04/09/2021 às 08h00min - Atualizada em 04/09/2021 às 08h00min

Pandemia da Covid em Uberlândia: finalmente uma luz no fim do túnel?

A curva de disseminação da infecção pelo novo coronavírus se comportou de maneira diferente em diferentes países do globo. Isso aconteceu tanto em 2020 quanto em 2021. Na grande maioria dos outros países da Europa e da Ásia, por exemplo, observamos picos muito altos de disseminação no primeiro semestre do ano e platôs mais baixos de disseminação ao longo do segundo semestre. Já no Brasil, observamos uma pandemia que se arrastou por todo o ano, com um pico em platô principalmente observado entre os meses de Junho e Setembro, curva parecida com o ocorrido nos Estados Unidos.

Mesmo neste ano, durante a segunda onda de disseminação da doença, provocada principalmente pelo surgimento de novas cepas mais transmissíveis do novo coronavírus, a curva de disseminação também foi diferente entre os diversos países do globo. Muitos países da Ásia, como a Índia, por exemplo, que haviam sido poupados da avalanche da Covid ano passado, acabaram sofrendo mais com estas novas variantes mais transmissíveis.

É certo que no Brasil, por suas dimensões continentais e por uma série de diferentes motivos (culturais, educacionais, econômicos, estruturais, políticos e outros...), a curva de disseminação se comportou de modo bastante diferente do ano passado. Como o isolamento social da população começou antes mesmo que o vírus chegasse a uma boa parte dos estados e municípios, a curva de disseminação da doença acabou sendo lenta e progressiva, se dando ao longo de vários meses... Este “achatamento da curva de disseminação da doença” trouxe inúmeras vantagens como, por exemplo, evitar o caos por falta de leitos, medicamentos, oxigênio e respiradores nos hospitais, pelo alto número simultâneo de novos casos da doença. Entretanto, com a forte chegada da variante P.1 (Gama) durante os primeiros meses deste ano, acabamos vivenciando, em nossa região, o mesmo caos na saúde pública e privada experimentados por outras regiões do Brasil e do mundo no primeiro semestre de 2021.

E logo agora, no mês de Julho, quando achávamos que iríamos ganhar uma folga da pandemia, a chegada de uma nova variante por aqui (a cepa indiana ou variante delta do coronavírus) nos trouxe muita preocupação, com um aumento do número de novos casos e interações, o que levou a uma grande preocupação da saúde pública e privada com uma possível importante terceira onda da pandemia por aqui. Mas, o que esperar dessa possível terceira onda da pandemia? Ela vai realmente chegar? Quando e como ela vai começar ou terminar?

Infelizmente, a pandemia da Covid já nos ensinou que não respeita muito previsões. Não se pode prever exatamente o seu comportamento. Principalmente porque este vírus tem uma capacidade de se transformar e de mutar para formas, no mínimo, mais transmissíveis... Se não fosse a chegada destas novas variantes em nossa região (a Gama em Janeiro e a Delta em Julho), não teríamos tido uma segunda onda tão rápida e preocupante como a que tivemos por aqui este ano. Assim, fica difícil prever o que vai acontecer no futuro pois, eventualmente, poderemos ser surpreendidos por uma nova variante do vírus mais transmissível, agressiva e capaz  de driblar o nosso sistema imunológico já vacinado nos próximos meses...

Mas, se nenhuma outra variante de preocupação surgir nos próximos meses, teremos sim muitos motivos para comemorar! Sabemos que uma pandemia passa a ser controlável quando uma boa parte da população susceptível (que poderia desenvolver a doença) gera uma imunidade contra o vírus. Esta imunidade pode ser garantida pelo contato com o vírus (ou suas partículas infectantes), que podem se dar basicamente de duas maneiras:  pelo desenvolvimento da própria doença ou pela vacinação. Estas imunidades podem ser dadas tanto pelo contato prévio com o vírus quanto pela exposição a vacinas. E, hoje, acredita-se que a maior parte da população adulta já tenha tido contato com o coronavírus ou por ter adquirido a doença (uma minoria) ou pela vacinação (a grande maioria da população brasileira com mais de 18 anos).

Assim, ao contrário do que aconteceu em Julho, acredito muito que veremos uma diminuição progressiva dos números da pandemia em nossa região já neste mês!  Sejamos otimistas! Vamos torcer por uma queda progressiva do números de novos casos e de óbitos nestas próximas semanas! Se não houver o surgimento de outra variante que consiga driblar a imunidade adquirida pelo contato prévio com o vírus ou com a vacina, a pandemia vai diminuir drasticamente no segundo semestre do ano! Com isso, nossa rotina vai voltar gradativamente ao normal. Até lá, temos que continuar evitando aglomerações, utilizando boas máscaras, lavando bem as mãos e rezando pela vacinação em massa da população.
 

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