06/03/2017 às 10h14min - Atualizada em 06/03/2017 às 10h14min

Tradição que persevera por gerações

Contação de história tem núcleo forte em Uberlândia há 11 anos

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Primeira reunião do Cirandando deste ano aconteceu na última semana de fevereiro

No meio da entrevista tinha uma história. Em uma manhã ensolarada no bairro Fundinho, no segundo andar da Biblioteca Pública Municipal Presidente Juscelino Kubitschek, conversa fiada da melhor qualidade para marcar o retorno das atividades do Cirandando, Núcleo de Contadores de História de Uberlândia. Coordenado pela inquieta escritora Martha Pannunzio, o encontro acompanhado pela reportagem do jornal Diário do Comércio não seguiu um protocolo.

Enquanto conversávamos sobre as atividades deste ano com participação do Núcleo, Cecília Naves pegou uma pequena caixa colorida. Posicionou-se à frente de sua audiência e dessa caixinha saíram personagens que deram àquela manhã um pouco mais de leveza. A velha, a aranha, a lagartixa, o sapo, o rato, o cão e o queijo, talvez não exatamente nesta ordem. A interação entre um e outro personagem ganhou intérpretes entre os presentes. Cada uma assumiu um papel e surgiram histórias dentro da história.

E é neste espírito que todos que por acaso estiverem diante de uma contação de história de alguma dessas jovens senhoras não sairá o mesmo. “Essa é a arte mais antiga da humanidade. Uma tradição que pouco se altera, mas que tem que se adaptar a outros tempos, desses em que as crianças estão com os olhos grudados na tela de um telefone celular, por exemplo”, explica Martha Pannunzio.

Janine Martins de Castro Santos afirma que há muita interatividade na contações de histórias nos dias atuais. As crianças se envolvem, e muito. Chegam a pedir para repetir o que acabaram de ouvir, abraçam as contadoras como verdadeiras heroínas, e assim, passam o que aprenderam para frente. “Fazemos oficinas para incrementar a contação de história, levamos a um desdobramento que vai além do livro em papel. É uma ampliação de repertório e quando nos juntamos, quando dividimos isso com outras pessoas, todo mundo sai um pouco melhor do que quando entrou”, explicam.

Durante todo o ano o grupo realiza atividades em escolas públicas na zona urbana e rural de Uberlândia e a cereja do bolo é o encontro anual dos contadores de histórias que acontecerá em maio. “Na edição do ano passado a Praça Coronel Carneiro que ficou lotada durante todo o dia. Era uma rodada de contação de histórias. A pessoa saia de uma roda e ia para outra”, recordam.

Foi ali que pequena Sofia Nadyezha, de 10 anos, participou como contadora de histórias pela primeira vez e adorou a experiência. “Neste ano vou contar de novo e já estou me preparando”, afirma a menina, muito bem articulada, que completa. “Não é só chegar e ler uma história, é preciso se preparar, ter atrativos para quem vai te ouvir e saber que haverá imprevistos”. Se depender de crianças como Sofia – e as amigas que querem seguir seus passos – o futuro da contação de histórias está garantido.

INÍCIO

“Cirandando” comemora 11 anos e segue motivado

 

Cecília Naves e seus personagens tirados de uma caixinha cheia de surpresas (ADREANA OLIVEIRA)

O Núcleo “Cirandando” de Contadores de História foi idealizado por Martha Pannunzio há 11 anos, na época, ela integrava o Instituto de Artes, Cultura e Ciências do Triângulo (IAT) e desde o início contou com apoio da funcionária da Biblioteca Municipal Denise Carvalho, que até hoje segue junto ao grupo. Na primeira reunião deste ano, além de Martha, Denise, Sofia, Cecília e Janine participaram Heloísa Gomides, Deysemar Bottaro Carvalho, Lindalva de Oliveira Rosa, Maria de Lourdes Guimarães, Patrícia Masan e Elenice Maria da Silva.

O que torna o grupo interessante é a mistura de diferentes personalidades que se juntam por um único objetivo: perpetuar uma tradição por meio de crianças de qualquer canto da cidade, de qualquer classe social. Para Martha Pannunzio, depende dos pais se o filho será um bom ouvinte, um bom dialogador. “Temos uma inteligência múltipla que se desenvolve desde a gestação. E não se trata só de fábulas. Temos histórias como de João e Maria que são contadas por todo o mundo da mesma forma, ninguém cria, mas todo mundo pode recriar”, comenta a escritora.

Martha fala ainda da importância de as crianças conhecerem diferentes histórias, com diferentes personagens que podem inspirá-las mais tarde, a, por exemplo, lidar com perdas. “Se um menino tem bons exemplos, se um dia o pai faltar ele assumirá este papel. As histórias também os preparam para perdas e também para as mudanças às quais estamos sujeitos em qualquer fase da vida”, explica.

SERVIÇO

Saiba mais sobre a agenda e atividades programadas do Núcleo Cirandando de Contadores de História: 3234-1600 (Biblioteca Municipal)


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