16/02/2017 às 08h33min - Atualizada em 16/02/2017 às 08h33min

Partida emperrada

O Brasil parece mergulhado ao caos quando nos deparamos com greves espalhadas por todo o canto, desde a paralisação por falta de pagamento de professores em Uberlândia a manifestações que culminaram na falta de policiamento no Espírito Santo, trazendo mortes e roubos com índices alarmantes na capital capixaba. Talvez por isso, mesmo sem dizer a razão, o presidente da República, Michel Temer anunciou, em pronunciamento nesta semana, que vai enviar ao Congresso projeto de lei regulamentando a greve para tentar impedir a paralisação dos serviços essenciais, que têm sido prejudicados em várias mobilizações de suas respectivas categorias.

Para dar continuidade ao jogo político do ano de 2017, os trabalhos no Congresso Federal finalmente foram iniciados. No meio de projetos com maior relevância social, o Senado insistiu em aprovar uma lei polêmica, porém, de pouco impacto na vida dos brasileiros: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 50/2016, que regulamenta a prática da Vaquejada. O sim dos senadores, em dois turnos, ao projeto foi um afago às bases eleitorais nordestinas (de interesse dos caciques políticos), que são totalmente favoráveis à prática e valorização cultural do esporte que judia um pouco dos animais, mas é reconhecido como uma cadeia produtiva que emprega em torno de um milhão de trabalhadores.

Diante da partida emperrada que temos nesse início de ano, algumas reformas que estão sendo discutidas no Congresso serão de bom grado as pessoas acompanharem: as reformas política, da previdência e trabalhista. Todas as comissões temáticas sobre as respectivas reformas iniciaram seus trabalhos com definição de algumas pautas.

Sem muito “lenga-lenga”. Na reforma política, segundo o relator da proposta, deputado Vicente Cândido (PT/SP), 90% dos deputados estão de acordo com o financiamento público de campanhas. O deputado relator da comissão trabalhista, Rogério Marinho (PSDB/RN), recua e não deverá incluir terceirização na reforma, um ponto espinhoso. Na mais complicada delas, a reforma previdenciária, que visa alterar regras em relação à idade mínima e ao tempo de contribuição para se aposentar, entre outros, o embate se dá por enquanto, por conta das audiências públicas, que se iniciou com a defesa do tema junto ao Secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano. Essa é a maior proposta de reforma do sistema de seguridade social desde a Constituição de 1988.

Como vimos, o certame político já começou e seus “jogadores” já mostram seus talentos nas esferas do executivo e legislativo, mas infelizmente (lembrando  a participação futebolística do  nosso amado Uberlândia E.C.), não temos sequer um “atleta” da região, nos representando na elite das discussões políticas nacionais.

 

 

*Tiago Pegon, 34 anos, uberlandense, jornalista, MBA em Marketing Político, residente em Brasília há 7 anos, trabalhou como repórter político e assessor de comunicação parlamentar.

 


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