11/09/2021 às 08h00min - Atualizada em 11/09/2021 às 08h00min

A pandemia que nos ensinou a importância de nos mantermos saudáveis

JOÃO LUCAS O'CONNEL
A pandemia da Covid atingiu, esta semana, a marca de 20 milhões de pessoas contaminadas no Brasil. Já são mais de 585.000 óbitos, uma letalidade oficial de 2,8%. Ou seja, de cada 100 pessoas que foram diagnosticadas com Covid no Brasil, em média, 3 morreram. Sabemos que esta letalidade está superestimada, pois a grande maioria dos que morrem pela doença tiveram a oportunidade de serem diagnosticados como portadores do vírus e entram nas estatísticas oficiais. Entretanto, inúmeros pacientes infectados pela doença ao longo dos últimos 20 meses e que evoluíram bem (com um quadro de gripe leve ou mesmo assintomáticos) acabaram não compondo as estatísticas oficiais, o que levou a um aumento da letalidade oficial registrada. Uberlândia não fugiu ao padrão de agressão nacional pela pandemia. Temos, atualmente, mais de 120.000 casos confirmados (mais de 15% de nossa população), com letalidade oficial de 2,5%.  
 
Apesar de todos os transtornos trazidos até aqui pela pandemia, podemos tentar tirar algumas lições deste período singular na história da humanidade... Pudemos, por exemplo, entender melhor as possíveis consequências de uma infecção facilmente transmissível num mundo globalizado e interconectado. Nunca antes na história da humanidade, o fato de um indivíduo comer um animal infectado (ou eventualmente deixar um vírus sair de um laboratório) do outro lado do mundo poderia afetar drasticamente a saúde física, mental e financeira do resto do mundo todo como nos dias atuais... Vivenciamos isso de maneira bem prática com a pandemia.
 
Mas, da mesma forma que a globalização e a interconectividade podem trazer possíveis consequências maléficas, alguns benefícios também podem advir desta rede de comunicação gigantesca criada nas últimas duas décadas. Muitas experiências de trocas de informações científicas foram vivenciadas e aprimoradas: a troca de experiências para o desenvolvimento de soluções (testes diagnósticos, vacinas, opções de tratamento para a doença e suas complicações). A ampla rede de comunicação e conectividade tornou mais possível a realização de pesquisas em vários centros ao mesmo tempo para a aprovação mais rápida das soluções propostas (novos testes e tratamentos) e a divulgação mais rápida das soluções encontradas para o restante do mundo. Foi incrível até mesmo observar como estas mesmas redes de comunicação rápida (internet, diversos tipos de mídia) podem ao mesmo tempo nos trazer enormes problemas, quando utilizadas para a divulgação de notícias falsas, tratamentos ineficazes ou discussões improdutivas.
 
Na área da saúde, também não foi diferente. A pandemia trouxe muitas ameaças à saúde coletiva e individual, problemas, doenças físicas e mentais (agudas e crônicas) e morte. Mesmo quem não teve Covid foi diretamente muito afetado pela pandemia. As mudanças na rotina diária trouxeram grandes prejuízos para a nossa saúde física e mental. Muitos se alimentaram pior, fizeram menos exercício, ficaram mais estressados, fumaram mais, adiaram o autocuidado e seus tratamentos e prejudicaram muito mais a sua própria saúde.
 
Por outro lado, a pandemia trouxe uma evidência muito clara do quanto é importante nos mantermos saudáveis. Há cerca de 40 anos, a ciência vem descobrindo a importância do indivíduo se manter saudável para o seu futuro. Já sabíamos da importância de cuidar de nossa alimentação, do nosso peso, praticar atividade física, não fumar, mantermos níveis adequados de pressão arterial, glicose e colesterol sanguíneos. Sabíamos que nos mantermos saudáveis ao longo da vida poderia nos garantir uma maior quantidade e qualidade de vida, especialmente após os 55 anos. Mas, essa era uma ideia vaga, já que o benefício parecia muito distante.

O que não imaginávamos com tanta clareza é o quanto se manter saudável pode ser tão importante para o presente imediato... Não tínhamos, por exemplo, uma ideia tão concreta da importância de uma boa saúde para o enfrentamento de uma doença respiratória infecciosa. Ao percebermos que a maioria dos óbitos por Covid em indivíduos com menos de 60 anos ocorreu em indivíduos obesos, diabéticos, hipertensos, fumantes, etilistas ou portadores de comorbidades, pudemos entender o quanto nos mantermos saudáveis pode nos ajudar agora. Além disso, nos últimos 5 anos, surgiram várias evidências científicas que mostram que manter uma boa saúde pode ser muito mais importante do que apenas diminuir a chance de doenças cardiovasculares. Sabemos agora que uma boa saúde pode diminuir também a incidência de câncer, doenças gastrintestinais, doenças osteoarticulares e, principalmente, doenças mentais não só nos idosos, como também nos adultos jovens (e até em adolescentes). Descobrimos que o benefício de se manter saudável é muito mais precoce do que imaginávamos. Portanto, mãos à obra! 
 
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