09/11/2021 às 08h00min - Atualizada em 09/11/2021 às 08h00min

A vingança do Uberabinha Esporte

ANTÔNIO PEREIRA

Diz a História Oficial que o Uberabinha Sport Club (Uberlândia Esporte Clube) foi fundado em 1922, só que, em 1918 já havia um time com esse nome cuja estreia se deu contra o Palestra Itália, de Uberaba, no campo que ficava na avenida Cesário Alvim, atrás da Santa Casa de Misericórdia que ficava na avenida Floriano Peixoto. O resultado foi 2 a 1 para o time de lá. Analisando a história esportiva de nossa cidade encontraremos várias derrotas do nosso esquadrão frente aos times da terra do Zebu, principalmente para o Uberaba Sport. Mas, um dia, chegou a hora da vingança e do estabelecimento do equilíbrio de forças que vem até o nosso tempo. Nos princípios dos anos 30, Juca Ribeiro formou um time só com a prata da casa (meninos do juvenil) e uns poucos craques de fora, mas já fixados na cidade, como o Catanduva. Durante seis meses só treinaram. Todos os dias. Uma trabalheira para as donas de casa, mães de jogadores. Naquele tempo, o time só dava a camisa. A lavagem e limpeza de todo o material era de responsabilidade do atleta.

                        

Depois desse longo tempo de preparação, Juca Ribeiro convidou o Uberaba Sport para uma partida. Preocupado com a notícia dos intensos treinamentos, o Sebastião Braz, técnico do Uberaba, negou-se a vir, mas prometeu mandar um combinado. Veio o próprio Uberaba com camisa diferente. O Braz queria era conhecer a nossa força. Foi quando o Uberabinha teve a sua primeira vitória sobre o bicho-papão regional, dois a um. Depois desse grande feito, nosso time enfrentou o Conquista, aqui e lá, ganhando as duas partidas. Animado, Juca tentou de novo o Uberaba, Sebastião Braz negou-se de novo e prometeu novo combinado, desta vez com o nome de “Combinado Sebastião Braz”. Quem veio foi o Uberaba Sport completo. Os jogadores do Uberabinha até riam do disfarce. Os jogadores do Uberaba eram afamados na região - todo mundo os conhecia. Ganhamos por escore maior: três a um. Seguiram-se jogos importantes como os disputados contra o Comercial e o Botafogo, ambos de Ribeirão Preto.

                        

Em setembro de 1931, Juca Ribeiro tornou a provocar o Sebastião Braz. Nessa época, é bom que se diga, os técnicos é que marcavam os jogos. Braz prometeu trazer o próprio Uberaba Esporte e trouxe. Os mesmos jogadores, mas, desta vez, protegidos pelo nome do time, com uniformes novos, limpinhos, vermelhinhos, vermelhinhos. Era um luxo, uma fantasia. Alguns jogadores tinham até as chuteiras vermelhas. Outro susto que a torcida e os jogadores locais levaram foi com as bandeiras que os jogadores de Uberaba levaram para dentro do campo. Exageradas. Não adiantou nada. Ao fim do primeiro tempo a derrota já estava selada: três a zero. No início do segundo tempo, um jogador do Uberaba, chamado “Tintas”, começou a reclamar do tamanho da bola, que era muito grande, fora da regra. Como ninguém tomasse providência, conseguiu um canivete e furou a pelota na expectativa de que arranjassem outra de tamanho regular. Naquele tempo só ia a campo uma bola. Nova, mas uma só. Furada a única, o jogo ficou paralisado uns quinze minutos. Quando a bola voltou, verificou-se que era a mesma: remendaram o capotão furado e puseram outra câmara de ar. Resultado final: cinco a zero para o Uberabinha: a maior vitória futebolística até então sobre o Uberaba Sport e nunca mais repetida.

                   

Os heróis do feito: Nagato, Mexicano e Turco; Ramiro Pedrosa, Catanduva e João Adão; Vicente, Catalão, Woninho, Agenor e Getúlio.

                        

Antes de terminar o ano, ainda se reservou outra derrota para Uberaba. Um time chamado “Ítalo” convidou o Uberabinha para uma peleja. Aqui, no estádio novo da avenida Floriano Peixoto. O esquadrão que veio foi uma seleção dos melhores do Ítalo mais os melhores do Uberaba Sport. Embora negassem, todo mundo conhecia os jogadores do Uberaba Sport. O Uberabinha venceu por 4 a 1.

                        

A partir daí o Uberabinha Sport transformou-se num dos esquadrões mais respeitados do Triângulo Mineiro.

 

Fontes: jornais da época, Ramiro Pedrosa


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