07/03/2017 às 08h36min - Atualizada em 07/03/2017 às 08h36min

Auditoria aponta déficit de R$ 2,2 bi no Ipremu

Prefeito Odelmo Leão diz que causa da dívida foi má gestão de investimentos

VINÍCIUS ROMARIO / REPÓRTER
Durante coletiva, Odelmo Leão ressaltou que em sua gestão anterior, aplicações eram feitas em bancos de primeira linha

Uma auditoria feita pela atual Administração Municipal apontou que o déficit do Instituto da Previdência Municipal de Uberlândia (Ipremu) sob a gestão da administração passada aumentou R$ 1,3 bilhão, passando de R$ 890 milhões para R$ 2,2 bilhões. Os números foram apresentados ontem, em coletiva de imprensa, no Centro Administrativo, pelo prefeito Odelmo Leão. Dados da auditoria apontam ainda uma dívida de R$ 156 milhões do Executivo com o Ipremu.

Segundo Odelmo Leão, a causa seria a má gestão de investimentos feitos pelos responsáveis pelo Ipremu durante o governo de Gilmar Machado. Durante a coletiva, Odelmo disse que, no período em que ele governou Uberlândia, de 2005 a 2012, as aplicações foram feitas em bancos de primeira linha, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, o que, segundo ele, seriam investimentos seguros.

Afirmou também, que, durante o governo de Gilmar Machado, cerca de R$ 340 milhões do caixa do Instituto foram aplicados em investimentos de alto risco. Um desses investimentos teria falido e outros dois falidos parcialmente, causando um prejuízo de R$ 12 milhões ao Ipremu.

“Além disso, esses investimentos não poderiam ter sido feitos. Vamos contestar na Justiça e pedir o bloqueio desses R$ 340 milhões. Como são investimentos feitos para resgatar entre oito e 15 anos, se a gente tentasse retirar esse valor hoje, perderíamos entre 40% e 50% do total”, afirmou Odelmo Leão.

Ainda de acordo com o prefeito, alguns fundos que receberam investimento da administração passada, são investigados em operações da Polícia Federal (PF), como a própria Lava Jato. “Já repassei todos esses documentos à PF e acredito que a verdade sobre esses investimentos será divulgada rapidamente”, ressaltou.

Para tentar resolver essa situação, Odelmo Leão disse também, que, além de pedir o bloqueio dos investimentos de risco, irá pedir uma renegociação da dívida existente. “Tivemos também, que fazer um repasse de R$ 14 milhões para a Previdência para tentar voltar a receber recursos federais”. Esse valor é referente à contribuição previdenciária descontada dos servidores e não repassada à Previdência. Questão que é alvo de ação criminal representada pela atual administração contra o ex-prefeito Gilmar Machado e o ex-secretário de Finanças, Carlos Diniz.

 

PAGAMENTO DOS SERVIDORES

 

Segundo o prefeito Odelmo Leão, esses R$ 14 milhões repassados para a Previdência poderiam ter sido usados para o pagamento da folha de dezembro dos servidores municipais que está atrasada. “Claro que penso nos servidores, mas precisamos fazer uma gestão coerente. Acertando essa questão da Previdência, poderemos voltar a receber novos recursos e fazer a máquina pública voltar a andar”, afirmou Odelmo Leão.

Outro plano apresentado pelo prefeito seria o repasse de um terreno da Prefeitura no valor de R$ 48 milhões para o Ipremu. “Esse valor ajudaria a quitar a folha de dezembro, mas como esse repasse (R$ 14 milhões) estava em atraso, não foi possível renovar o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). Sem esse certificado não podemos viabilizar a transferência desse terreno. Essas são minhas únicas soluções, mas que estão barradas atualmente”, disse.

 

NOTA

 

Em nota, o ex-prefeito Gilmar Machado informa que, infelizmente, é lamentável como algumas pessoas fazem política. 

O governo Odelmo Leão insiste em permanecer no palanque eleitoral para ganhar tempo sobre as ações fundamentais ao bom funcionamento de Uberlândia. O ex-prefeito informa que não responderá a ataques e calúnias. Gilmar informa ainda que aguarda que a Justiça prevaleça e que casos como o do desvio de R$ 10 milhões de uma obra do Dmae na gestão de Odelmo Leão sejam julgados e os criminosos sejam punidos.


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