12/01/2022 às 08h00min - Atualizada em 12/01/2022 às 08h00min

A globalização e o fluxo da riqueza no mundo

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA
Quando dizemos “mudança”, estamos falando dos mais diferentes âmbitos de nossa sociedade: desde o modo como nos relacionamos até o modo como nos informamos e consumimos. Ignorar é muito fácil, mas olhar de frente para as transformações que estão acontecendo é um desafio, encarar e admitir a mudança, não é para qualquer um. Portanto preste atenção a sua volta.

Quando se fala de economia e mercado de trabalho, a estabilidade não pertence a esse universo. Diariamente as bolsas de valores sofrem variações, novos empregos são formados, outros são extintos, as habilidades e funções que um profissional deve ter, já não são as mesmas que antes… enfim tudo está mudando.

Nos últimos 20 anos, as mudanças estão acontecendo à nossa volta, mas as pessoas não estão percebendo. Nesse sentido, é preciso refletirmos algumas das principais mudanças sofridas pelo capitalismo – sistema econômico e social que impera na maior parte do globo. O capitalismo é baseado, em essência, na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria, tendo como principal objetivo a obtenção de lucros e a acumulação de riquezas, sendo que o maior esforço deste processo está nas mãos dos trabalhadores. A desigualdade social também aparece como característica intrínseca a esse sistema, ressaltando a divisão de classes entre trabalhadores e empresários. 

Existe um sistema político e econômico que apresenta ideias opostas ao sistema capitalista: o socialismo, teoria que propõe a apropriação pública dos meios de produção e a supressão das diferenças entre as classes sociais, sugerindo uma reforma gradual da sociedade capitalista – mas, esse sistema perdeu forças e o capitalismo encontrou seu caminho para a hegemonia. 

Desde suas fases embrionárias, o capitalismo passou por diversas mudanças, cujas as principais fases foram: o capitalismo comercial ou mercantil, que vigorou dos séculos XV ao XVIII; o capitalismo industrial, surgido no século XVIII com a Revolução Industrial; o capitalismo financeiro ou monopolista, iniciado após a Segunda Guerra Mundial e marcado pelo poderio dos bancos e instituições financeiras; e, finalmente, o capitalismo informacional, cognitivo ou do conhecimento, iniciado no período pós-Guerra-Fria, marca o avanço da globalização e das tecnologias mencionadas anteriormente.

Vamos refletir: A globalização corresponde aos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural e política. Ela é gerada pela necessidade da dinâmica do capitalismo em formar uma aldeia global que permita maiores mercados para os países centrais, e que se transformou num sistema completo e maduro, uma vez que, ao se expandir por todo o planeta, o sistema unificou mundialmente o ciclo econômico.

A globalização também apresenta aspectos preocupantes: com ela, o sistema se aproxima cada vez mais do seu limite de reprodução, o que acarretaria uma crise global de superprodução. Quanto mais este modelo é aprofundado, maiores são as possibilidades de crise geral do sistema. A modernidade capitalista não obedece a fronteiras, e seu futuro visível se expande a uma velocidade inesperada.

O início do século XXI foi recebido como uma época conturbada para a sociedade brasileira, e os sentimentos de crise e de impotência volta-e-meia retornam aos lares da população. Vivemos num ambiente cujo contexto das relações de poder e suas estruturas produtivas nos remetem ao capitalismo concreto, inseparável da obtenção de lucros aqui e agora, sem a preocupação com a sobrevivência das gerações futuras.

A pandemia de coronavírus que se mostrou para o mundo no início de 2020, tem provocado abalos nos mercados globais e paralisado atividades econômicas no mundo todo, com impactos na produção industrial, comércio, emprego e renda, levando a economia mundial a registrar em 2020 o pior desempenho desde a Grande Depressão de 1929, segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Diversos países entraram em recessão e, na avaliação de vários economistas e observadores, a economia global deverá sofrer anos até se recuperar das perdas da crise provocada pelo coronavírus.

O Relatório Global de Desigualdade, produzido por uma rede de cientistas sociais, estimou que os bilionários detêm 3,5% de toda a riqueza global das famílias, acima dos 2% registrados no início da pandemia, no começo de 2020.

"A crise da Covid exacerbou as desigualdades entre os muito ricos e o resto da população", afirmou Lucas Chancel, um dos autores de estudo que aponta que as economias ricas usaram apoio fiscal maciço para reduzir a forte alta da pobreza vista em outros lugares.

Pensando estrategicamente... as tentativas de desenvolvimento até aqui empreendidas não tiveram pleno êxito em termos de organização social, e nossos governantes, ao demonstrarem incapacidade para realizar as reformas institucionais e políticas necessárias, preservaram uma arquitetura institucional que defende privilégios e direitos adquiridos, enquanto alimentam estruturas paralelas que contribuem para fomentar uma certa incoerência institucional, distanciando ainda mais o Estado da sociedade.

Compete a todos nós, brasileiros participarmos da construção social de uma nova institucionalidade, não permitindo a prevalência do “nós contra eles”, afinal, somos reconhecidamente um povo aberto a mudanças, flexíveis na adoção de novas regras. É necessário que haja uma visão de futuro compartilhada para que eles sejam sinérgicos e não dissipadores de energia.

O Estado – que, em princípio, deveria ser o guardião do bem público – necessita atualizar seus valores políticos. O termo “globalização” e os processos de acumulação de capital oriundos da internacionalização da produção estão relegados a um segundo plano, acentuando a desigualdade social, ressaltando a divisão de classes entre trabalhadores e empresários. 


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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