11/01/2022 às 08h00min - Atualizada em 11/01/2022 às 08h00min

Novo Ensino Médio – a educação mais perto da realidade

Por Anderson Lima, educador e vereador em Uberlândia
O ano letivo de 2022 já começa em fevereiro e com novidades para os estudantes e profissionais da Educação: a implantação do Novo Ensino Médio. Discutida e aprovada há praticamente cinco anos, a Lei nº 13.415/2017 estabelece mudanças na estrutura do Ensino Médio, desde a ampliação do tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1.000 horas anuais até uma nova organização curricular, que contempla uma Base Nacional Curricular (BNCC) e a oferta de itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

Mas, o porquê dessas mudanças? Na verdade, essa é uma tentativa do governo de reverter uma situação grave na educação: o desinteresse dos jovens pela escola e, consequentemente, o alto número de abandono, reprovação e distorção idade-série (atraso escolar). Além disso, o ensino estava distante da necessidade dos estudantes e dos problemas do mundo contemporâneo.

Dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2020, apontam que apenas 65,1% dos brasileiros concluíram o Ensino Médio na idade esperada, ou seja, até os 19 anos. Outro dado triste é que 12% dos brasileiros com idade entre 15 e 17 anos estão fora das salas de aula. Era necessário e urgente fazer com que a escola se aproximasse mais da realidade, levando em consideração as novas demandas do mercado de trabalho e da sociedade.

E como isso pode acontecer no Novo Ensino Médio? Através da escolha do itinerário formativo com que o aluno mais se identifica, baseado em suas habilidades e interesses profissionais. Como educador há mais de 20 anos, entendo que fortalecer esse protagonismo juvenil fará com que os jovens tenham mais interesse em estar na escola e, assim, melhorem os resultados da aprendizagem.

As mudanças vão ocorrer gradativamente, sendo que neste ano, serão obrigatórias somente na primeira série do ensino médio. Em 2024, a expectativa é que todo o ensino médio já esteja modificado. Os itinerários formativos são disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, que se dividem em quatro áreas do conhecimento: Matemática, Linguagem, Ciências Humanas e Sociais e Ciências da Natureza e ainda a Formação Técnica e Profissional (FTP). 

As escolas podem definir quais os itinerários formativos que irão ofertar e os estudantes serão orientados para a escolha daquela área que mais atenda aos seus anseios.  Já a FTP é uma opção a mais para o estudante, que ao final dos três anos terá certificado de conclusão do ensino médio e do curso técnico ou profissionalizante que escolher. 

Essa preparação do jovem para o mercado de trabalho é muito importante. Ele passa a ter contato, ainda na escola, com informações sobre a área que pretende atuar, podendo no ensino médio se encantar e aprofundar nos conhecimentos ou perceber que o que ele queria não corresponde aos seus anseios e habilidades. 

Devido ao excesso de informação que chegam aos jovens hoje, por meio dos canais de comunicação e da internet, eles estão sendo obrigados a tomar decisões profissionais cada vez mais cedo, e, o pior, sem muitas certezas do que querem para o futuro. Essas incertezas têm gerado consequências prejudiciais tanto na educação - já que é cada vez maior o número de abandonos ou trancamento de cursos de graduação nas faculdades brasileiras -, e até mesmo no mercado de trabalho, onde em alguns setores há grande rotatividade ou ainda funcionários afastados por doenças emocionais, como a depressão. 

Com a liberdade de escolher e se aprofundar na área de conhecimento que mais se identifica, ainda na adolescência, o estudante terá mais maturidade e conhecimento na hora de definir o seu futuro profissional. Sem contar que a nova estrutura será mais interessante, já que terá menos aulas expositivas e mais desenvolvimento de projetos, oficinas, cursos e práticas, com atividades que promovam a cooperação, a resolução de problemas, o desenvolvimento de ideias, o entendimento de novas tecnologias, o pensamento crítico, a compreensão e o respeito.

Como educador, acredito que a lei é um avanço, mas será preciso que o governo cumpra o seu papel, disponibilizando recursos e fiscalizando o cumprimento das medidas. Também será necessário conduzir e acompanhar os alunos para que façam boas escolhas dentro dos itinerários formativos ofertados por suas escolas e ainda preparar os professores para essa condução e para as mudanças na forma de ensinar. Mas, com certeza é um avanço, é a educação levada a sério e mais perto da realidade!


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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