02/03/2017 às 08h38min - Atualizada em 02/03/2017 às 08h38min

Rodovias de MG são as mais violentas

APESAR DA REDUÇÃO DOS ÍNDICES, ESTADO LIDERA NÚMERO DE ACIDENTES E DE MORTES NAS RODOVIAS FEDERAIS

Walace Torres - editor
Acidente entre um carro e uma carreta próximo a Araguari deixou uma pessoa morta durante carnaval

Apesar de apresentar uma queda no número de acidentes e de mortes nas estradas, Minas Gerais ainda lidera o ranking da violência no trânsito nas rodovias federais. Balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que em 2016 houve uma queda de 6,8% no número de óbitos e de 3,9% no número de acidentes graves em rodovias federais em todo o país. Em Minas Gerais, que tem a maior malha viária do país, o índice de queda é até maior do que os demais estados tanto do total de acidentes graves (redução de 7,1%) quanto de óbitos (14%). No entanto, os números ainda destoam na comparação com outros estados.

Já o balanço das operações de carnaval será divulgado hoje (leia mais nesta página).

No ano passado, a PRF registrou um total de 14.319 acidentes nas rodovias federais do Estado. Desse total, 3.035 foram acidentes graves. São classificados como acidentes graves aqueles em que se registra pelo menos um ferido grave ou um óbito. Ao todo, 822 pessoas perderam a vida nas rodovias mineiras. Em 2015, o número de óbitos chegou a 956.

O segundo estado com maior número de acidentes registrados ano passado nas rodovias federais é Santa Catarina. O estado da região Sul, no entanto, foi o que obteve a maior redução das estatísticas. Foram 10.700 acidentes ano passado ante 14.162 registrados em 2015, o que representa uma redução de 24,4%. Se considerar apenas acidentes graves, Santa Catarina apresentou um aumento de 0,8%.

Em relação ao número de mortes nas rodovias federais o Paraná vem em segundo no ranking, com 652 óbitos no ano passado. Esse número representa um aumento de 12,4% na comparação com 2015 (583 mortes).

O Diário do Comércio tentou falar ontem com a regional da PRF em Belo Horizonte, mas ninguém atendeu as ligações.

De acordo com o balanço divulgado pela PRF em âmbito nacional, a redução de 6,8% do número de mortes e de 3,9% de acidentes graves em todo o país é resultado das campanhas de conscientização, operações pontuais em épocas de intensificação de deslocamentos, tal como férias e festas de final de ano, e reforços de policiamento em pontos críticos nas rodovias de todo o país. No ano passado, a PRF também contabilizou mais de cinco milhões de autos de infração emitidos durante fiscalizações nas estradas que cortam o país.

Em 2016, ocorreram 20.994 acidentes graves em rodovias federais contra 21.854 ocorrências em 2015. A PRF ressalta, em seu site, que contribuiu com a redução por meio de trabalho constante de fiscalização e de conscientização do motorista. Uma das ações é a Operação RodoVida, realizada desde dezembro de 2016 e que conta com o reforço do efetivo. Neste ano, a operação se encerra após a quarta-feira de cinzas.

 

 

TRIÂNGULO

Veículo é flagrado a 195 km/h na BR-050

 

PRF/DIVULGAÇÃO

Veículos são flagrados na BR-050 por radares móveis durante operação da PRF

 

Durante o feriado de carnaval a Polícia Rodoviária Federal da região registrou os flagrantes com as maiores velocidades praticadas numa rodovia federal em todo o Estado. No km 129 da BR-050, entre Uberlândia e Uberaba, a PRF da unidade de Uberaba registrou um veículo a 195 km/h e outro a 185 km/h. Os registros foram feitos na tarde de terça-feira (28) com radares móveis utilizados durante a operação de carnaval. A velocidade permitida no trecho é de 110 quilômetros por hora. A infração é considerada gravíssima (acima de 50% da máxima permitida na via), com aplicação de multa de R$ 880 e sete pontos na carteira. Os motoristas ainda poderão responder a processo a ser instaurado pelo Detran de origem e, dependendo da apuração, terem a carteira de habilitação suspensa.

A Polícia Rodoviária Federal irá divulgar o balanço do carnaval nesta quinta-feira, uma vez que a operação só terminaria à meia-noite de ontem. Até o fim da manhã de ontem, uma pessoa havia morrido na região, que ainda teve vários acidentes no período, especialmente em função das chuvas. Segundo o inspetor Ronaldo Bastos, da PRF em Uberlândia, o movimento na quarta-feira de cinzas foi mais intenso do que na terça-feira.

O acidente mais grave na região aconteceu próximo a Araguari, na LMG-748, que liga Araguari a Indianópolis. Um Celta bateu de frente com uma carreta que invadiu a pista contrária. O motorista do veículo ficou preso nas ferragens, foi resgatado em estado grave pelo Corpo de Bombeiros e levado para atendimento, mas veio a falecer ontem. O motorista da carreta informou aos policiais que o Celta trafegava em zigue-zague pela pista e ao tentar se desviar para a esquerda chocou-se com o veículo. Os bombeiros encontraram dentro do Celta vários fracos vazios de bebida alcoólica.

Em outra ocorrência, desta vez registrada pela PRF no posto da BR-365, um homem de 42 anos foi preso em flagrante por uso de documento falso (CNH). Ele foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal de Uberlândia e declarou que comprou o documento na cidade de Itumbiara por R$ 3.500.

 

 

RODOVIAS FEDERAIS

BALANÇO DA PRF - BRASIL

 

Acidentes - 122.090 (2015) / 96.296 (2016) - redução de 21,1%

Acidentes graves - 21.854 (2015) / 20.994 (2016) - redução de 3,9%

Feridos graves - 22.517 (2015) / 21.439 (2016) - redução de 4,8%

Óbitos - 6.871 (2015) / 6.405 (2016) - redução de 6,8%

 

Acidentes gerais

 

MG - 15.495 (2015) / 14.319 (2016) - redução de 7,6%

SC - 14.162 (2015) / 10.700 (2016) - redução de 24,4%

PR - 12.638 (2015) / 10.924 (2016) - redução de 13,6%

RS - 9.894 (2015) / 7.531 (2016) - redução de 23,9%

BA - 7.027 (2015) / 5.426 (2016) - redução de 22,8%

 

Acidentes graves

 

MG - 3.268 (2015) / 3.035 (2016) - redução de 7,1%

PR - 2.279 (2015) / 2.339 (2016) - aumento de 2,6%

SC - 1,989 (2015) / 2.004 (2016) - aumento de 0,8%

BA - 1.291 (2015) / 1.289 (2016) - redução de 0,2%

RS - 1.115 (2015) / 1.139 (2016) - redução de 2,2%

 

Óbitos

 

MG - 956 (2015) / 822 (2016) - redução de 14,0%

PR - 583 (2015) / 652 (2016) - aumento de 12,4%

BA - 631 (2015) / 616 (2016) - redução de 2,4%

SC - 471 (2015) / 460 (2016) - redução de 2,3%

PE - 413 (2015) / 382 (2016) - redução de 7,5%


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