Auditoria aponta déficit de R$ 2,2 bi no Ipremu
Prefeito Odelmo Leão diz que causa da dívida foi má gestão de investimentos
Durante coletiva, Odelmo Leão ressaltou que em sua gestão anterior, aplicações eram feitas em bancos de primeira linha
Uma auditoria feita pela atual Administração Municipal apontou que o déficit do Instituto da Previdência Municipal de Uberlândia (Ipremu) sob a gestão da administração passada aumentou R$ 1,3 bilhão, passando de R$ 890 milhões para R$ 2,2 bilhões. Os números foram apresentados ontem, em coletiva de imprensa, no Centro Administrativo, pelo prefeito Odelmo Leão. Dados da auditoria apontam ainda uma dívida de R$ 156 milhões do Executivo com o Ipremu.
Segundo Odelmo Leão, a causa seria a má gestão de investimentos feitos pelos responsáveis pelo Ipremu durante o governo de Gilmar Machado. Durante a coletiva, Odelmo disse que, no período em que ele governou Uberlândia, de 2005 a 2012, as aplicações foram feitas em bancos de primeira linha, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, o que, segundo ele, seriam investimentos seguros.
Afirmou também, que, durante o governo de Gilmar Machado, cerca de R$ 340 milhões do caixa do Instituto foram aplicados em investimentos de alto risco. Um desses investimentos teria falido e outros dois falidos parcialmente, causando um prejuízo de R$ 12 milhões ao Ipremu.
“Além disso, esses investimentos não poderiam ter sido feitos. Vamos contestar na Justiça e pedir o bloqueio desses R$ 340 milhões. Como são investimentos feitos para resgatar entre oito e 15 anos, se a gente tentasse retirar esse valor hoje, perderíamos entre 40% e 50% do total”, afirmou Odelmo Leão.
Ainda de acordo com o prefeito, alguns fundos que receberam investimento da administração passada, são investigados em operações da Polícia Federal (PF), como a própria Lava Jato. “Já repassei todos esses documentos à PF e acredito que a verdade sobre esses investimentos será divulgada rapidamente”, ressaltou.
Para tentar resolver essa situação, Odelmo Leão disse também, que, além de pedir o bloqueio dos investimentos de risco, irá pedir uma renegociação da dívida existente. “Tivemos também, que fazer um repasse de R$ 14 milhões para a Previdência para tentar voltar a receber recursos federais”. Esse valor é referente à contribuição previdenciária descontada dos servidores e não repassada à Previdência. Questão que é alvo de ação criminal representada pela atual administração contra o ex-prefeito Gilmar Machado e o ex-secretário de Finanças, Carlos Diniz.
PAGAMENTO DOS SERVIDORES
Segundo o prefeito Odelmo Leão, esses R$ 14 milhões repassados para a Previdência poderiam ter sido usados para o pagamento da folha de dezembro dos servidores municipais que está atrasada. “Claro que penso nos servidores, mas precisamos fazer uma gestão coerente. Acertando essa questão da Previdência, poderemos voltar a receber novos recursos e fazer a máquina pública voltar a andar”, afirmou Odelmo Leão.
Outro plano apresentado pelo prefeito seria o repasse de um terreno da Prefeitura no valor de R$ 48 milhões para o Ipremu. “Esse valor ajudaria a quitar a folha de dezembro, mas como esse repasse (R$ 14 milhões) estava em atraso, não foi possível renovar o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). Sem esse certificado não podemos viabilizar a transferência desse terreno. Essas são minhas únicas soluções, mas que estão barradas atualmente”, disse.
NOTA
Em nota, o ex-prefeito Gilmar Machado informa que, infelizmente, é lamentável como algumas pessoas fazem política.
O governo Odelmo Leão insiste em permanecer no palanque eleitoral para ganhar tempo sobre as ações fundamentais ao bom funcionamento de Uberlândia. O ex-prefeito informa que não responderá a ataques e calúnias. Gilmar informa ainda que aguarda que a Justiça prevaleça e que casos como o do desvio de R$ 10 milhões de uma obra do Dmae na gestão de Odelmo Leão sejam julgados e os criminosos sejam punidos.