06/07/2017 às 16h18min - Atualizada em 06/07/2017 às 16h18min

"Elis"

KELSON VENÂNCIO | COLUNISTA
Foto: Divulgação

 

O cineasta Hugo Prata recebeu a árdua missão de adaptar e dirigir a história real da cantora Elis Regina para as telonas, um desafio de muita responsabilidade já que se trata de um dos maiores ícones da nossa música. Além disso, Prata com certeza também sabia que fazer um longa metragem para o cinema sobre a conturbada e polêmica biografia da Elis seria algo difícil diante da crítica que poderia sofrer caso falhasse nesta missão.

Cantora desde a infância, Elis Regina Carvalho Costa (Andreia Horta) entra na vida adulta deixando o Rio Grande do Sul para espalhar seu talento pelo Brasil a partir do Rio de Janeiro. Em rápida ascensão, ela logo conquista uma legião de fãs, entre eles o famoso compositor e produtor Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), com quem acaba se casando. Estrela de TV, polêmica, intensa e briguenta, a "Pimentinha" não tarda a ser reconhecida como a maior voz do Brasil, em carreira marcada por altos e baixos.

O resultado dessa adaptação cinematográfica é bom. "Elis", o filme, agrada o público, tanto os que conhecem a história da artista quanto aqueles que não viveram aquela época. Mas apesar de ter uma narrativa interessante e crescente, o roteiro peca ao dar alguns "pulos" na cronologia, deixando no ar alguns fatos que poderiam ter sido melhor explicados. Elis aparece se apresentando em um bar na tentativa de mostrar seu talento para os produtores e logo na cena seguinte vira a queridinha de Copacabana. Este é um dos exemplos destes "pulos" aos quais estou me referindo.

Gasta-se muito tempo com detalhes que não são tão importantes no início e no terceiro ato, a conclusão do longa com a parte polêmica da dependência das drogas e álcool é passada de forma superficial. Porque quando estava morrendo Elis liga para seu advogado e não para outras pessoas mais próximas a ela? No filme isso parece bem estranho e sem justificativas, mas na vida real Elis teve um caso com ele, o que não foi retratado no cinema.

O problema de "Elis" é que talvez o filme agrada mais como entretenimento do que como gerador de um debate mais amplo sobre a carreira da cantora. Parece que Hugo Prata preferiu fazer uma espécie de resumo da vida dela, escondendo pontos que seriam essenciais para o roteiro.

Um dos pontos mais positivos do longa é o elenco. Gustavo Machado como Ronaldo Bôscoli, Lúcio Mauro Filho como Miéle e Rodrigo Pandolfo como Nelson Motta fazem interpretações muito boas. Apenas Caco Ciocler não me agradou na pele de César Camargo Mariano. Mas é sem dúvida a atriz Andreia Horta quem rouba a cena desde o primeiro minuto da projeção. A impressão que temos é que ela nasceu para fazer o papel de Elis Regina. A atriz, mesmo não precisando cantar durante as cenas de gravações e shows, se preparou por pelo menos três meses pra convencer o espectador na hora de dublar a cantora. Por causa do trabalho brilhante que fez, ganhou o Kikito de melhor atriz no Festival de Gramado.

Elis é bom, mas poderia ser excelente se não tivessem desperdiçado tantas histórias boas por trás deste mito da nossa música.

Nota 7

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