08/12/2021 às 08h00min - Atualizada em 08/12/2021 às 08h00min

Os excessos que matam!

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA
O excesso é o comportamento desmedido de quem abusa, usado em exagero, quantidade que excede os limites comuns e ordinários de alguma coisa. Aquilo que excede às normas, ultrapassando uma escala preestabelecida de normalidade, de legalidade etc.
 
Trabalhar em excesso mata, revela o primeiro estudo global sobre o assunto. Segundo o estudo, 745 mil pessoas morreram em 2016 de derrame e doenças cardíacas relacionadas a longas horas de trabalho.
 
O relatório mostra também que as pessoas que vivem no Sudeste Asiático e na região do Pacífico Ocidental são as mais afetadas pelo excesso em suas vidas. A OMS avalia que a tendência pode piorar devido à pandemia do coronavírus.
 
Com a pandemia, um número impressionante de pessoas está usando o colchão como base do home office. De acordo com um estudo de novembro de 2020, 72% dos mil norte-americanos entrevistados ​​disseram que estavam trabalhando remotamente da cama durante a pandemia — um aumento de 50% desde o início da crise.
 
O ato de se vestir e ir para o escritório foi substituído por jogar uma água no rosto e abrir o computador, enquanto você se acomoda embaixo do cobertor.
 
Por isso, algumas pessoas estão reclamando de problemas de vista. Coceira, visão embaçada, dores de cabeça e fadiga ocular estão entre as queixas mais comuns.
 
Mais de um terço (38%) dos que responderam a uma pesquisa realizada pela instituição britânica Fight for Sight afirmaram que sua visão piorou desde o início da pandemia. Outro estudo estima esse percentual em 22%.
 
Quem trabalha ou estuda em casa por conta da pandemia da covid-19 fica diante do computador e de outros dispositivos eletrônicos, como o celular, praticamente o dia todo.
 
Se deslocar para o trabalho ou caminhar até a escola dava às pessoas tempo para relaxar os olhos sem perceber. Agora, para muita gente, a rotina mudou.
 
Quando focamos em um objeto próximo, como uma tela, os minúsculos músculos dentro dos nossos olhos — os músculos ciliares — se contraem. A contração muda o formato das lentes dentro dos olhos, focalizando a imagem na retina.
 
Olhar em excesso acima ou muito abaixo também pode causar problemas nos ombros e no pescoço. As pessoas realmente deveriam pensar em ajustar o tamanho da fonte, afirma Pardhan.
 
"Não é uma boa ideia trabalhar em um smartphone ou tablet por longos períodos porque o texto é muito pequeno."
 
Vamos refletir: Não é só o trabalho que sofreu profunda modificação com o advento da pandemia, outros excessos afloraram em nosso cotidiano.
 
Os brasileiros na faixa etária entre 45 e 55 anos estão consumindo mais alimentos ultraprocessados durante a pandemia. O consumo desses produtos nessa faixa etária era de 9% em outubro de 2019, enquanto em junho deste ano saltou para 16%. É o que mostra um estudo do Datafolha, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)

O levantamento feito em 2020 abordou pessoas entre 18 e 55 anos pertencentes a todas as classes econômicas e de todas as regiões do Brasil, e revela que salgadinhos de pacote ou biscoitos salgados foram os produtos campeões de consumo em comparação com o levantamento realizado em 2019, subindo de 30% para 35% a proporção de pessoas que os consomem. O segundo lugar no ranking ficou para margarina, maionese, ketchup ou outros molhos industrializados, cujo consumo subiu de 50% para 54% em 2020.
 
Analisando as regiões, 57% da população no Sudeste relatou consumir margarina, enquanto em 2019, 50% das pessoas dessa região consumiram esse produto. Em segundo lugar ficaram os sucos de fruta em caixa ou lata ou refrescos em pó, com um aumento de 30% para 36% no período. Já na terceira posição ficou o salgadinho de pacote ou biscoito salgado, de 27% para 33%.
 
Em relação à escolaridade dos participantes, 33% das pessoas que estudaram até o ensino fundamental consumiram salsicha, linguiça, mortadela, presunto e outro alimento embutido em 2020, enquanto esse consumo era de 24% no ano anterior. Além disso, 51% dos indivíduos com essa mesma escolaridade utilizaram margarina, maionese, ketchup e outros molhos industrializados em seus alimentos neste ano, sendo que 42% os consumiram em 2019.
 
Os produtos ultraprocessados são reconhecidamente prejudiciais à saúde, por conta do conteúdo excessivo de nutrientes associados a doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade e doenças cardiovasculares. Lembramos que todos esses produtos têm em sua composição excesso de sódio.  
 
O estado emocional e o clima inseguro em que a população está vivendo pode levar ao maior consumo das comidas ultra processadas, como os salgadinhos e biscoitos. A comida pode ser uma válvula de escape para situações estressantes, como as mudanças de rotina causadas pela pandemia do novo coronavírus.
 
Pensando estrategicamente: Outro ponto para nossa reflexão refere-se às notícias ruins que também fazem mal, segundo uma pesquisa norte-americana que mostra que a notícia ruim faz mal para a saúde psicológica.
 
Quando ficamos em casa por muito tempo, principalmente em época de pandemia, somos levados pelo impulso a conectarmos com o mundo exterior na busca por informações. Via de regra deparamos com todo tipo de notícia, “boas ou ruins”.  Por mais que a gente diga que as pessoas gostam de coisa ruim, que esses programas sangrentos dão audiência... É porque as pessoas estão acostumadas e não têm alternativa. Por isso elas assistem isso.
 
Em tempos de pandemia, o jornalista Rinaldo de Oliveira é cauteloso quando se trata de redes sociais. “A gente tá vivendo um momento em que as pessoas estão se informando pelo Facebook, pelo Instagram, pelo WhatsApp”. E faz um alerta: “Essa história de fake news é muito perigosa. As pessoas não podem perder o foco e o próprio jornalista também não, de que a gente é muito importante. Porque a informação com credibilidade é da gente. Porque a gente aprendeu a fazer noticiário dessa forma”.
 
Em tempo de pandemia, os excessos que matam!


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 
Relacionadas »
Comentários »