16/02/2017 às 09h33min - Atualizada em 16/02/2017 às 09h33min

CINEMA E VÍDEO

“Cinquenta tons mais escuros”

POR KELSON VENÂNCIO

Antes de mais nada, já vou logo dizendo que esta continuação é um pouco melhor que a do primeiro filme. Na época em que foi lançado “Cinquenta tons de cinza”, especificamente em 12 de fevereiro de 2015, a expectativa por termos nas telonas uma adaptação que mantivesse o bom nível da história contada no livro, acabou se transformando numa grande frustração para muita gente. Eu particularmente achei "meia boca" o primeiro longa. Você pode ler a crítica no site do “Cinema e Vídeo”.

Desta vez, em “Cinquenta tons mais escuros”, há uma história mais voltada para os típicos filmes de romance. É claro que temos também as cenas de sexo que são típicas da famosa trama literária de E.L. James. Mas como no primeiro longa, continuaram censurando estes momentos que no livro são bem mais intensos e detalhados. O sadomasoquismo que é, digamos, o "problema" de Christian Grey foi menos explorado nessa continuação. No lugar disso temos mais "amor" e para quem gosta de filmes no estilo sessão da tarde, daqueles "e viveram felizes para sempre", vai gostar dessa trama. E neste caso, a mudança é que Anastasia está menos inocente e decide tomar as rédeas para voltar para o amado bilionário, que neste caso está mais "submisso" a ela.

Para quem nunca leu nenhum dos livros, o filme agrada. As mulheres vão à loucura quando vêem o Sr. Grey em ação, principalmente quando aparece seminu na tela. Mas o fato é que o casal escolhido para viver os personagens principais da obra literária continua sem sal. Os que leram o livro devem concordar comigo. Por mais que Jamie Dornan e Dakota Johnson tentem fazer um bom trabalho, a química entre eles parece não existir. A paixão entre os dois não convence.

Desta vez ainda temos novos atores no elenco que ajudam a melhorar a trama. E conseguem até certo ponto, mas parece que ficam limitados pela direção ou pelo próprio roteiro adaptado. A veterana Kim Basinger é a que mais se destaca, mas apesar de se mostrar uma grande ameaça à Anastasia, a premissa em volta da personagem dela não vai pra frente. No caso da atriz Bella Heathcote, que surge como se fosse a Samara do filme “O Chamado”, acontece algo semelhante. Dali poderia ter saído algo mais interessante, que se perde depois de uma forte cena em que ela acaba ajoelhada perante o poderoso Grey. E Eric Johnson que poderia ter sido o vilão da história some da trama e quase é esquecido, mas volta no fim dando a entender que esse vilão virá no terceiro filme da série.

“Cinquenta tons mais escuros” continua cheio de erros, mas agrada mais. No geral é um filme gostoso de assistir, mesmo com tantas falhas. É envolvente sim, apesar de ter uns minutinhos a mais que o necessário. Tem uma fotografia linda e uma trilha sonora fantástica. Ou seja, vá ao cinema pra se divertir, deixando seu senso crítico menos apurado. Desta forma você pode até gostar da produção. Eu fiz isso e consegui. Caso contrário, assista outros clássicos mais antigos que é melhor, como “Instinto selvagem”, “Assédio sexual,” “Atração fatal” ou o próprio “9 1/2 Semanas de amor” com a Kim Basinger.

Nota 7

FOTO: DIVULGAÇÃO


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