de “Logan”, então, acho que faz sentido. Estou filmando um musical no momento e consegui interromper tudo por duas semanas.

Ao dizer adeus ao Wolverine, será o adeus também dessa loucura de lançamentos gigantescos, blockbusters e viagens?

Acho que esse filme que estou fazendo agora também pode ser assim. Mas, entenda, eu não sei o que vem em seguida. E, de qualquer forma, eu adoro essas viagens. Eu as chamo de “viagens greatest hits”. Em cada lugar que eu passo, tenho uma equipe que me leva somente aos melhores restaurantes e bares. É ótimo.

 

Ajuda a aliviar o cansaço?

Sim. Preciso confessar que, quando eu era pequeno, meu sonho era viajar o mundo todo. Queria ser um cozinheiro de avião. Isso é maravilhoso. Questões como cansaço e fuso horário são problemas menores.

 

Dessa vez, você se aproximou bastante do diretor James Mangold desde a concepção do que seria esse novo filme do Wolverine. Nove filmes depois, por que esse?

Talvez eu estivesse mais confiante. Eu tinha uma linha muito clara do que eu queria, de como esse filme deveria ser. Era algo muito pessoal. É claro que muito muda desde a concepção do projeto, mais pessoas se envolvem. Hoje, aos 48 anos, aprendi que um bom filme não requer tanta gente. Precisa de menos gente, mas que acredite mais no projeto.

Então, você e Mangold apresentaram para Fox o projeto de um filme de Wolverine envelhecido, violento e cansado?

Eu já tinha me envolvido no passado, como em “Wolverine: Imortal” (de 2013), porque gostava da saga japonesa e me envolvi, mas não como dessa vez. Agora, dois anos atrás, fui com Mangold para conversar com o estúdio com a nossa ideia de filme. Tinha referências como “Os Imperdoáveis” (1992) e “O Lutador” (2008). Mangold trouxe “Os Brutos Também Amam”. Queríamos falar sobre família, sobre relações entre pai e filho, sobre essa pessoa, o Wolverine, que não se conecta com ninguém.

 

É claro que a boa bilheteria de “Deadpool”, um filme de heróis para adultos, deve ter ajudado a convencer o estúdio, mas foi uma manobra ousada.

Eu queria fazer diferente. Queria algo pessoal. Não ligava para classificação indicativa. Queria sentir algo novo. Falei para os executivos do estúdio que não precisavam ficar bravos caso não quisessem fazer esse filme. Eu seguiria em frente, eles contratariam outra pessoa para viver o Wolverine e tudo bem. Não estava blefando, mas ainda bem que eles toparam.


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