08/01/2022 às 08h00min - Atualizada em 08/01/2022 às 08h00min

Milhares de novos casos de Síndrome Gripal de uma vez! E agora?!

JOÃO LUCAS O'CONNELL
A Síndrome Gripal causada pelo novo coronavírus (já não tão novo assim) atormentou o país e o mundo ao longo dos últimos 2 anos. Milhões de brasileiros ficaram doentes neste período. Infelizmente, em muitos casos, a síndrome gripal provocada pelo SARS-COV2 acabava evoluindo para um quadro de pneumonia viral. Para uma minoria dos pacientes (menos de 5% deles), o quadro pulmonar acabava evoluindo para um quadro inflamatório sistêmico grave... Assim, milhões de brasileiros evoluíram com a necessidade de internação hospitalar para uso de oxigênio, fisioterapia respiratória, medicamentos endovenosos, às vezes, intubação orotraqueal, ventilação mecânica artificial e suporte de UTI. Mais de 700.000 brasileiros perderam suas vidas por causa da infecção pelo SARS-COV2...

Ao longo do segundo semestre de 2021, uma esperança muito grande surgiu entre nós! O fim da pandemia parecia próximo! O Brasil embarcou numa fantástica e eficiente campanha de vacinação contra a covid. Apesar de todos os pesares, a vacinação contra a covid no Brasil avançou de maneira muito positiva ao longo de 2021. Milhões de brasileiros foram vacinados e o número de infecções e síndromes gripais caiu substancialmente. 

Mas, nesta primeira semana de 2022, tomamos um baita banho de água fria. Tivemos milhares de casos de síndrome gripal só na nossa região! O grande número de casos por aqui foi causado, muito provavelmente, pela chegada de variantes diferentes de vírus que, de alguma forma, driblaram o poder de imunização das vacinas e não foram reconhecidos pelo nosso organismo causando as síndromes gripais: os vírus Influenza A (H3N2) e do vírus da covid (Ômicron). Com uma proteção apenas parcial das vacinas da gripe (versão 2021) e contra a covid, milhares de pacientes foram contaminados e lotaram os Pronto Atendimentos da cidade e região nos últimos dias, com longas filas de espera. Muitos pacientes foram embora sem serem atendidos. 

A excelente notícia (ao menos por enquanto) é que, diferente das ondas de covid de 2020 e 2021 (causadas pelas outras variantes do Coronavírus e antes das vacinas), esta nova onda de síndromes gripais está levando a menos quadros de inflamação pulmonar e sistêmica graves. Apesar do enorme número de casos de gripe nesta semana, o número de internações e óbitos ainda não é alarmante. Como na Europa e nos EUA os casos também têm apresentado menor gravidade, há uma esperança que o mesmo aconteça por aqui…

Assim, há uma tendência de que boa parte da população vai ficar gripada nas próximas semanas, mas há uma esperança de que, diferente do ano passado, possa não haver grande sobrecarga de internações em hospitais, especialmente nas UTIs. Se esta sobrecarga não ocorrer, não levará à necessidade de novas medidas restritivas. O grande problema é que, como milhares adoecerão ao mesmo tempo, mesmo as gripes sendo menos graves, o número absoluto de pacientes que precisam de internação pode ser muito alto. Exemplo: se em Janeiro de 2021, 20.000 pessoas tiveram covid numa determinada região do país e 20% delas precisaram de leitos, cerca de 4.000 pessoas precisaram de internação. Mesmo a nova gripe sendo menos grave, e apenas 4% precisarem de leitos, se 100.000 ficam gripados ao mesmo tempo este mês, nesta mesma região, também precisaremos dos mesmos 4.000 leitos num mesmo mês… Assim, mesmo a doença atual sendo menos grave, também poderemos ter problemas nas próximas semanas, a depender de quantos contaminados necessitarem de apoio hospitalar. Para nossa sorte, as novas gripes não têm levado tanta gente à necessidade de internação (pelo menos entre os vacinados).

Quando doentes, o ideal é sempre procurarmos atendimento e orientação médica (presencial ou virtual) para exames confirmatórios sobre qual microrganismo nos atingiu e recebermos as devidas orientações. Entretanto, num cenário de Pronto Atendimentos lotados e demora de horas para o atendimento, é preciso avaliar o risco x benefício de deixar o conforto do lar para esperar por horas num ambiente lotado (muitas vezes mal ventilado), com dezenas de outros tão ou mais doentes que nós. Se você tem dúvidas sobre quando você deve se preocupar e procurar atendimento médico, me siga nas redes sociais e veja dicas sobre quando se preocupar. Na semana que vem, falaremos um pouco mais sobre os sinais de alerta das síndromes gripais. 


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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