30/11/2021 às 08h00min - Atualizada em 30/11/2021 às 08h00min

Seu Hélio me contou

ANTÔNIO PEREIRA
O sr. Hélio Silva iniciou suas atividades no armazém de Serralha & Filhos em 1944. Nessa época, o Serralha, que era um dos mais importantes atacados da cidade, ia até Itumbiara. Depois de algum tempo chegou a Jataí e Rio Verde e mais para frente a Mato Grosso e Rondônia. Depois da inauguração de Brasília, Serralha avançou sobre a Belém Brasília. Antes dele, outros atacadistas já tinham entrado na Belém Brasília, mas partindo de Anápolis. Por essa época, os maiores atacados de Uberlândia eram, além do M. Serralha, o Teixeira Costa, o Capparelli, a Viúva João Calixto, Casa Galiano e Joaquim Fonseca. Havia outros menores.
 
Entre 1940 e 50, os atacados de Uberlândia chegaram ao Alto Paranaíba, foram até Pirapora, Paracatu, São Gonçalo do Abaeté, mas não passaram do Alto Paranaíba. A área dos atacados era o Triângulo e o Alto Paranaíba.
       
Em Uberaba havia uma firma mais antiga: Nassi Miguel Hueb, tinha uma expressão maior. As outras eram pequenas.
       
O maior, nessa época, em Uberlândia era o Capparelli, depois vinham a Viúva João Calixto e M. Serralha.
       
As mercadorias vinham das fábricas pela estrada de ferro e por caminhões. Na década de 81, pouco vinha pela estrada de ferro.
       
Mais para trás, os caminhões enfrentavam um trecho terrível, que era de Uberaba a Uberlândia, no tempo de chuva gastavam de 8 a 10 horas. A estrada era de terra até Ribeirão Preto, mas no estado de São Paulo, as estradas de rodagem, de terra, eram melhor conservadas.
       
Daqui para frente as mercadorias eram levadas por caminhões particulares. Eles viajavam em grupos de 4, 5 e até 6 caminhões por garantia, principalmente nas chuvas. Eles levavam macacos, correntes, cabos de aço. Quando algum atolava eles se amarravam uns nos outros e puxavam o atolado. Eles saiam daqui com rodagem dupla, quando chegavam em determinados pontos, trocavam a rodagem. Tiravam os dois pneus e punham um só maior. Os lugares de mais difícil acesso eram Guiratinga e Rondônia.
       
Naqueles tempos os atacados não tinham frota própria. Então as mercadorias eram vendidas e entregues aos caminhoneiros que levavam e recebiam o frete. Conforme os atacados foram fazendo suas frotas, as associações profissionais de motoristas foram enfraquecendo. As concorrências com outras cidades eram pequenas. Havia atacadistas em Ribeirão Preto, mas não iam muito distantes. Rondonópolis também tinha custo operacional menor. Ituiutaba também tinha.
       
A partir dos anos 1980, Uberlândia se transformou no centro do atacado do país. O Martins cobre 80% do território nacional. Agora estão abrindo em Manaus e Salvador.
       
Dos atacados de Uberlândia, nesta década, só o Alô Brasil possui filiais.
       
O ponto mais distante de entrega do Martins é Macapá, no Amapá.
       
O comércio atacado começa a deslanchar a partir de 1938 e vem se avolumando com o passar do tempo.
       
Antes de 1950, os motoristas já chegavam aos pontos em que os atacados não chegaram logo, quando adquiriram frota própria.
       
A partir dos anos 1970, os atacados começam a vender com pronta entrega. O pioneiro é José Alves (Alô Brasil). Nesse sistema, a venda já inclui o preço do frete e o carregamento é imediato. O próprio atacado, enquanto não tinha frota, procurava e contratava o motorista. Eles começam com pequena frota e vão desenvolvendo. Nos começos dos anos 1970, o Martins possuía apenas 25 caminhões, hoje (1983), são 280.
       
Nessa altura, os maiores atacados são Martins, Alô Brasil, Comércio, Peixoto, Alô Uberlândia. Alguns dos pequenos são o Guedes, o União que trabalha nas praças próximas.
       
O Teixeira Costa, em 1940, começou a se extinguir.
       
Os vendedores do atacado são empregados e usam carros da firma. Em algumas praças os vendedores iam de ônibus. As empresas adiantavam dinheiro para as despesas.
       
Com o sistema de pronta entrega os compradores recebiam a mercadoria mais rápido. As indústrias paulistas percebendo que o atacado de Uberlândia atendia seus objetivos, foram reduzindo seus vendedores e deixando espaço para os atacados.
 
(Este artigo, ainda não publicado, foi escrito logo após a entrevista com o sr. Hélio Silva, em 1983. É a realidade do Atacado naquele tempo)
 
Fonte: Hélio Silva (5.9.1983)

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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