11/09/2021 às 08h00min - Atualizada em 11/09/2021 às 08h00min

O que você prioriza?

DÉBORA OTTONI
 Um evento que sempre me comove, há praticamente 3 anos, é a troca de faixa do karatê do meu filho, Arthur.

O karatê veio para nos trazer grandes lições e ensinamentos. O Arthur era um menino sensível além do normal e, nas palavras dele, "eu era um menino muito chorão"!
Dia desses nós dois estávamos conversando sobre sua mudança e do quanto ele se tornou mais forte e corajoso depois do karatê.

Lembramos de uma situação que quase o fez desistir, mas que, também, mudou a sua vida:

Foi bem no começo, em uma aula que ele não conseguiu fazer os movimentos do Kata que o Sensei pediu e foi corrigido na frente dos outros alunos. Por esse motivo, ele se escondeu atrás de uma pilastra até a aula acabar. No carro, voltando para casa, ele chorou muito e disse que não queria mais voltar para o karatê.

Conversei muito com ele e, juntos, começamos a treinar o Kata todos os dias em casa. Ele levou tão a sério o dar a volta por cima, que fazia treinos diários com corrida, flexões, abdominais...

Desde então, o Arthur, que chorava à toa, emburrava por qualquer coisa e desistia fácil dos desafios, se fortaleceu. Brinco que ele virou um "hominho"! Nunca mais (DE VERDADE!) ele chorou como naquele dia.
Quando ele relatou o seu sentimento sobre o ocorrido me surpreendi com seu aprendizado:
"Mãe, eu chorava para chamar atenção das pessoas, mas naquele dia eu entendi que é melhor ter a atenção das pessoas pelo o que faço de bom do que por ser fraco!"

Um menino de 11 anos, que aprendeu lições preciosas e se transformou com o karatê.

Não é um simples momento de troca de faixa, é um atestado de que meu filho entende, de fato, a importância de ser forte, persistente, corajoso, dedicado e disciplinado.

Ser uma pessoa forte é essencial, assim como sabermos o que priorizamos desenvolver em nossas vidas e personalidades.

Na sua primeira troca de faixa, eu chorei. Chorei porque, enquanto Arthur apresentava o Kata, um filme passou pela minha cabeça. Até o início de 2018, eu vivia para o trabalho e estudo. Não tinha tempo para os filhos, para o casamento e resolvi abrir mão do emprego. Fui muito criticada porque hoje, o ERRADO e INCOMUM é priorizar a família.

Dedicamos integralmente nossas vidas e energia ao trabalho para proporcionar estudo e conforto aos filhos, mas esquecemos que suas reais necessidades não estão relacionadas ao plano material.
A presença, o olhar, o toque e dedicação exclusiva são indispensáveis para formar filhos seguros e virtuosos. A maior falácia sobre educar é a de que o importante é a qualidade do tempo, e não a quantidade.

Eu nunca perceberia que meu filho estava se desenvolvendo frágil, medroso e tendencioso a desistir fácil de desafios, se eu não estivesse ali presente, DE FATO! Por esse motivo, também soube como intervir.

Terceirizar o molde do caráter e personalidade dos filhos é o MAIOR ERRO que nós, pais, cometemos. Os filhos são arrastados pelos exemplos de quem os educa. Quem tem educado o seu filho? Quais são os valores que têm sido impressos nele? "Débora, mas e a questão financeira?" Quando pedi demissão, nem acerto recebi e meu esposo estava desempregado. Mas quando priorizamos e optamos pelo CERTO, fazemos acontecer o que for necessário, inclusive, criar formas de complementar (como EU tenho feito) sem prejudicar o tempo com os meus.

Na verdade, somos egoístas e vaidosos (gostamos de conforto e status profissional), temos preguiça e vergonha de ter que cuidar de filho e casa ("isso é retrocesso!"), temos medo das críticas e não fazemos escolhas por um juízo de hierarquia de valores prioritários, pois foi tudo deturpado.

Naquele dia, ao ver o Arthur DESTEMIDO e IMPONENTE naquele tatame, pensei: "Estou educando um filho FORTE para a vida porque tive coragem de RENUNCIAR e ME DOAR para que ele pudesse SER." Chorei sim, porque eu vivi esse processo COM e POR ele. Isso é amor incondicional! E amar assim dói, pois exige que eu morra para mim, para que o outro viva.

Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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